PCP solidário com Iraque e Palestina

A Paz não se rende

O PCP promoveu, no final da tarde do passado dia 20, uma concentração em Lisboa contra a ocupação do Iraque e da Palestina.

A operação israelita «Arco-Íris» matou já dezenas de palestinianos

Enquanto milhares de pessoas regressavam a casa depois de mais um dia de trabalho, a Direcção de Organização Regional de Lisboa do PCP promovia uma concentração no Rossio contra a ocupação do Iraque e da Palestina. Apesar de não ter a «ajuda» dos grandes órgãos de comunicação social – que não compareceram –, a mensagem dos comunistas chegou a muita da gente que por ali passava e que recebeu as posições do PCP acerca da grave situação internacional que actualmente se vive.
Ângelo Alves, do Comité Central, falando a quem ali se concentrava – comunistas e outros que por ali passavam e se foram aproximando –, alertou para o Inferno que se vive na Palestina. «Já era um inferno, mas piorou nos últimos dias», referiu, após ler uma mensagem que a Secção Internacional do PCP recebeu de uma organização de juventude palestiniana (ver caixa).
O dirigente comunista contou que a violenta operação lançada pelo exército de Israel na faixa de Gaza tinha já provocado, até à noite do dia anterior, a morte de mais de 50 pessoas, na sua maioria crianças, mulheres e idosos. «Estes são crimes de guerra», afirmou o dirigente do CC. «Crimes contra a humanidade.» O nome da operação não podia ser mais sinistro, «Operação Arco-Íris».
Ângelo Alves prosseguiu, afirmando que Israel tem o apoio dos Estados Unidos. Nem podia ser de outra maneira, já que ambos os países partilham da mesma ideologia, considerando-se no direito de passar por cima dos direitos dos povos e da soberania dos países. Para além disso, o que os EUA fazem no Iraque pouco se destingue da acção dos israelitas sionistas na Palestina, recordou.
Do Governo português, o dirigente comunista exigiu que reavalie as suas relações com o Estado de Israel. E que intervenha junto da União Europeia no sentido de aplicar sanções a Israel enquanto este prosseguir com a sua política de ocupação dos territórios palestinianos.

strong>Crimes para lá das torturas

Referindo-se em seguida à ocupação do Iraque, Ângelo Alves considerou que esta é «uma guerra feita de crimes», que vão para lá das torturas cujas imagens vieram recentemente a público. Os bombardeamentos de cidades, a destruição de estruturas económicas e sociais e a negação, ao povo iraquiano, dos direitos autodeterminação e independência são crimes que permanecem desde o início da guerra. Uma guerra que, lembra, foi movida pela intenção dos Estados Unidos de controlar as reservas de petróleo iraquiano (as segundas maiores do mundo), bem como de assegurar o domínio geo-estratégico daquela importante região.
Para o dirigente do PCP, a resistência iraquiana não é terrorismo, ao contrário do que afirmam as autoridades norte-americanas. Nem tão pouco se pode falar de «simples escaramuças», assegurou. O que se passa no Iraque é uma resistência popular à ocupação imperialista, que merece a solidariedade activa dos comunistas portugueses, avançou Ângelo Alves.
O PCP considera que o Governo português é cúmplice da ocupação imperialista do Iraque. Ao ceder a Base das Lages para a «declaração de guerra», ao corroborar a argumentação mentirosa e, por fim, ao enviar tropas portuguesas para o território. Esta cumplicidade levou o dirigente comunista a afirmar publicamente que o Governo português é «um conjunto de governantes ao serviço do imperialismo», que governam segundo compromissos assumidos com outros, que não o povo português.
Nesse mesmo dia, o ministro da Defesa Paulo Portas, que visitava Viana do Castelo para comemorar o Dia da Marinha, foi recebido com manifestações exigindo o fim da guerra e o regresso imediato das tropas portuguesas.

Mensagem da juventude da Palestina
«Estão a matar-nos em Gaza e Rafah»

Na iniciativa dos comunistas de Lisboa, um momento foi particularmente emocionante. Ângelo Alves leu uma mensagem que chegou à Secção Internacional do PCP, enviada pela União de Juventude do Povo Palestiniano (UJPP). Mais do que um apelo à solidariedade, a mensagem, que transcrevemos na íntegra, constitui um grito de desespero, que deixa perceber a gravidade da situação vivida nos territórios ocupados da Faixa de Gaza.
«Caros camaradas, irmãos e amigos: os israelitas estão a matar-nos na Faixa de Gaza e em Rafah. Precisamos da vossa ajuda, precisamos do vosso apoio, precisamos que saiam às ruas para exigir ao vosso governo que faça parar a matança de crianças, mulheres e idosos em Rafah. Precisamos da vossa ajuda… Por favor, tentem fazer alguma coisa, precisamos que o vosso povo saiba o que se está a passar em Gaza. Até ao momento (quarta-feira, dia 19, ao princípio da tarde), morreram 50 pessoas, na sua maioria crianças, mulheres e velhos. Com muito amor dos camaradas da UJPP.»

PCP condena crimes de Israel

Em comunicado do dia 20, que publicamos integralmente, o Secretariado do Comité Central do PCP, condenou os crimes do Estado de Israel cometidos nos últimos dias em Rafah e reafirmou o seu apoio solidário ao povo palestiniano:
«A situação nos territórios ocupados da Palestina – Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Leste – tornou-se há muito um verdadeiro inferno mas o que se tem passado nos últimos dias em Rafah atingiu um tal nível de violência e de desprezo pelos direitos humanos mais elementares, que exige a mais firme tomada de posição, não apenas daqueles que são solidários com a justa causa palestiniana, mas de todos quantos prezam os valores da liberdade, da vida e da dignidade humana.
«Às operações de desumana repressão, destruição de habitações e expulsão das populações, veio ontem juntar-se o cruel bombardeamento de uma manifestação pacífica de solidariedade com as vítimas mais directas das retaliações contra as populações na fronteira sul de Gaza com o Egipto.
«Estes crimes não podem ficar impunes. Eles só são possíveis pelo apoio dos EUA à política do governo de Sharon e no contexto da guerra no Iraque e dos crimes cometidos pelas tropas de ocupação contra as forças da resistência e o povo iraquiano. O que torna ainda mais necessária a condenação e o isolamento do governo de Israel pelas suas práticas de terrorismo de Estado. Se crimes tão terríveis como os cometidos em Rafah não forem pronta e firmemente condenados, Israel e os EUA sentir-se-ão com as mãos livres para prosseguirem a sua escalada de genocídio do povo palestiniano e de liquidação da sua causa nacional.
«Firmemente solidário com a luta libertadora do povo palestiniano, o PCP exige do Estado português e em particular do Governo uma clara e inequívoca condenação da criminosa política de Israel, única posição consentânea com a letra e o espírito da Constituição da República. Impõe-se um gesto político forte da diplomacia portuguesa. As relações entre Portugal e Israel não podem continuar como se nada de extraordinariamente grave estivesse a acontecer em matéria de direito internacional e da prática de crimes contra a humanidade. Portugal deve também intervir para que a União Europeia ponha definitivamente termo à sua passiva cumplicidade para com um Estado fora-da-lei, exigindo nomeadamente a suspensão do Acordo de Associação com este país.»


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