Eleições ameaçadas
Um total de 54 deputados iranianos ameaça paralisar o parlamento e boicotar as eleições de 20 de Fevereiro se o processo de candidaturas não for livre.
As manifestações de protesto dos dois lados sucedem-se
«Nós, os representantes do povo, comprometemo-nos, se os direitos dos candidatos às
legislativas não forem acautelados, a não participar no plebiscito, já que o direito dos
cidadãos à livre escolha estaria posto em causa. Também não tomaremos assento no
parlamento se, em vez de votos, houver nomeações». A declaração consta de um abaixo-assinado divulgado no final da semana passada, subscrito por 54 dos 290 deputados iranianos em funções.
Os promotores da iniciativa, que continuam a recolher assinaturas, fizeram um ultimato ao Conselho dos Guardiães da Revolução, cujo prazo termina hoje, quinta-feira, para corrigir a decisão da comissão eleitoral que no passado dia 11 invalidou mais de 3600 das 8157 candidaturas às legislativas.
Entre os nomes excluídos pelas comissões de controlo do escrutínio, que estão sob a autoridade do Conselho dos Guardiães da Revolução, contam-se os de 83 deputados reformadores actualmente em funções. A rejeição de candidaturas, sob a alegação de que não se enquadram no princípio da República Islâmica, que confere à religião prioridade sobre a política, foi denunciada pelos reformadores como uma tentativa de «golpe de estado» por parte dos conservadores.
Braço de ferro
Desde as últimas eleições, os reformadores dominam a presidência, o parlamento e o governo, mas os choques com os conservadores - em maioria em instituições essenciais como o Conselho dos Guardas da Revolução, bastião do respeito pelo Islão e pela Constituição; o Conselho do Discernimento, instância suprema de arbitragem política; a Justiça e as forças de segurança - têm sido constantes.
Ao excluir as candidaturas reformadoras em benefício dos seus correligionários as comissões de controlo estão na prática a transformar o escrutínio num mero processo de «nomeação» de candidatos.
A decisão lançou o país numa crise política sem precedentes, o que forçou o próprio líder espiritual da República Islâmica e responsável pela indicação dos 12 membros do Conselho dos Guardiães da Revolução, Ali Khamenei, a aconselhar os Guardiães a serem menos rígidos na sua avaliação. Estes revogaram 300 vetos mas mantiveram os restantes.
O recuo dos Guardiães não pacificou os ânimos e as manifestações de protesto dos dois lados sucedem-se. Entretanto, uma coligação de 18 partidos reformadores divulgou uma carta aberta ao presidente da república, Muhammad Khatami, ameaçando boicotar as eleições. A coligação é liderada pelo próprio irmão do presidente, Muhammad Riza Khatami.
O prazo para o Conselho dos Guardiães informar o Ministério do Interior, encarregado de organizar as eleições, sobre a lista oficial dos candidatos, termina manhã, dia 30.
legislativas não forem acautelados, a não participar no plebiscito, já que o direito dos
cidadãos à livre escolha estaria posto em causa. Também não tomaremos assento no
parlamento se, em vez de votos, houver nomeações». A declaração consta de um abaixo-assinado divulgado no final da semana passada, subscrito por 54 dos 290 deputados iranianos em funções.
Os promotores da iniciativa, que continuam a recolher assinaturas, fizeram um ultimato ao Conselho dos Guardiães da Revolução, cujo prazo termina hoje, quinta-feira, para corrigir a decisão da comissão eleitoral que no passado dia 11 invalidou mais de 3600 das 8157 candidaturas às legislativas.
Entre os nomes excluídos pelas comissões de controlo do escrutínio, que estão sob a autoridade do Conselho dos Guardiães da Revolução, contam-se os de 83 deputados reformadores actualmente em funções. A rejeição de candidaturas, sob a alegação de que não se enquadram no princípio da República Islâmica, que confere à religião prioridade sobre a política, foi denunciada pelos reformadores como uma tentativa de «golpe de estado» por parte dos conservadores.
Braço de ferro
Desde as últimas eleições, os reformadores dominam a presidência, o parlamento e o governo, mas os choques com os conservadores - em maioria em instituições essenciais como o Conselho dos Guardas da Revolução, bastião do respeito pelo Islão e pela Constituição; o Conselho do Discernimento, instância suprema de arbitragem política; a Justiça e as forças de segurança - têm sido constantes.
Ao excluir as candidaturas reformadoras em benefício dos seus correligionários as comissões de controlo estão na prática a transformar o escrutínio num mero processo de «nomeação» de candidatos.
A decisão lançou o país numa crise política sem precedentes, o que forçou o próprio líder espiritual da República Islâmica e responsável pela indicação dos 12 membros do Conselho dos Guardiães da Revolução, Ali Khamenei, a aconselhar os Guardiães a serem menos rígidos na sua avaliação. Estes revogaram 300 vetos mas mantiveram os restantes.
O recuo dos Guardiães não pacificou os ânimos e as manifestações de protesto dos dois lados sucedem-se. Entretanto, uma coligação de 18 partidos reformadores divulgou uma carta aberta ao presidente da república, Muhammad Khatami, ameaçando boicotar as eleições. A coligação é liderada pelo próprio irmão do presidente, Muhammad Riza Khatami.
O prazo para o Conselho dos Guardiães informar o Ministério do Interior, encarregado de organizar as eleições, sobre a lista oficial dos candidatos, termina manhã, dia 30.