Lisboa

Bairros ao abandono

O abandono e a degradação, a falta de policiamento e de apoios sociais tomaram conta da vida de mais de 100 mil lisboetas. Moram nos bairros municipais, que não vêem obras há dois anos. Os equipamentos estão degradados. As casas estão a precisar de obras. Muitos espaços públicos envolventes já precisam uma intervenção da Câmara de Lisboa, mas esta autarquia não está voltada para isso. Pelo contrário. Desde a tomada de posse desta Câmara, não foi ali mexida nem mais uma palha. Parece uma espécie de perversa vingança. Os dois principais programas de beneficiação dos bairros municipais foram interrompidos: o «Plano de Emergência para recuperar os Bairros municipais» e o «Plano Social para as Populações dos Bairros Sociais».

Sem perspectiva de solução

Os edifícios, por falta de conservação, encontram-se em degradação. Os mais antigos até ameaçam ruína. Os espaços de cultura, os centros de saúde, os espaços de laser e de apoio à ocupação de tempos livres das crianças e jovens não estão nas prioridades nem sequer nas preocupações desta equipa agora à frente da CML.
A uns estavam a ser feitas ou programadas obras de reabilitação há dois anos. E à espera continuam. O apoio à integração foi interrompido e nem sequer se sabe se e quando vai continuar. Mas que é indispensável, disso não resta qualquer dúvida. Tal é o balanço da vida de 100 mil lisboetas a viver em 25 mil casas da Câmara.
Durante dois meses, a direcção da Organização da Cidade de Lisboa do PCP efectuou, com os eleitos locais, e outros interessados, uma ronda por quase todos estes locais de residência. Um périplo, percorrendo com olhos de ver e ouvidos de ouvir as pessoas que ali residem.
O balanço é confrangedor. As pessoas queixam-se de todos os abandonos por parte do seu senhorio, que é a autarquia. Os programas de recuperação e de apoio social, de emergência, que estavam em curso até há dois anos, foram abruptamente interrompidos logo em Janeiro de 2002. E, até hoje.
No dia 22 de Novembro, num Encontro do PCP, na Junta de Freguesia de São João, estas realidades vão ser objecto de uma análise aprofundada para tomada de decisões de acção política e intervenção autárquica.

Perigos no Bairro da Liberdade

O Bairro da Liberdade, situado na Freguesia de Campolide, mesmo por baixo do Aqueduto das Águas Livres, corre em parte o risco de se desmoronar por incúria da Câmara de Lisboa.
Há dois anos, a anterior Câmara deixou pronto um processo de intervenção, incluindo, evidentemente, estudos de estabilidade e a necessária instalação de inclinómetros. Um protocolo com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil foi celebrado então, visando o estudo da estabilidade da encosta ali existente. O relatório sobre esta situação está pronto há meses. No entanto, o contrato de apoio técnico e investigação por parte do LNEC acabaria este ano por não ser renovado pela Câmara.
Mas as fendas no bairro não param de crescer, havendo já casas abandonadas e moradores a pressentir o perigo de uma possível catástrofe. O alarmismo não serve para resolver a questão. Mas a verdade tem de ser dita: a CML abandonou estes moradores à sua sorte desde há dois anos. É urgente solucionar o problema.
A CML é responsável por essa solução. E não pode alijar responsabilidades nem deitar este problema para trás das costas, como se estes moradores não existissem ou como se as suas vidas e tranquilidade não fossem importantes… só porque não moram em condomínios fechados.

Publicidade avassaladora

A Câmara de Lisboa coloca publicidade em todos os órgãos de comunicação social. Rádio e televisão dão brilho à (falta de) acção real. Mas a realidade é bem diferente: estudos da própria Câmara mostram que nesta altura do ano, decorridos que são dez meses, a taxa de execução do Plano é de quinze por cento (15%!). O caso dos «portadores de deficiências motoras» é especialmente gritante. O caso do Marquês usado e abusado nas mensagens fortes aos lisboetas é de bradar à História. Os erros do vernáculo pululam.

Semana em grande

O túnel do Marquês, o aborto central, vai começar (a dar muitas dores de cabeça a muitos e muitos milhares de cidadãos).
Para que se esqueçam esses incómodos, nada melhor do que um antídoto chamado «publicidade».
O mistério adensa-se: quantos milhões já lá vão em publicidade desde a tomada de posse, em Janeiro de 2002? Quantos? Quem paga? As empresas adjudicatárias de obras municipais são aliciadas/obrigadas a entrar nesta roda… Mas um dia destes veremos de certeza algumas delas a não pagarem os salários aos seus trabalhadores ou até a procederem a despedimentos colectivos…


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