Dois apontamentos sobre a América Latina

Pedro Campos
As indústrias dos países do primeiro mundo têm certas preocupações com os perigos da contaminação ambiental nos seus próprios territórios. Quando se trata daqueles em desenvolvimento, impõe-se, pura e nua, a lógica do lucro.
De acordo com um estudo recente, patrocinado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os habitantes da América Latina perdem até 11 anos de vida por causas relacionadas com problemas ambientais. Nos últimos 30 anos, agudizou-se o processo de degradação ambiental, nomeadamente em áreas críticas como a perda de bosques e biodiversidade, contaminação de solos e água.
Kveh Zahedi, especialista e coordenador do estudo, afirma que a realidade actual conduz a um futuro pior. Na década dos anos 90, a América Latina perdeu 4,6% dos seus bosques, o que equivale a 46,7 milhões de hectares, e nesse mesmo período a desflorestamento da região foi o dobro da média mundial. Como se isto fosse pouco, 20% da população regional está exposta a agentes contaminantes aéreos que excedem os limites recomendados, especialmente nas grandes cidades; e mais de 80 milhões de pessoas estão afectadas de maneira permanente pela contaminação atmosférica, o que provoca anualmente 2,5 milhões de casos de insuficiência respiratória em crianças e perto de 100 mil casos de bronquite crónica em adultos.
O estudo conclui que se a América Latina não escolher um caminho diferente ao da liberalização de mercado, em 2032, o «seu ambiente estará em situação alarmante».

Cuba: uma potência mundial em biotecnologia

Num artigo recente, Heinz Dieterich, catedrático alemão a viver há alguns anos no México, afirma que Cuba é verdadeiro um milagre biotecnológico… que nem sequer os Estados Unidos podem ignorar.
Em 1993, a Patent and Trademark Office (Departamento de Comércio dos EUA), aceitou três patentes importantes, as quais implicam o reconhecimento de que a ilha domina a tecnologia para a sua produção, que os produtos satisfazem todas as normas de qualidade da Food and Drug Administration (FDA) e que Cuba tem o direito exclusivo da sua produção e comercialização dos mesmos nos EUA durante um período de 17 anos.
Um desses produtos refere-se à primeira vacina antimeningocóccica BC do mundo. Outro, trata-se de um produto para bloquear o desenvolvimento do enfarte do coração. E o terceiro é uma enzima capaz de aumentar o conteúdo edulcorante do açúcar ao convertê-lo em licor de frutose. São recordes importantes mas estão longe de serem os únicos.
O sistema ultramicroanalítico do CIE, utilizado no diagnóstico pré-natal para detectar malformaçoes congénitas, é aplicado em vários países dos cinco continentes. Os kits diagnósticos para o dengue e o estreptococo grupo B permitem resultados em três horas. Cientistas cubanos criaram igualmente o PPG como meio preventivo contra o enfarte cardíaco. Na luta contra a Sida, batem-se em três frentes: desenvolvendo três sistemas(um à distância)de diagnóstico; medicamentos contra as doenças «oportunistas»; e na conquista de uma vacina capaz de vencer o mal.
Não há muito, uma reportagem da BBC admitia que científicos de Cuba estavam na vanguarda, por exemplo, na engenheira genética para aumentar o rendimento dos cultivos e o tratamento de várias doenças tropicais.
Esta afirmação foi feita no contexto da notícia do progresso de uma vacina contra o cancro, que, apesar de não evitar o seu crescimento, podia travar-lhe o desenvolvimento, e anunciava que a mesma seria experimentada nos hospitais britânicos. Especialistas ingleses classificaram como «simples e elegante» esta ideia do científico cubano Rolando Pérez, que trabalha na mesma desde 1984. A vacina já foi experimentada no Canadá com excelentes resultados e segundo a York Medical alguns ensaios em Cuba conseguiram aumentar a esperança de vida em 200 por cento.
Apesar do bloqueio imperialista, Cuba está na vanguarda da indústria biotecnológica e conta com o maior número de médicos per capita do mundo, porque supera a falta de recursos com a criatividade, afirmam especialistas europeus, que admitem que são cada vez mais as empresas internacionais interessadas nas investigações cubanas. O caso da Smith Kline Beecham é paradigmático. Pressionou durante meses as autoridades
norte-americanas para ter acesso à vacina cubana contra a meningite B, e foi-lhe finalmente permitido «furar» a lei Helms-Burton, que castiga as empresas estrangeiras que comerciam com Cuba.


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