Siemens na Alemanha

Mais horas por menos salário

O conglomerado industrial alemão Siemens assinou, na quinta-feira, 24, dois acordos com o sindicato da UG Metall que prevêem o alongamento da jornada de trabalho sem aumento salarial.

Siemens aumenta lucros à custa da redução dos custos salariais

Após meses de chantagens e ameaças de deslocalização para a Europa de Leste e para a China, que poderiam suprimir até 10 mil postos de trabalho na Alemanha, o gigante económico venceu a resistência dos sindicatos, forçando um acordo que impõe um horário de 40 horas em vez das 35 horas semanais que vigoravam até ao presente.
Em troca, comprometeu-se a assegurar, por um período de dois anos, os cerca de dois mil postos de trabalho nas unidades de telemóveis (em Bocholt) e telefones sem fio (em Kamp-Linfort), na Renânia do Norte-Vestefália, que tencionava transferir para a Hungria.
O IG Metall, que conduziu uma intensa luta contra as deslocalizações, trazendo às ruas cerca de 25 mil assalariados em 18 de Junho, aceitou que, nestas fábricas, o tempo de trabalho global aumente para 1760 horas anuais, calculadas em períodos de dois anos, para permitir uma maior flexibilidade, o que representa o regresso à semana das 40 horas.
Como se não fosse o bastante, a Siemens exigiu a supressão dos subsídios de férias e de Natal e a sua substituição por prémios de produção. Segundo os próprios responsáveis da administração, estas medidas representam uma redução de 30 por cento dos custos de produção, tornando estas unidades tão lucrativas como as da Hungria.
A Siemens, que se queixava de apenas ganhar um euro por cada telemóvel vendido, planeia agora aumentar a margem de lucro para cinco euros por unidade, obtidos à custa da redução salarial.

O triunfo do lucro

Se para o presidente do grupo, Heinrich von Peirer, estes acordos significam «o triunfo da razão», para o IG Metal, a decisão foi difícil de tomar mas constituiu a única alternativa aos despedimentos. Por outro lado, o sindicato mantém a esperança de que, por esta via, o conglomerado abandone o projecto de fazer corresponder os efectivos na Alemanha (170 mil pessoas e 41 por cento do total de trabalhadores) ao volume de negócios que realiza no país (23 por cento do total). Se tal intento fosse levado à prática, seriam suprimidos 74 mil empregos, segundo cálculos sindicais.
Enquanto a Siemens prossegue as negociações sobre o horário de trabalho noutras áreas de actividade do grupo, designadamente nos transportes e energia, o fabricante automóvel Daimler Chrysler já aproveitou a proposta do IG Metall que admite, sob certas condições, o aumento do tempo de trabalho para certas categorias de quadros ou em empresas em dificuldades.
Processos semelhantes decorrem em várias centenas de empresas, com destaque para a Bosch, Man e Continental. A própria Volkswagen, pioneira na introdução da semana de quatro dias, abriu no mês de Maio negociações com vista a que o tempo de trabalho passe ser contabilizado ao longo de toda a vida do trabalhador, ficando este obrigado a prestar entre 200 a 400 horas suplementares não remuneradas por ano.
De resto, até o governo alemão anunciou, em 23 de Maio, a intenção de aumentar para as 40 horas, a partir de Outubro, o horário semanal de 300 mil funcionários federais que actualmente cumprem 38,5 horas. Na Baviera, presidida pelo conservador Edmund Stoiber, o tempo de trabalho passará progressivamente para as 40, 41 e 42 horas semanais, consoante a faixa etária dos funcionários. Na Renânia do Norte-Vestefália, governada pelos social-democratas, foram tomadas medidas no mesmo sentido.


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