Um «sim» à democracia
Aproveitando a presença em Portugal de Marianne Eriksson, eurodeputada do Partido da Esquerda da Suécia, o «Avante!» solicitou-lhe que comentasse os resultados do referendo realizado recentemente no seu país.
O «não» ao euro foi também um não à Europa?
Marianne Eriksson – Não. Foi feito um inquérito aos eleitores sobre se desejariam que o país saísse da União Europeia. Muitos foram os que responderam que «sim», mas uma larga maioria de 60 por cento disse «não», querem ficar na Europa, mas não desejam aderir à moeda única.
As razões económicas foram as que mais pesaram?
Penso que não. A questão fundamental reside no próprio sistema. Aliás, o meu partido insistiu muito neste aspecto. O sistema monetário europeu é antidemocrático, as decisões são tomadas em instâncias não controláveis pelos eleitores e a maioria das pessoas, sobretudo mulheres, jovens e trabalhadores, aperceberam-se dos riscos que correriam no futuro. No nosso país, as diferenças entre ricos e pobres têm-se agravado a um ritmo extremamente acelerado. A união económica e monetária não resolveria os actuais problemas económicos e sociais, apenas iria criar mais dificuldades.
Que influência teve o assassinato da ministra dos Negócios Estrangeiros sueca?
A população ficou muito triste com o acontecimento, mas a análise feita após o referendo mostra que as pessoas conseguiram separar as coisas. Isto prova que este referendo não foi construído na base de emoções.
Os partidos, e o próprio governo, apresentaram-se divididos sobre a questão?
Não só os partidos. Grandes grupos empresariais e instituições importantes estiveram empenhadas no «sim», mas alguns quadros, a título individual, manifestaram-se publicamente contra. Os próprios sindicatos dividiram-se. As principais direcções apoiaram o «sim», mas muitos sectores e dirigentes importantes apoiaram o «não», apesar do compromisso estabelecido entre o primeiro-ministro e as direcções sindicais de que, em caso de vitória do sim, seriam salvaguardados alguns aspectos importantes para os trabalhadores.
O partido democrata-cristão dividiu-se ao meio, o mesmo aconteceu com o partido social democrata. Estas divisões têm-se mantido desde 1994, quando se realizou o referendo sobre a adesão à União Europeia.
O «não» ao euro foi uma vitória da esquerda?
Foi uma vitória para as forças progressistas. Esta foi a terceira vez que se consolidou uma maioria estável à esquerda. No ano passado, a maioria das pessoas votou pelos partidos de esquerda (sociais-democratas e verdes), tal como já tinha acontecido quatro anos antes. É uma tendência positiva.
O «não» ao euro foi também um não à Europa?
Marianne Eriksson – Não. Foi feito um inquérito aos eleitores sobre se desejariam que o país saísse da União Europeia. Muitos foram os que responderam que «sim», mas uma larga maioria de 60 por cento disse «não», querem ficar na Europa, mas não desejam aderir à moeda única.
As razões económicas foram as que mais pesaram?
Penso que não. A questão fundamental reside no próprio sistema. Aliás, o meu partido insistiu muito neste aspecto. O sistema monetário europeu é antidemocrático, as decisões são tomadas em instâncias não controláveis pelos eleitores e a maioria das pessoas, sobretudo mulheres, jovens e trabalhadores, aperceberam-se dos riscos que correriam no futuro. No nosso país, as diferenças entre ricos e pobres têm-se agravado a um ritmo extremamente acelerado. A união económica e monetária não resolveria os actuais problemas económicos e sociais, apenas iria criar mais dificuldades.
Que influência teve o assassinato da ministra dos Negócios Estrangeiros sueca?
A população ficou muito triste com o acontecimento, mas a análise feita após o referendo mostra que as pessoas conseguiram separar as coisas. Isto prova que este referendo não foi construído na base de emoções.
Os partidos, e o próprio governo, apresentaram-se divididos sobre a questão?
Não só os partidos. Grandes grupos empresariais e instituições importantes estiveram empenhadas no «sim», mas alguns quadros, a título individual, manifestaram-se publicamente contra. Os próprios sindicatos dividiram-se. As principais direcções apoiaram o «sim», mas muitos sectores e dirigentes importantes apoiaram o «não», apesar do compromisso estabelecido entre o primeiro-ministro e as direcções sindicais de que, em caso de vitória do sim, seriam salvaguardados alguns aspectos importantes para os trabalhadores.
O partido democrata-cristão dividiu-se ao meio, o mesmo aconteceu com o partido social democrata. Estas divisões têm-se mantido desde 1994, quando se realizou o referendo sobre a adesão à União Europeia.
O «não» ao euro foi uma vitória da esquerda?
Foi uma vitória para as forças progressistas. Esta foi a terceira vez que se consolidou uma maioria estável à esquerda. No ano passado, a maioria das pessoas votou pelos partidos de esquerda (sociais-democratas e verdes), tal como já tinha acontecido quatro anos antes. É uma tendência positiva.