Mais aumentos nos transportes
Os sindicatos contestam a decisão do Governo de permitir que as transportadoras actualizem trimestralmente o tarifário dos transportes públicos. O primeiro aumento é já amanhã.
Só um sector público de transportes garante os direitos dos utentes
Um dia após o anúncio da medida, a Festru/CGTP-IN denunciou, em comunicado, o aumento dos transportes em 2,9 por cento, a partir de 1 de Outubro, recordando que, ao todo e só este ano, o tarifário já registou um aumento total de 6,8 por cento, penalizando os utentes, mas, por outro lado, «não fiscalizando nem exigindo o respeito pelas concessões atribuídas às empresas».
Para a Federação dos Sindicatos dos Transportes Rodoviários e Urbanos, a medida demonstra bem a insensibilidade social do Governo, pois agrava as condições de vida dos trabalhadores e nega o direito de mobilidade, que apenas uma empresa pública pode garantir a todos.
A Festru acusa o Governo de teimar em aumentar o desemprego, a precariedade, os salários e as reformas de miséria, «ao mesmo tempo que põe em causa os interesses e direitos das populações», como sucede com o direito a transportes públicos «em qualidade e quantidade». Apenas uma solução, defende a federação, pode beneficiar os utentes e respeitar os seus legítimos interesses e direitos: a manutenção do sector público de transportes, uma vez que só um sector nacionalizado dá prioridade à satisfação das necessidades dos utentes.
Liberalização
Para a CGTP-IN, que tinha emitido uma nota logo após as primeiras notícias sobre a possibilidade de aumentos a cada três meses, com esta oscilação trimestral do preço dos transportes estamos perante uma liberalização dos tarifários. A confederação fez notar que esse esquema surgiu de negociações entre o Governo e a associação patronal do sector, a Antrop, sem que tenham sido ouvidos utentes e trabalhadores.
A CGTP recusa mais este acréscimo em encargos com «forte peso nos orçamentos familiares», num ano em que uma parte significativa dos trabalhadores teve quebras salariais, além de muitos terem bloqueada a contratação colectiva. São de rejeitar «sistemas de preços cujo pretexto é a subida do preço dos combustíveis, quando se sabe que o mesmo não ocorre quando os preços descem», salienta. Com transportes ainda mais caros, é incentivado o uso do transporte individual, com elevados custos sociais.
Fertagus prejudica utentes
A Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul alertou, em comunicado, que a Fertagus e o Governo decidiram finalmente estender o serviço até Setúbal – «fruto da luta dos utentes e das autarquias» – mas em condições que significam prejuízo para os passageiros do comboio da Ponte.
A comissão recorda que «há mais de um ano» vem criticando a morosidade do Governo neste processo, bem como a necessidade de usar mais carruagens. Para o dobro da distância antes servida, a Fertagus terá o material circulante existente e o mesmo número de funcionários. Durante 18 meses, pelo menos, prevê a comissão, «os utentes do novo troço não vão ter a qualidade e a quantidade que merecem, e os da linha em funcionamento vão ficar com menos comboios».
«O Governo especializou-se em prejudicar os utentes dos transportes da Margem Sul», protesta a comissão, notando que a situação na Fertagus tem lugar após o anúncio dos aumentos trimestrais e num quadro de quebra geral da qualidade de serviço nos transportes públicos, com uma frota rodoviária velha, supressão de vias dedicadas, adiamento de novos acessos, ameaças de supressão de carreiras e horários e de aumento substancial das portagens na Ponte 25 de Abril.
Para a Federação dos Sindicatos dos Transportes Rodoviários e Urbanos, a medida demonstra bem a insensibilidade social do Governo, pois agrava as condições de vida dos trabalhadores e nega o direito de mobilidade, que apenas uma empresa pública pode garantir a todos.
A Festru acusa o Governo de teimar em aumentar o desemprego, a precariedade, os salários e as reformas de miséria, «ao mesmo tempo que põe em causa os interesses e direitos das populações», como sucede com o direito a transportes públicos «em qualidade e quantidade». Apenas uma solução, defende a federação, pode beneficiar os utentes e respeitar os seus legítimos interesses e direitos: a manutenção do sector público de transportes, uma vez que só um sector nacionalizado dá prioridade à satisfação das necessidades dos utentes.
Liberalização
Para a CGTP-IN, que tinha emitido uma nota logo após as primeiras notícias sobre a possibilidade de aumentos a cada três meses, com esta oscilação trimestral do preço dos transportes estamos perante uma liberalização dos tarifários. A confederação fez notar que esse esquema surgiu de negociações entre o Governo e a associação patronal do sector, a Antrop, sem que tenham sido ouvidos utentes e trabalhadores.
A CGTP recusa mais este acréscimo em encargos com «forte peso nos orçamentos familiares», num ano em que uma parte significativa dos trabalhadores teve quebras salariais, além de muitos terem bloqueada a contratação colectiva. São de rejeitar «sistemas de preços cujo pretexto é a subida do preço dos combustíveis, quando se sabe que o mesmo não ocorre quando os preços descem», salienta. Com transportes ainda mais caros, é incentivado o uso do transporte individual, com elevados custos sociais.
Fertagus prejudica utentes
A Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul alertou, em comunicado, que a Fertagus e o Governo decidiram finalmente estender o serviço até Setúbal – «fruto da luta dos utentes e das autarquias» – mas em condições que significam prejuízo para os passageiros do comboio da Ponte.
A comissão recorda que «há mais de um ano» vem criticando a morosidade do Governo neste processo, bem como a necessidade de usar mais carruagens. Para o dobro da distância antes servida, a Fertagus terá o material circulante existente e o mesmo número de funcionários. Durante 18 meses, pelo menos, prevê a comissão, «os utentes do novo troço não vão ter a qualidade e a quantidade que merecem, e os da linha em funcionamento vão ficar com menos comboios».
«O Governo especializou-se em prejudicar os utentes dos transportes da Margem Sul», protesta a comissão, notando que a situação na Fertagus tem lugar após o anúncio dos aumentos trimestrais e num quadro de quebra geral da qualidade de serviço nos transportes públicos, com uma frota rodoviária velha, supressão de vias dedicadas, adiamento de novos acessos, ameaças de supressão de carreiras e horários e de aumento substancial das portagens na Ponte 25 de Abril.