Ciência e desporto
Atirei para o ar a ideia. Fi-lo junto de um grupo de amigos, sujeitos de ciência e de cidadania. Estes amigos levam muito a sério as suas actividades como investigadores. O que, por si, já é uma heroicidade no seio de um país como o nosso. Mas intervêm também como cidadãos, lutando sem fadiga, dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, com o objectivo de contribuírem para alteração da situação em Portugal. E não é nada fácil levantar e transportar tal estandarte no seio de uma sociedade de um modo geral avessa ao conhecimento científico, à sua detenção e, mais ainda, à sua criação. Uma sociedade que - quando ainda os seus graduados universitários quase se contavam pelos dedos das mãos - já «inventou» a desdenhosa expressão «país de doutores». De parasitas? Uma sociedade que, desde o 25 de Abril para cá, viu o seu número aumentar muito, mas que, mesmo esse número não tendo atingido níveis semelhantes aos dos países do nosso continente - tanto os de leste como os de oeste -, já nem consegue arranjar trabalho para muitos deles… e onde aqueles que o têm - trabalho, tarefas -, em grande parte, são desaproveitados. Em geral, os dirigentes da economia e os detentores do poder político não sabem nem querem alterar a situação. A população - também em boa medida, como se lê nas estatísticas - não vê bem para que servirá estudar. Ainda efeitos do fascismo? Efeitos corroborados pela «Evolução» que tudo fez para desfazer a dinâmica da revolução de Abril? Bom, então perante pessoas de tal cepa, pessoas que, entre outras coisas, suporta no dia a dia as incompreensões, as injúrias, de tantos, ou imbecis ou gurus de topo, quando vezes a fingirem apoio por já não lhes ser possível esconder as verdades, repito, perante pessoas de tal cepa atirei para o ar a tal ideia.
E que ideia? A ideia de que é no Desporto - na produção dos seus serviços - que encontramos mais incorporadas as actividades de investigação e desenvolvimento, de I&D. Por exemplo, ainda não há muito tempo ouvi a Mário Moniz Pereira, Vice-Presidente do Sporting, referir que tinha ido lá abaixo ao laboratório, isto é, à pista de atletismo do Estádio José Alvalade.
(Com «não há muito tempo» quero dizer antes da construção do novo Estádio de Futebol deste clube. Porque agora o Sr. Atletismo já não pode descer, desde o seu gabinete, as escadas do estádio e ir ao laboratório do defunto Estádio José Alvalade, isto é, à defunta pista de atletismo Mário Moniz Pereira. Terá de se deslocar aos outros estádios onde evolui a diáspora sportinguista, que ainda há pouco tempo ganhou a Taça dos Campeões Europeus, entre outras façanhas…)
Então, a pergunta: Como interpretar esta ideia do laboratório que é a pista de atletismo? Ao leitor, já lhe tinha ocorrido este género de questões? Resposta (da minha responsabilidade, claro): É o saber, de muito relevante experiência feito, que o trabalho do treinador - em particular, o de sucesso - se baseia em conhecimentos científicos que devem ser incorporados de forma sistemática nas actividades de «desenvolvimento» dos atletas e, sendo o caso - isto é, o caso dos desportos colectivos ou, no atletismo, o caso dos colectivos das estafetas -, de «desenvolvimento» de equipas. Conhecimentos que envolvem mulheres e homens em funções muito exigentes - a exigirem performances quase sempre a raiar os limites entre o conhecido e o desconhecido, entre o «bom» e o «mau», entre o seguro e o perigoso - e que, por isso mesmo, são dos mais complexos de todas as áreas do saber humano.
O que nos conduz à questão de serem cada vez mais exigíveis não só formações científicas sólidas, mas toda uma forte rede de apoio médico desportivo. E ambas são exigentes em termos de recursos, custam muito mais dinheiro do que o actualmente dispendido no nosso país... não parecendo que esta situação se vá alterar no curto nem no médio prazo.
Mais, terá alguma coisa a ver com isto, o facto de, na actualidade, nesta Primavera de 2004 - a do Euro 2004 (de futebol, claro!) -, uma série de treinadores de futebol de topo serem licenciados na área da Educação Física e do Desporto, como é o caso do treinador do Campeão do Mundo, agora treinador da FPF, e dos treinadores do multi-campeão europeu Real de Madrid e de um FC Porto no topo dos mais destacados do mundo do Futebol (eles, Carlos Queiroz e José Mourinho, licenciados pela mesma instituição que Mário Moniz Pereira)? Mera coincidência?
Atirada para o ar a ideia, mas passando da meia-noite, afastamo-nos para ir descansar.
E que ideia? A ideia de que é no Desporto - na produção dos seus serviços - que encontramos mais incorporadas as actividades de investigação e desenvolvimento, de I&D. Por exemplo, ainda não há muito tempo ouvi a Mário Moniz Pereira, Vice-Presidente do Sporting, referir que tinha ido lá abaixo ao laboratório, isto é, à pista de atletismo do Estádio José Alvalade.
(Com «não há muito tempo» quero dizer antes da construção do novo Estádio de Futebol deste clube. Porque agora o Sr. Atletismo já não pode descer, desde o seu gabinete, as escadas do estádio e ir ao laboratório do defunto Estádio José Alvalade, isto é, à defunta pista de atletismo Mário Moniz Pereira. Terá de se deslocar aos outros estádios onde evolui a diáspora sportinguista, que ainda há pouco tempo ganhou a Taça dos Campeões Europeus, entre outras façanhas…)
Então, a pergunta: Como interpretar esta ideia do laboratório que é a pista de atletismo? Ao leitor, já lhe tinha ocorrido este género de questões? Resposta (da minha responsabilidade, claro): É o saber, de muito relevante experiência feito, que o trabalho do treinador - em particular, o de sucesso - se baseia em conhecimentos científicos que devem ser incorporados de forma sistemática nas actividades de «desenvolvimento» dos atletas e, sendo o caso - isto é, o caso dos desportos colectivos ou, no atletismo, o caso dos colectivos das estafetas -, de «desenvolvimento» de equipas. Conhecimentos que envolvem mulheres e homens em funções muito exigentes - a exigirem performances quase sempre a raiar os limites entre o conhecido e o desconhecido, entre o «bom» e o «mau», entre o seguro e o perigoso - e que, por isso mesmo, são dos mais complexos de todas as áreas do saber humano.
O que nos conduz à questão de serem cada vez mais exigíveis não só formações científicas sólidas, mas toda uma forte rede de apoio médico desportivo. E ambas são exigentes em termos de recursos, custam muito mais dinheiro do que o actualmente dispendido no nosso país... não parecendo que esta situação se vá alterar no curto nem no médio prazo.
Mais, terá alguma coisa a ver com isto, o facto de, na actualidade, nesta Primavera de 2004 - a do Euro 2004 (de futebol, claro!) -, uma série de treinadores de futebol de topo serem licenciados na área da Educação Física e do Desporto, como é o caso do treinador do Campeão do Mundo, agora treinador da FPF, e dos treinadores do multi-campeão europeu Real de Madrid e de um FC Porto no topo dos mais destacados do mundo do Futebol (eles, Carlos Queiroz e José Mourinho, licenciados pela mesma instituição que Mário Moniz Pereira)? Mera coincidência?
Atirada para o ar a ideia, mas passando da meia-noite, afastamo-nos para ir descansar.