Iraque a «ferro e fogo»

A ocupação do Iraque por parte das tropas norte-americanas e britânicas está a revelar-se um «osso duro de roer», como demonstram os recorrentes confrontos entre os militares e a população iraquiana, cujo resultado se conta em dezenas de mortos.
Depois dos recentes atentados a oleodutos e outras estruturas do vasto complexo petrolífero iraquiano sob controlo dos EUA, os exércitos americano e britânico enfrentam a resistência de grupos armados que atacam colunas e bases militares da coligação.
Na semana passada registraram-se confrontos em diversas cidades na região em torno da capital e no interior de Bagdad, tendo provocado a morte a cerca de uma quinzena de militares; não há informações fidedignas sobre o número de civis iraquianos vitimados ou feridos.
Um dos mais graves incidentes ocorreu segunda-feira em Fallujah, a oeste de Bagdad, onde pelo menos oito pessoas morreram e outras quinze ficaram feridas, na sequência de três explosões numa das mesquita. Segundo relatos das testemunhas tratou-se de um ataque de retaliação das tropas americanas no seguimento da resistência que ali têm encontrado, a par do que tem ocorrido noutras localidades.
Como resposta, na madrugada de terça-feira, a base norte-americana foi atacada com um foguete anti-tanque, não havendo registo do número de baixas.
Desde que George W. Bush declarou, a 1 de Maio, o fim da campanha militar regular no Iraque, os confrontos com populares e milicianos já provocaram a morte a mais de seis dezenas de soldados da coligação, isto é, um terço do total desde o início da ofensiva, segundo dados oficiais divulgados pela Lusa.

Contestação aumenta

A crescente contestação à ocupação do Iraque é outro dos entraves que Blair e Bush enfrentam nos respectivos países.
Nem os apelos à «paciência» proferidos por Powell, nem a estafada tese dos acidentes parecem convencer a opinião pública no país do tio sam, onde o número de pessoas que consideram «aceitáveis» as baixas registadas no Iraque desceu nas últimas semanas de dois terços para metade da população, segundo uma sondagem da responsabilidade do Washington Post e da cadeia de televisão ABC.
Igual quebra sofreram os índices que se reportam há existência ou não de armas de destruição maciça, e à crença de que esta foi a verdadeira razão da invasão militar.
Concorrente para o aumento das dúvidas entre os americanos são, para além do número crescente de soldados mortos, as cada vez mais frequentes reportagens e trabalhos jornalísticos com as famílias das vítimas, muito menos dispostas a tolerarem a chegada de «corpos a conta gotas».
Também em Inglaterra, Tony Blair continua a defrontar-se com a resistência às razões oficiais. De acordo com um estudo do Instituto Político publicado, terça-feira, pelo Financial Times, dois terços dos britânicos não confiam no primeiro-ministro, e 31% entendem que Blair está a perder o controlo da situação.
Não é alheio a estes factos o ultimato lançado pelo governo à BBC para que apresente um pedido de desculpas formal a Blair. Na base deste diferendo está um trabalho jornalístico que desmontou as “provas” apresentadas à Câmara dos Comuns, de armas de destruição maciça iraquianas, as quais, segundo a cadeia de comunicação social, não passaram de um mero plágio de uma tese universitária com cerca de doze anos.


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