Dois apontamentos sobre a América Latina
As indústrias dos países do primeiro mundo têm certas preocupações com os perigos da contaminação ambiental nos seus próprios territórios. Quando se trata daqueles em desenvolvimento, impõe-se, pura e nua, a lógica do lucro.
De acordo com um estudo recente, patrocinado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os habitantes da América Latina perdem até 11 anos de vida por causas relacionadas com problemas ambientais. Nos últimos 30 anos, agudizou-se o processo de degradação ambiental, nomeadamente em áreas críticas como a perda de bosques e biodiversidade, contaminação de solos e água.
Kveh Zahedi, especialista e coordenador do estudo, afirma que a realidade actual conduz a um futuro pior. Na década dos anos 90, a América Latina perdeu 4,6% dos seus bosques, o que equivale a 46,7 milhões de hectares, e nesse mesmo período a desflorestamento da região foi o dobro da média mundial. Como se isto fosse pouco, 20% da população regional está exposta a agentes contaminantes aéreos que excedem os limites recomendados, especialmente nas grandes cidades; e mais de 80 milhões de pessoas estão afectadas de maneira permanente pela contaminação atmosférica, o que provoca anualmente 2,5 milhões de casos de insuficiência respiratória em crianças e perto de 100 mil casos de bronquite crónica em adultos.
O estudo conclui que se a América Latina não escolher um caminho diferente ao da liberalização de mercado, em 2032, o «seu ambiente estará em situação alarmante».
Cuba: uma potência mundial em biotecnologia
Num artigo recente, Heinz Dieterich, catedrático alemão a viver há alguns anos no México, afirma que Cuba é verdadeiro um milagre biotecnológico… que nem sequer os Estados Unidos podem ignorar.
Em 1993, a Patent and Trademark Office (Departamento de Comércio dos EUA), aceitou três patentes importantes, as quais implicam o reconhecimento de que a ilha domina a tecnologia para a sua produção, que os produtos satisfazem todas as normas de qualidade da Food and Drug Administration (FDA) e que Cuba tem o direito exclusivo da sua produção e comercialização dos mesmos nos EUA durante um período de 17 anos.
Um desses produtos refere-se à primeira vacina antimeningocóccica BC do mundo. Outro, trata-se de um produto para bloquear o desenvolvimento do enfarte do coração. E o terceiro é uma enzima capaz de aumentar o conteúdo edulcorante do açúcar ao convertê-lo em licor de frutose. São recordes importantes mas estão longe de serem os únicos.
O sistema ultramicroanalítico do CIE, utilizado no diagnóstico pré-natal para detectar malformaçoes congénitas, é aplicado em vários países dos cinco continentes. Os kits diagnósticos para o dengue e o estreptococo grupo B permitem resultados em três horas. Cientistas cubanos criaram igualmente o PPG como meio preventivo contra o enfarte cardíaco. Na luta contra a Sida, batem-se em três frentes: desenvolvendo três sistemas(um à distância)de diagnóstico; medicamentos contra as doenças «oportunistas»; e na conquista de uma vacina capaz de vencer o mal.
Não há muito, uma reportagem da BBC admitia que científicos de Cuba estavam na vanguarda, por exemplo, na engenheira genética para aumentar o rendimento dos cultivos e o tratamento de várias doenças tropicais.
Esta afirmação foi feita no contexto da notícia do progresso de uma vacina contra o cancro, que, apesar de não evitar o seu crescimento, podia travar-lhe o desenvolvimento, e anunciava que a mesma seria experimentada nos hospitais britânicos. Especialistas ingleses classificaram como «simples e elegante» esta ideia do científico cubano Rolando Pérez, que trabalha na mesma desde 1984. A vacina já foi experimentada no Canadá com excelentes resultados e segundo a York Medical alguns ensaios em Cuba conseguiram aumentar a esperança de vida em 200 por cento.
Apesar do bloqueio imperialista, Cuba está na vanguarda da indústria biotecnológica e conta com o maior número de médicos per capita do mundo, porque supera a falta de recursos com a criatividade, afirmam especialistas europeus, que admitem que são cada vez mais as empresas internacionais interessadas nas investigações cubanas. O caso da Smith Kline Beecham é paradigmático. Pressionou durante meses as autoridades
norte-americanas para ter acesso à vacina cubana contra a meningite B, e foi-lhe finalmente permitido «furar» a lei Helms-Burton, que castiga as empresas estrangeiras que comerciam com Cuba.
De acordo com um estudo recente, patrocinado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os habitantes da América Latina perdem até 11 anos de vida por causas relacionadas com problemas ambientais. Nos últimos 30 anos, agudizou-se o processo de degradação ambiental, nomeadamente em áreas críticas como a perda de bosques e biodiversidade, contaminação de solos e água.
Kveh Zahedi, especialista e coordenador do estudo, afirma que a realidade actual conduz a um futuro pior. Na década dos anos 90, a América Latina perdeu 4,6% dos seus bosques, o que equivale a 46,7 milhões de hectares, e nesse mesmo período a desflorestamento da região foi o dobro da média mundial. Como se isto fosse pouco, 20% da população regional está exposta a agentes contaminantes aéreos que excedem os limites recomendados, especialmente nas grandes cidades; e mais de 80 milhões de pessoas estão afectadas de maneira permanente pela contaminação atmosférica, o que provoca anualmente 2,5 milhões de casos de insuficiência respiratória em crianças e perto de 100 mil casos de bronquite crónica em adultos.
O estudo conclui que se a América Latina não escolher um caminho diferente ao da liberalização de mercado, em 2032, o «seu ambiente estará em situação alarmante».
Cuba: uma potência mundial em biotecnologia
Num artigo recente, Heinz Dieterich, catedrático alemão a viver há alguns anos no México, afirma que Cuba é verdadeiro um milagre biotecnológico… que nem sequer os Estados Unidos podem ignorar.
Em 1993, a Patent and Trademark Office (Departamento de Comércio dos EUA), aceitou três patentes importantes, as quais implicam o reconhecimento de que a ilha domina a tecnologia para a sua produção, que os produtos satisfazem todas as normas de qualidade da Food and Drug Administration (FDA) e que Cuba tem o direito exclusivo da sua produção e comercialização dos mesmos nos EUA durante um período de 17 anos.
Um desses produtos refere-se à primeira vacina antimeningocóccica BC do mundo. Outro, trata-se de um produto para bloquear o desenvolvimento do enfarte do coração. E o terceiro é uma enzima capaz de aumentar o conteúdo edulcorante do açúcar ao convertê-lo em licor de frutose. São recordes importantes mas estão longe de serem os únicos.
O sistema ultramicroanalítico do CIE, utilizado no diagnóstico pré-natal para detectar malformaçoes congénitas, é aplicado em vários países dos cinco continentes. Os kits diagnósticos para o dengue e o estreptococo grupo B permitem resultados em três horas. Cientistas cubanos criaram igualmente o PPG como meio preventivo contra o enfarte cardíaco. Na luta contra a Sida, batem-se em três frentes: desenvolvendo três sistemas(um à distância)de diagnóstico; medicamentos contra as doenças «oportunistas»; e na conquista de uma vacina capaz de vencer o mal.
Não há muito, uma reportagem da BBC admitia que científicos de Cuba estavam na vanguarda, por exemplo, na engenheira genética para aumentar o rendimento dos cultivos e o tratamento de várias doenças tropicais.
Esta afirmação foi feita no contexto da notícia do progresso de uma vacina contra o cancro, que, apesar de não evitar o seu crescimento, podia travar-lhe o desenvolvimento, e anunciava que a mesma seria experimentada nos hospitais britânicos. Especialistas ingleses classificaram como «simples e elegante» esta ideia do científico cubano Rolando Pérez, que trabalha na mesma desde 1984. A vacina já foi experimentada no Canadá com excelentes resultados e segundo a York Medical alguns ensaios em Cuba conseguiram aumentar a esperança de vida em 200 por cento.
Apesar do bloqueio imperialista, Cuba está na vanguarda da indústria biotecnológica e conta com o maior número de médicos per capita do mundo, porque supera a falta de recursos com a criatividade, afirmam especialistas europeus, que admitem que são cada vez mais as empresas internacionais interessadas nas investigações cubanas. O caso da Smith Kline Beecham é paradigmático. Pressionou durante meses as autoridades
norte-americanas para ter acesso à vacina cubana contra a meningite B, e foi-lhe finalmente permitido «furar» a lei Helms-Burton, que castiga as empresas estrangeiras que comerciam com Cuba.