Secundário e básico protestam
Milhares de estudantes dos ensinos básico e secundário protestaram anteontem contra a política do Governo para o sector e exigindo a resolução de problemas crónicos das escolas.
Nesta jornada foram focados os problemas concretos de cada escola
Respondendo ao apelo da Delegação Nacional das Associações de Estudantes do Ensino Secundário e Básico, milhares de alunos dos ensinos básico e secundário participaram em manifestações, concentrações, debates e reuniões gerais de alunos (RGAs), num dia de protesto nacional descentralizado. A plataforma organizou ainda abaixo-assinados, a distribuição de panfletos e conversas informais com os estudantes.
Sara Ferreira, da Delegação Nacional, faz um balanço positivo, «especialmente nesta altura, quase no final do ano, com os exames à porta».
«Um dos nossos principais objectivos era informar os estudantes para que todos conhecessem o que se passa no ensino secundário. Hoje é o Dia da Cidadania e para formar cidadãos é preciso que os jovens estejam informados», referiu, em declarações ao Avante!.
A Delegação Nacional decidiu que nesta jornada seriam focados os problemas concretos de cada escola, como a oferta insuficiente de livros nas bibliotecas, a inexistência de aquecimentos para combater o frio no Inverno, a degradação de salas de aula e de outras instalações, a falta de funcionários ou turmas sobrelotadas.
Em Coimbra, um dos aspectos focados foi a deslocação dos estudantes de algumas escolas para fazer os exames nacionais devido à realização de jogos do Campeonato Europeu de Futebol.
«Ao informar, procurámos também ser criativos», afirma Sara Ferreira. Na sua instituição, a Escola Secundária Avelar Brotero, a Associação de Estudantes organizou o jogo «Deita Abaixo o Governo», em que os estudantes lançavam bolas contra latas pintadas com as caras de ministros. «A malta gostou muito», comenta.
Sara Ferreira lembra que as associações de estudantes têm de combater a desinformação do Ministério da Educação e de alguns professores. «Na minha escola, um professor disse aos alunos para não irem aos protestos porque não valia de muito», recorda.
A Delegação Nacional ainda não decidiu as próximas acções de protesto, mas a dirigente associativa sublinha que «a luta é contínua. Agora vamos à conversa com os alunos para ver o que podemos fazer no futuro. Os nossos objectivos só podem ser alcançados quando virmos efectivadas as nossas reivindicações. Esta luta foi mais um passo.»
As reivindicações
A Delegação Nacional contesta a revisão curricular, argumentando que esta «não foi discutida com ninguém» e que pretende «formar estudantes de primeira e segunda categoria», enviando grande parte deles «para o mercado de trabalho mais cedo».
A nota mínima de 9,5 valores nos exames nacionais para os estudantes se candidatarem ao ensino superior é outro motivo de protesto. «Não importa o trabalho de três anos, pois o exame nacional à específica vale 50 por cento da nota final, independentemente da média, seja ela 18, 19 ou 20 valores. Três anos de trabalho em apenas hora e meia!»
Os estudantes protestam igualmente contra a Lei de Bases da Educação: «Uma lei que pretende privatizar o ensino não é uma lei justa. A educação tem de ser gratuita, nenhum estudante tem que pagar para estudar. Querem que a educação dê lucro. Nós dizemos não.»
Além de exigir melhores condições materiais e humanas nas escolas, a Delegação Nacional reivindica a aplicação da Lei de Educação Sexual. «Chega de tabus, falemos de números. Portugal é o País da União Europeia com maior número de jovens com doenças sexualmente transmissíveis e de jovens prematuramente grávidas. Não será altura de aplicar a lei e informar os jovens das mediadas a tomar?», questiona.
«A nossa luta é justa, não nos calaremos enquanto não formos ouvidos. A luta é o caminho por uma escola pública, gratuita e de qualidade. O Governo não cumpriu a sua função na educação. Vamos mandálo embora», sustenta a plataforma.
Sara Ferreira, da Delegação Nacional, faz um balanço positivo, «especialmente nesta altura, quase no final do ano, com os exames à porta».
«Um dos nossos principais objectivos era informar os estudantes para que todos conhecessem o que se passa no ensino secundário. Hoje é o Dia da Cidadania e para formar cidadãos é preciso que os jovens estejam informados», referiu, em declarações ao Avante!.
A Delegação Nacional decidiu que nesta jornada seriam focados os problemas concretos de cada escola, como a oferta insuficiente de livros nas bibliotecas, a inexistência de aquecimentos para combater o frio no Inverno, a degradação de salas de aula e de outras instalações, a falta de funcionários ou turmas sobrelotadas.
Em Coimbra, um dos aspectos focados foi a deslocação dos estudantes de algumas escolas para fazer os exames nacionais devido à realização de jogos do Campeonato Europeu de Futebol.
«Ao informar, procurámos também ser criativos», afirma Sara Ferreira. Na sua instituição, a Escola Secundária Avelar Brotero, a Associação de Estudantes organizou o jogo «Deita Abaixo o Governo», em que os estudantes lançavam bolas contra latas pintadas com as caras de ministros. «A malta gostou muito», comenta.
Sara Ferreira lembra que as associações de estudantes têm de combater a desinformação do Ministério da Educação e de alguns professores. «Na minha escola, um professor disse aos alunos para não irem aos protestos porque não valia de muito», recorda.
A Delegação Nacional ainda não decidiu as próximas acções de protesto, mas a dirigente associativa sublinha que «a luta é contínua. Agora vamos à conversa com os alunos para ver o que podemos fazer no futuro. Os nossos objectivos só podem ser alcançados quando virmos efectivadas as nossas reivindicações. Esta luta foi mais um passo.»
As reivindicações
A Delegação Nacional contesta a revisão curricular, argumentando que esta «não foi discutida com ninguém» e que pretende «formar estudantes de primeira e segunda categoria», enviando grande parte deles «para o mercado de trabalho mais cedo».
A nota mínima de 9,5 valores nos exames nacionais para os estudantes se candidatarem ao ensino superior é outro motivo de protesto. «Não importa o trabalho de três anos, pois o exame nacional à específica vale 50 por cento da nota final, independentemente da média, seja ela 18, 19 ou 20 valores. Três anos de trabalho em apenas hora e meia!»
Os estudantes protestam igualmente contra a Lei de Bases da Educação: «Uma lei que pretende privatizar o ensino não é uma lei justa. A educação tem de ser gratuita, nenhum estudante tem que pagar para estudar. Querem que a educação dê lucro. Nós dizemos não.»
Além de exigir melhores condições materiais e humanas nas escolas, a Delegação Nacional reivindica a aplicação da Lei de Educação Sexual. «Chega de tabus, falemos de números. Portugal é o País da União Europeia com maior número de jovens com doenças sexualmente transmissíveis e de jovens prematuramente grávidas. Não será altura de aplicar a lei e informar os jovens das mediadas a tomar?», questiona.
«A nossa luta é justa, não nos calaremos enquanto não formos ouvidos. A luta é o caminho por uma escola pública, gratuita e de qualidade. O Governo não cumpriu a sua função na educação. Vamos mandálo embora», sustenta a plataforma.