«Passo a passo»
Ao longo de muitos e muitos anos, com a excepção ou de descuidos ocasionais ou das afirmações francamente assumidas por uma corrente política, a regra nas instâncias, forças e interesses que comandam o essencial do processo de integração europeia tem sido sempre a de fugir como o diabo da cruz do adjectivo «federal» ou do substantivo «federalismo», debaixo da cínica teoria e prática de que bem melhor que dizê-lo é fazê-lo «passo a passo», para citar uma fórmula oficial.
Mas o que muitos porventura não terão devidamente presente é que essas instâncias, forças e interesses nunca brincaram em serviço e, ao mesmo tempo que iam dizendo que qual «Estados Unidos da Europa» qual carapuça e que não estava em causa a formação de um «governo europeu» ou a aprovação de uma «Constituição europeia», lá iam trabalhando esforçada e cientificamente para que tais ideias ou projectos fossem fazendo o seu caminho nas opiniões e consciências.
E tanto assim foi e é que, na falta momentânea de exemplos ainda mais remotos, talvez valha a pena lembrar que, em simultâneo com firmes negações públicas de tais intuitos, há 19 anos, ou seja em Dezembro de 1984, já o «Eurobarómetro » nº 22 (sondagem bianual encomendada pela Comissão Europeia) inquiria a opinião pública dos então 10 países membros sobre a ideia de formar os «Estados Unidos da Europa».
E o «Eurobarómetro» nº 30 de Dezembro de 1988, ou seja há 15 anos, também sondava, então em 12 países membros, as opiniões sobre a formação de um «governo europeu» responsável perante o Parlamento Europeu e pela elaboração de uma «Constituição europeia».
E, munida das respostas que, sem informação e sem debate alargado, facilmente angariava, logo a Direcção-Geral da Comissão Europeia responsável pelo «Eurobarómetro» concluía, a rebentar de felicidade, que «a opinião pública encoraja o Parlamento Europeu (...) a assumir o risco de iniciativas que vão ainda mais longe do que os objectivos já aceites pelos restantes protagonistas do sistema comunitário».
Mas, pelos vistos, não há lembranças destas que desanimem os que, subitamente esquecidos de tudo o que justamente disseram durante anos e designadamente na discussão sobre Maastricht, agora até já conseguem separar os «avanços institucionais» propostos para a União Europeia da natureza das políticas económicas e sociais (enfeudadas ao neo-liberalismo) que dominam a «construção europeia» e já indiciam uma mal disfarçada rendição à estratégia federalista do «passo a passo» e à insuperável técnica dos «factos consumados» que sempre pedem mais futuros «factos consumados».
Mas o que muitos porventura não terão devidamente presente é que essas instâncias, forças e interesses nunca brincaram em serviço e, ao mesmo tempo que iam dizendo que qual «Estados Unidos da Europa» qual carapuça e que não estava em causa a formação de um «governo europeu» ou a aprovação de uma «Constituição europeia», lá iam trabalhando esforçada e cientificamente para que tais ideias ou projectos fossem fazendo o seu caminho nas opiniões e consciências.
E tanto assim foi e é que, na falta momentânea de exemplos ainda mais remotos, talvez valha a pena lembrar que, em simultâneo com firmes negações públicas de tais intuitos, há 19 anos, ou seja em Dezembro de 1984, já o «Eurobarómetro » nº 22 (sondagem bianual encomendada pela Comissão Europeia) inquiria a opinião pública dos então 10 países membros sobre a ideia de formar os «Estados Unidos da Europa».
E o «Eurobarómetro» nº 30 de Dezembro de 1988, ou seja há 15 anos, também sondava, então em 12 países membros, as opiniões sobre a formação de um «governo europeu» responsável perante o Parlamento Europeu e pela elaboração de uma «Constituição europeia».
E, munida das respostas que, sem informação e sem debate alargado, facilmente angariava, logo a Direcção-Geral da Comissão Europeia responsável pelo «Eurobarómetro» concluía, a rebentar de felicidade, que «a opinião pública encoraja o Parlamento Europeu (...) a assumir o risco de iniciativas que vão ainda mais longe do que os objectivos já aceites pelos restantes protagonistas do sistema comunitário».
Mas, pelos vistos, não há lembranças destas que desanimem os que, subitamente esquecidos de tudo o que justamente disseram durante anos e designadamente na discussão sobre Maastricht, agora até já conseguem separar os «avanços institucionais» propostos para a União Europeia da natureza das políticas económicas e sociais (enfeudadas ao neo-liberalismo) que dominam a «construção europeia» e já indiciam uma mal disfarçada rendição à estratégia federalista do «passo a passo» e à insuperável técnica dos «factos consumados» que sempre pedem mais futuros «factos consumados».