Isto é que é gerir a Cidade?
Na sua gestão, a Câmara de Lisboa e a Cidade estão ao abandono. Não contam com a linha da frente, o presidente da CML – que tem mais que fazer, como se vê e adiante se explica em pormenor. O seu partido e as suas ambições pessoais ocupam o seu tempo todo. A ‘intrigalhada’ em que se envolve constantemente é que lhe dá entusiasmo. A Câmara é uma «chatice» desmotivadora.
Mas a gestão da Cidade e da CML também não conta com a segunda linha, a dos vereadores a tempo inteiro – os quais deixam muito a dever à competência e dedicação, dispersando-se por tarefas em empresas municipais e participadas, sem capacidade nem para uma ocupação quanto mais com tamanha dispersão…
E também não se conta com a terceira linha, a das chefias, directores etc. – os quais são diariamente arredados por assessores de assessores, o que ficou bem denunciado na apresentação do Relatório de 2003, o tal da confissão da derrota por parte de Santana Lopes.
E, finalmente, para mal da Cidade, nem sequer se pode contar com uma quarta linha, a das as empresas municipais, em que estão delegadas muitas das competências e tarefas da CML, pois os seus dirigentes são constantemente postos em causa publicamente, como aconteceu por exemplo com a EPUL na última sessão da CML. Por iniciativa do PCP, o respectivo Relatório, por inadequado, teve de ser retirado, com os seus administradores cabisbaixos, ali desautorizados e não defendidos por Santana Lopes. Cenas destas têm-se repetido com alguma incómoda regularidade com as empresas municipais.
Sem tempo para governar
Santana Lopes dedicar-se a Lisboa a tempo inteiro e com empenho?
Como dizem os brasileiros: «Só contaram para você!».
É público e notório que Santana Lopes não tem tempo para governar a Cidade. Nem sequer para se preocupar em acompanhar o que se passa na própria Câmara de Lisboa. O que o ocupa são coisas muito distantes de Lisboa e dos interesses da população, sobretudo da população carenciada que ele nem sabe onde existe, se existe, se ainda cá reside…
A CML assim «dirigida» por Santana Lopes e pela maioria do PSD e do PP que o apoia nada tem a ver com a vida real dos lisboetas: vive à espreita das oportunidades que possa oferecer para benefício dos senhores do grande capital imobiliário, financeiro e do jogo.
Beneficiar o grande capital
O que ocupa este «autarca» são outras altas questões. Por exemplo: Presidenciais, Comissão Política do PSD, alianças pré-eleitorais e coisas assim. O PSD, o Congresso, os congressistas, quem é por mim, quem é contra mim. Fico em Lisboa, largo tudo. Defendo a aliança com o PP, descarto-me do Portas, como já me descartei de tantos antes dele. Como é que me desembrulho destas macacadas em que estou metido: ele é o túnel, é o casino, é o Terreiro do Paço, é a revisão simplificada do PDM, é a intervenção na Baixa que não anda, tudo a ficar na gaveta, tudo a dar raia… E o tempo a passar e as eleições presidenciais, as legislativas e as autárquicas já aí estão…
No meio de coisas tão sérias, Santana Lopes ia lá ter tempo para se preocupar com os bairros, com o povo que para ele é ralé…
Então o homem não tem que decidir se enfrenta tudo e todos este fim-de-semana no Congresso ou se vira costas e os manda a todos dar uma volta? No meio das juras de amor a Lisboa para inglês ver, Lopes aproveita pelo menos para aquilo que tem de fazer: gerir a capital (se se pode chamar a isto «gerir») em benefício do exclusivo do grande capital. Tudo caminha nesse sentido.
Degradação como nunca
O município não poderá suportar por muito mais tempo as consequências deste alheamento dos responsáveis dos Praça do Município em relação ao que se passa nas ruas, nos bairros. Está em causa a vida real das pessoas. A Cidade não funciona. Lisboa está a chegar a um ponto crítico. Nos últimos meses agrava-se ainda mais o diagnóstico: degradação dos equipamentos e dos serviços municipais, degradação da habitação e da vida urbana, entrega de terrenos camarários ao capital puro e duro, promessas de mais construção privada, venda de Património Municipal, promessas de uso privado de Património Nacional (Terreiro do Paço). A Baixa degrada-se cada vez mais.
De facto, as ameaças estão todas bem em cima da mesa: é só olhar e querer ver. As zonas mais nobres da Cidade são as mais apetecidas para a construção e o lucro fácil. Santana Lopes está a retalhar Lisboa e a reparti-la entre os seus amigos e amigos de amigos e pelos actuais e futuros apoiantes potenciais de toda a espécie para o que der e vier. Os casos mais graves já chegam ao casco histórico da Cidade, à Baixa e ao próprio Terreiro do Paço…
Mas a gestão da Cidade e da CML também não conta com a segunda linha, a dos vereadores a tempo inteiro – os quais deixam muito a dever à competência e dedicação, dispersando-se por tarefas em empresas municipais e participadas, sem capacidade nem para uma ocupação quanto mais com tamanha dispersão…
E também não se conta com a terceira linha, a das chefias, directores etc. – os quais são diariamente arredados por assessores de assessores, o que ficou bem denunciado na apresentação do Relatório de 2003, o tal da confissão da derrota por parte de Santana Lopes.
E, finalmente, para mal da Cidade, nem sequer se pode contar com uma quarta linha, a das as empresas municipais, em que estão delegadas muitas das competências e tarefas da CML, pois os seus dirigentes são constantemente postos em causa publicamente, como aconteceu por exemplo com a EPUL na última sessão da CML. Por iniciativa do PCP, o respectivo Relatório, por inadequado, teve de ser retirado, com os seus administradores cabisbaixos, ali desautorizados e não defendidos por Santana Lopes. Cenas destas têm-se repetido com alguma incómoda regularidade com as empresas municipais.
Sem tempo para governar
Santana Lopes dedicar-se a Lisboa a tempo inteiro e com empenho?
Como dizem os brasileiros: «Só contaram para você!».
É público e notório que Santana Lopes não tem tempo para governar a Cidade. Nem sequer para se preocupar em acompanhar o que se passa na própria Câmara de Lisboa. O que o ocupa são coisas muito distantes de Lisboa e dos interesses da população, sobretudo da população carenciada que ele nem sabe onde existe, se existe, se ainda cá reside…
A CML assim «dirigida» por Santana Lopes e pela maioria do PSD e do PP que o apoia nada tem a ver com a vida real dos lisboetas: vive à espreita das oportunidades que possa oferecer para benefício dos senhores do grande capital imobiliário, financeiro e do jogo.
Beneficiar o grande capital
O que ocupa este «autarca» são outras altas questões. Por exemplo: Presidenciais, Comissão Política do PSD, alianças pré-eleitorais e coisas assim. O PSD, o Congresso, os congressistas, quem é por mim, quem é contra mim. Fico em Lisboa, largo tudo. Defendo a aliança com o PP, descarto-me do Portas, como já me descartei de tantos antes dele. Como é que me desembrulho destas macacadas em que estou metido: ele é o túnel, é o casino, é o Terreiro do Paço, é a revisão simplificada do PDM, é a intervenção na Baixa que não anda, tudo a ficar na gaveta, tudo a dar raia… E o tempo a passar e as eleições presidenciais, as legislativas e as autárquicas já aí estão…
No meio de coisas tão sérias, Santana Lopes ia lá ter tempo para se preocupar com os bairros, com o povo que para ele é ralé…
Então o homem não tem que decidir se enfrenta tudo e todos este fim-de-semana no Congresso ou se vira costas e os manda a todos dar uma volta? No meio das juras de amor a Lisboa para inglês ver, Lopes aproveita pelo menos para aquilo que tem de fazer: gerir a capital (se se pode chamar a isto «gerir») em benefício do exclusivo do grande capital. Tudo caminha nesse sentido.
Degradação como nunca
O município não poderá suportar por muito mais tempo as consequências deste alheamento dos responsáveis dos Praça do Município em relação ao que se passa nas ruas, nos bairros. Está em causa a vida real das pessoas. A Cidade não funciona. Lisboa está a chegar a um ponto crítico. Nos últimos meses agrava-se ainda mais o diagnóstico: degradação dos equipamentos e dos serviços municipais, degradação da habitação e da vida urbana, entrega de terrenos camarários ao capital puro e duro, promessas de mais construção privada, venda de Património Municipal, promessas de uso privado de Património Nacional (Terreiro do Paço). A Baixa degrada-se cada vez mais.
De facto, as ameaças estão todas bem em cima da mesa: é só olhar e querer ver. As zonas mais nobres da Cidade são as mais apetecidas para a construção e o lucro fácil. Santana Lopes está a retalhar Lisboa e a reparti-la entre os seus amigos e amigos de amigos e pelos actuais e futuros apoiantes potenciais de toda a espécie para o que der e vier. Os casos mais graves já chegam ao casco histórico da Cidade, à Baixa e ao próprio Terreiro do Paço…