Vergonha para Portugal
Cerca de 25 pais e alunos do Poceirão deslocaram-se à Assembleia da República na companhia do burro «Justino» para reivindicar a construção de uma escola 2+3 na freguesia.
Às portas da capital portuguesa está a ser cometido um crime
Com um grande bilhete de identidade preso no pescoço, uma mochila às costas e um saco com alguns cêntimos com a inscrição PIDDAC (Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central), o burro «Justino» esperou em vão cerca de noventa minutos pelo ministro da Educação.
«O burro é para mostrar aos nossos governantes que os animais são mais amigos das crianças que alguns deputados», disse, durante o protesto, António Rosa, pai de uma das 500 crianças afectadas pela situação que se vive em Poceirão, e que têm de percorrer diariamente mais de 40 quilómetros para chegar à escola, saindo de suas casas às 7 e voltando às 20 horas.
No protesto esteve também o presidente da Junta de Freguesia de Poceirão, José Silvério, que acusou este e outros governos da indiferença em relação a este problema, que se arrasta há mais de 13 anos.
O autarca comunista lamentou ainda não terem podido «oferecer» o burro ao ministro da Educação, David Justino, uma vez que a manifestação coincidiu, propositadamente, com a votação do Orçamento de Estado.
No entanto,«a delegação acabou por ser recebida por um representante do grupo parlamentar do PCP», sublinhou, acrescentando que dos outros grupos parlamentares lhes disseram: «estavam a almoçar».
À espera do PIDDAC
Durante o protesto, José Silvério informou que por ano se gastam 275 mil euros no transporte diário para a escola das 512 crianças da freguesia. «Multipliquem isso por 13 anos e já tínhamos a nossa escola», disse, informando que o estabelecimento custaria cerca de 1 milhão e 700 mil euros.
O autarca lembrou ainda que a construção da escola apenas está à espera da assinatura de um protocolo e da atribuição no PIDDAC, justificando que já têm um terreno de 20 mil metros quadrados e projecto aprovado pela Direcção Regional da Educação de Lisboa (DREL).
Além disso, têm a aprovação do Governo, da Câmara Municipal de Palmela, acrescentou. «Todos os anos a Câmara Municipal de Palmela inclui no PIDDAC esta obra como prioritária, mas estamos a falar num concelho que recebeu 25 mil euros de PIDDAC, o que representa menos de 50 cêntimos por habitante», afirmou, realçando que Palmela é o maior concelho da Área Metropolitana de Lisboa, com cerca 54 mil habitantes.
Durante o protesto, os manifestantes distribuíram panfletos com o título «Vergonha para Portugal - às portas da capital portuguesa está a ser cometido um crime».
Ilegalidades na colocação de docentes
A FENPROF exigiu, na passada semana, a intervenção do provedor de justiça para que sejam avaliadas as alegadas ilegalidades cometidas há cerca de dois meses no concurso de colocação dos docentes.
«O provedor de justiça recebeu-nos e nós entregámos um dossier completo das ilegalidades detectadas e pedimos a sua intervenção no sentido de as avaliar e evitar que se repitam», disse, em declarações à comunicação social, secretário nacional da FENPROF, Augusto Pascoal.
De acordo com a FENPROF, o ministério da Educação não fez «um único gesto para corrigir as ilegalidades e atropelos que praticou» na segunda parte do concurso de colocação de professores dos 2.º e 3.º ciclos e do ensino secundário, no qual foram detectados erros que deram origem a mais de 2500 reclamações.
«Houve centenas de candidatos menos graduados que, no concurso de colocações, passaram à frente de candidatos mais graduados. Houve também vários professores que foram colocados em escolas que não pertenciam ao quadro de zona pedagógica a que estavam afectos», explicou.
Para o dirigente sindical, o ministério não foi capaz de resolver uma situação que «perturbou fortemente a abertura do ano lectivo e que prejudicou milhares de professores», já que, segundo diz, das mais de 2500 reclamações, o ministério apenas respondeu a cerca de 250, que foram todas indeferidas.
Em comunicado, a FENPROF diz que vai continuar a exigir a «assunção de responsabilidades políticas por parte do ministério da Educação» e considera que «não é admissível que o ministério não seja capaz de perceber que foi incompetente».
A Federação Nacional dos Professores exige que seja feita, por parte da tutela, uma avaliação profunda do que correu mal na segunda parte do concurso de colocações, considerando que, caso contrário, «corre-se o risco de se cometerem os mesmo erros no futuro».
«O burro é para mostrar aos nossos governantes que os animais são mais amigos das crianças que alguns deputados», disse, durante o protesto, António Rosa, pai de uma das 500 crianças afectadas pela situação que se vive em Poceirão, e que têm de percorrer diariamente mais de 40 quilómetros para chegar à escola, saindo de suas casas às 7 e voltando às 20 horas.
No protesto esteve também o presidente da Junta de Freguesia de Poceirão, José Silvério, que acusou este e outros governos da indiferença em relação a este problema, que se arrasta há mais de 13 anos.
O autarca comunista lamentou ainda não terem podido «oferecer» o burro ao ministro da Educação, David Justino, uma vez que a manifestação coincidiu, propositadamente, com a votação do Orçamento de Estado.
No entanto,«a delegação acabou por ser recebida por um representante do grupo parlamentar do PCP», sublinhou, acrescentando que dos outros grupos parlamentares lhes disseram: «estavam a almoçar».
À espera do PIDDAC
Durante o protesto, José Silvério informou que por ano se gastam 275 mil euros no transporte diário para a escola das 512 crianças da freguesia. «Multipliquem isso por 13 anos e já tínhamos a nossa escola», disse, informando que o estabelecimento custaria cerca de 1 milhão e 700 mil euros.
O autarca lembrou ainda que a construção da escola apenas está à espera da assinatura de um protocolo e da atribuição no PIDDAC, justificando que já têm um terreno de 20 mil metros quadrados e projecto aprovado pela Direcção Regional da Educação de Lisboa (DREL).
Além disso, têm a aprovação do Governo, da Câmara Municipal de Palmela, acrescentou. «Todos os anos a Câmara Municipal de Palmela inclui no PIDDAC esta obra como prioritária, mas estamos a falar num concelho que recebeu 25 mil euros de PIDDAC, o que representa menos de 50 cêntimos por habitante», afirmou, realçando que Palmela é o maior concelho da Área Metropolitana de Lisboa, com cerca 54 mil habitantes.
Durante o protesto, os manifestantes distribuíram panfletos com o título «Vergonha para Portugal - às portas da capital portuguesa está a ser cometido um crime».
Ilegalidades na colocação de docentes
A FENPROF exigiu, na passada semana, a intervenção do provedor de justiça para que sejam avaliadas as alegadas ilegalidades cometidas há cerca de dois meses no concurso de colocação dos docentes.
«O provedor de justiça recebeu-nos e nós entregámos um dossier completo das ilegalidades detectadas e pedimos a sua intervenção no sentido de as avaliar e evitar que se repitam», disse, em declarações à comunicação social, secretário nacional da FENPROF, Augusto Pascoal.
De acordo com a FENPROF, o ministério da Educação não fez «um único gesto para corrigir as ilegalidades e atropelos que praticou» na segunda parte do concurso de colocação de professores dos 2.º e 3.º ciclos e do ensino secundário, no qual foram detectados erros que deram origem a mais de 2500 reclamações.
«Houve centenas de candidatos menos graduados que, no concurso de colocações, passaram à frente de candidatos mais graduados. Houve também vários professores que foram colocados em escolas que não pertenciam ao quadro de zona pedagógica a que estavam afectos», explicou.
Para o dirigente sindical, o ministério não foi capaz de resolver uma situação que «perturbou fortemente a abertura do ano lectivo e que prejudicou milhares de professores», já que, segundo diz, das mais de 2500 reclamações, o ministério apenas respondeu a cerca de 250, que foram todas indeferidas.
Em comunicado, a FENPROF diz que vai continuar a exigir a «assunção de responsabilidades políticas por parte do ministério da Educação» e considera que «não é admissível que o ministério não seja capaz de perceber que foi incompetente».
A Federação Nacional dos Professores exige que seja feita, por parte da tutela, uma avaliação profunda do que correu mal na segunda parte do concurso de colocações, considerando que, caso contrário, «corre-se o risco de se cometerem os mesmo erros no futuro».