Médio Oriente

Diplomatas americanos criticam Bush

O plano Sharon ignora os direitos de três milhões de palestinianos, denunciam antigos diplomatas norte-americanos, criticando o apoio dos EUA a Israel.

«O Quar­teto tomou nota “po­si­tiva” da in­tenção de Sharon»

A situação no Médio Oriente está a agitar os meios diplomáticos. Seguindo o exemplo dos seus congéneres britânicos, meia centena de antigos diplomatas, entre os quais vários embaixadores em países do Médio Oriente, denunciaram a semana passada, em carta a George W. Bush, a política sectária da Casa Branca em favor de Israel e em prejuízo dos palestinianos.
«Estamos profundamente preocupados com o seu apoio ao plano Sharon», lê-se na missiva, onde se denuncia que o projecto israelita «repudia os direitos de três milhões de palestinianos, nega o direito dos refugiados a regressarem à sua pátria, e mantém cinco importantes colonatos ilegais na Cisjordânia».
Definindo o conflito entre israelitas e palestinianos como «o cerne dos problemas no Médio Oriente, em toda a região e no mundo», os diplomatas acusam Bush e Sharon de terem excluído deliberadamente os palestinianos das negociações de paz e de se proporem implementar um projecto que «desafia as resoluções do Conselho de Segurança da ONU que pedem a Israel que devolva os territórios ocupados, e desrespeita as leis internacionais que declaram ilegais os colonatos israelitas».
De acordo com os diplomatas, citados pelo jornal El Periodico, o apoio de Bush a Israel contra os direitos dos palestinianos está a levar a que os EUA percam «a sua credibilidade, o seu prestígio e os seus amigos».

Con­tra­di­ções a quatro

O plano unilateral do primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, que visa a retirada de Gaza e a anexação definitiva de boa parte da Cisjordânia, recebeu luz verde da Casa Branca em 14 de Abril, a que se seguiu de imediato o aplauso do sempre colaborante primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
Há cerca de 15 dias, 52 antigos diplomatas britânicos divulgaram uma carta muito crítica à política externa de Blair, onde tal como os seus pares norte-americanos faziam notar que, para além de tudo o mais, o plano Sharon «mina o ‘roteiro da paz’ estabelecido no âmbito do Quarteto (EUA; Rússia, União Europeia e ONU), cujas declarações se assemelham cada vez mais a incongruentes jogos de palavras.
Foi o que sucedeu a semana passada, em Nova Iorque, onde no final de um encontro os representantes dos quatro divulgaram uma nota afirmando que «qualquer pacto final em matérias como as fronteiras e os refugiados deverá ser acordado por mútuo acordo entre israelitas e palestinianos». O secretário de Estado, Colin Powell, presente na reunião, não explicou como se concilia esta declaração com o apoio de Bush ao projecto Sharon, que «resolve» ambas as questões de forma unilateral e contra os interesses dos palestinianos.
Não menos sintomático é o facto de a mesma declaração afirmar que o Quarteto tomou nota «positiva» da intenção de Sharon de proceder à retirada dos colonatos que não consegue continuar a defender, qualificando-a de uma «oportunidade excepcional» que «pode ser um passo para alcançar o objectivo de dois estados, e pode relançar o ‘roteiro da paz’».


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