Uma vida dedicada à luta

Faleceu Lino de Carvalho

Faleceu no dia 10 de Junho, após doença prolongada, com 57 anos, o camarada Lino de Carvalho, membro do Comité Central do PCP, deputado e Vice-Presidente da Assembleia da República.

Um combatente contra as injustiças e a pobreza

Membro do PCP desde 1969, Lino de Carvalho participou activamente na luta estudantil e da oposição democrática nos anos finais do fascismo, teve destacada intervenção no processo da Reforma Agrária e da sua defesa, tendo sido membro do Secretariado das UCP/Cooperativas agrícolas.
Deputado eleito pelo círculo de Évora, desde 1987, membro da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Lino de Carvalho era actualmente Vice-Presidente da bancada comunista na Assembleia da República.
O Secretariado do Comité Central do PCP, em nota aos órgãos de informação, depois de apresentar os seus sentidos pêsames à mulher, filhos e outros familiares, evoca «com respeito e apreço» a «generosa contribuição» dada por Lino de Carvalho «para a luta do seu Partido pela liberdade, pela democracia e pelo socialismo a quem empenhada e combativamente dedicou as suas melhores energias e capacidades».
Também a Direcção Regional de Évora (DOREV) do PCP, em nota do seu Secretariado, «nesta hora de luto e de dor», assinala, em memória de Lino de Carvalho, o seu «trabalho e empenho, enquanto quadro destacado do Partido», que participou activamente em todo o processo da Reforma Agrária e que na sua qualidade de deputado «manteve uma profunda ligação com o eleitorado» do distrito, abraçando simultaneamente «várias causas e projectos do Alentejo».

Reacções de pesar

A notícia da morte do militante comunista motivou, entretanto, reacções de consternação e pesar de titulares de cargos públicos e políticos, de entidades, organizações e estruturas sociais e sindicais, que fizeram chegar as suas condolências à família e ao Partido Comunista Português, como foram os casos, por exemplo, da CGTP-IN e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
O cortejo fúnebre, que saiu da Igreja do Campo Grande, onde esteve em câmara ardente, em direcção ao cemitério do Alto de S. João, teve uma passagem em frente à fachada da Assembleia da República, numa derradeira homenagem à memória do deputado comunista.
Acompanhado por centenas de pessoas, comunistas e outros democratas, por muitos amigos, gente do povo e anónima, mas também por alguma figuras públicas da vida política e social, o corpo de Lino de Carvalho foi a enterrar sob a sentida emoção dos presentes após as palavras, em elogio fúnebre, proferidas por um dos seus dois filhos e pelo Secretário Geral do PCP.
Carlos Carvalho, testemunhando a forma de ser de seu pai, afirmou que Lino de Carvalho foi «incapaz de não exteriorizar os seus sentimentos e emoções, amigo do seu amigo, que não hesitava em admirar e elogiar todas as pessoas que o mereciam».
«Apenas quero que guardem no vosso coração a imagem daquele homem alto, magro, careca, de barba, de olhar profundo e claro que ria e sorria quando sentia alegria, mas que por outro lado era o primeiro a zangar-se e a denunciar a mais pequena fraude ou mentira que lhe surgia», referiu Carlos Carvalho, acrescentando que a melhor homenagem que pode ser prestada a Lino de Carvalho é continuar o seu trabalho, «seguindo as pisadas de um caminho que ele próprio e muitos seus colegas, camaradas e amigos foram construindo, reflectindo e participando activamente no que está ao nosso alcance dentro da sociedade, lutando pelas tais causas justas que ele tanto mencionava, ajudando quem mais precisa, no sentido do combate às injustiças e à pobreza, de forma a proporcionar uma vida mais digna e de qualidade, não só para alguns mas sim para todos».

Qualificada contribuição

O Secretário-Geral do PCP, Carlos Carvalhas, por sua vez, depois de expressar a «profunda mágoa, desgosto e tristeza» pela morte prematura de Lino de Carvalho, na hora de despedida, referindo-se à sua «generosa intervenção cívica e política» e à sua «empenhada militância» no PCP, sublinhou que «é justo lembrar» a sua destacada intervenção «na luta estudantil e na luta da oposição democrática nos anos finais da ditadura fascista como importante afluente do rio mais largo e impetuoso que criou as condições para a conquista da liberdade em 25 de Abril.
«É justo lembrar a sua participação nas importantes tarefas de democratização da vida nacional no período que se seguiu à derrota do fascismo e à criação de uma situação democrática ainda tão frágil e tão ameaçada.
«É justo lembrar a sua persistente contribuição para a luta dos trabalhadores dos campos do Sul em defesa da reforma agrária fazendo heroicamente frente a um ofensiva destruidora que não pode deixar de ficar para a história como um indigno exemplo dos métodos de políticas serventuárias dos interesses de classe mais retrógrados.
«É justo lembrar a qualificada contribuição que, enquanto deputado do PCP ao longo de 17 anos, Lino de Carvalho deu, com a sua assinalável capacidade de trabalho, experiência e preparação, para a defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo e para afirmar com a sua voz forte a defesa de ideias, propostas e causas do PCP que foram e são elementos constitutivos da nova política de que o País há muito precisa».
O dirigente comunista fez questão de salientar, por outro lado, naquele dia de luto e de «grande tristeza», que Lino de Carvalho «era dos que sabia e muitas vezes o afirmou, que quem abraça uma causa como a nossa e partilha das suas batalhas ao longo de quase quatro décadas, têm muitas razões para perceber que cada comunista traz a essa causa o incontornável valor e a indispensável contribuição específica dos seus méritos, experiências e capacidades individuais mas também beneficia desse valor essencial que é o património colectivo de luta e de experiência, que é a diversidade de contribuições e percursos humanos que o nosso Partido integra, que é a capacidade e a abertura de cada um e de todos os comunistas para dialogarem e aprenderem uns com outros, e com o povo sem fronteiras de instrução, de funções, de gerações ou de notoriedade».


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