Saque e destruição no Iraque

«Caos. Pilhagem. Saque. Vingança. Ódio. Morte. Destruição. São estes os presentes oferecidos pelas libertadores ao Povo Iraquiano».
Quem o lembrou, em declaração política, foi a deputada comunista Luísa Mesquita. Falava numa das sessões plenárias da semana transacta, no que foi um verdadeiro libelo acusatório contra quem teve como único objectivo, com esta guerra, «a ocupação, a dominação, a humilhação do povo iraquiano».
Não escondendo a sua indignação perante o que considerou ser o «maior crime de pilhagem da História da Humanidade», em relação ao qual, observou, «não é hoje possível fechar os olhos», Luísa Mesquita acusou a coligação liderada pelos EUA de terem deliberadamente encorajado, «por razões políticas e económicas» essa acção de rapina de que foram alvo as principais cidades iraquianas.
«A devastação que se iniciou em Bassorá e Bagdad em Abril, estava programada. A destruição de hospitais, escolas e centros de distribuição de energia eléctrica não foi por acaso», acusou a parlamentar comunista, para quem a pilhagem no Museu Nacional de Bagdad, o maior museu arqueológico de todo o Médio Oriente «não foi também um acaso».
Antes correspondeu a uma premeditada acção, quer pelos bombardeamentos quer pelo saque, visando beneficiar as empresas e os interesses norte-americanos.
E foram estes e só estes, verdadeiramente, os únicos motivos que levaram a potência imperial a desencadear a guerra.
Porque – foi ainda Luísa Mesquita a lembrá-lo – as armas de destruição maciça, essas, que foram pretexto maior, «tardam em aparecer». E já agora convém reter, como facto igualmente relevante, que se as universidades, os hospitais, as bibliotecas e os museus foram devastados, dois ministérios houve – o do Interior e do Petróleo - que permanecem «intactos e intocáveis». O que significa, como sublinhou, a deputada do PCP, que os arquivos petrolíferos e as vastas reservas petrolíferas estão a salvo dos saqueadores. Para, a curto prazo, «serem compartilhados com as companhias petrolíferas norte-americanas».



Mais artigos de: Assembleia da República

Grave retrocesso democrático

O Parlamento aprovou alterações legislativas à Lei dos Partidos e respectivo financiamento. Para o PCP, que se opôs firmemente ao que considerou serem desígnios contrários aos valores do 25 de Abril, este passo representou «um grave retrocesso democrático-constitucional».

Novos direitos dos cidadãos

A Assembleia da República aprovou, na passada semana, por unanimidade, em votação final global, novas leis que reforçam as possibilidades de participação cívica e política dos cidadãos.

Governo deve esclarecimentos

O Grupo Parlamentar do PCP requereu a presença do Ministro da Economia na Assembleia da República para que este esclareça o modo como o Governo está a acompanhar o processo de insolvência da Grundig recentemente anunciado por aquela empresa de origem alemã.Em carta dirigida ao presidente da comissãoparlamentar de...

Escolas de Amarante sem água potável

No concelho de Amarante há escolas do 1.º ciclo do ensino básico que não têm água potável. Esta situação, quase impensável, foi constada pelo deputado comunista Honório Novo no decorrer de uma recente visita por si realizada a duas escolas do 1.º ciclo do ensino básico e da educação pré-escolar que integram o Agrupamento...

Resíduos nucleares junto à fronteira

As autoridades espanholas não descartam a possibilidade de vir a instalar a poucos quilómetros da nossa fronteira um depósito de resíduos nucleares. Estudos técnicos nesse sentido estão a ser feitos pela ENRESA (Empresa Nacional da Resíduos Nucleares de Espanha), ganhando força a ideia de que o local escolhido poderá ser...

Necessidades de saúde aguardam por respostas

Na Península de Setúbal, em matéria de saúde, há carências de vária ordem que estão a pôr em causa o direito das populações a uma adequada prestação de cuidados de saúde. A situação é de tal ordem que levou já as populações a subscreverem duas petições, com mais de dez mil assinaturas, solicitando a intervenção e o apoio...