Alemanha de leste

Greve sufocada

O sindicato alemão dos metalúrgicos (IG Metall) interrompeu, no sábado, 28, a greve no leste do país sem conseguir o seu objectivo de reduzir a semana de trabalho de 38 para 35 horas.
A greve, iniciada em 2 de Junho, obrigou grandes fabricantes do ramo automóvel, como a Volkswagen, a Audi e a BMW, a suspenderem a produção de alguns dos seus principais modelos. Mas, após uma maratona negocial de 16 horas com o patronato, que terminou sem resultados, o presidente da IG Metall, Klaus Zwickel, reconheceu a derrota: «A amarga verdade é esta: a greve fracassou.» Esta foi a primeira derrota ao longo dos 54 anos de existência deste poderoso sindicato.
Zwickel justificou a interrupção da greve com as dificuldades em intensificar a luta em algumas empresas, sobretudo na última semana, após um mês de paralisações, que obrigaram à suspensão da produção nas fábricas de automóveis na parte ocidental do país. Só a Volkswagen deixou de produzir cerca de 20 mil veículos.
As pressões do governo alemão, que não se cansou de acusar os grevistas de estarem a agravar a crise económica no país, bem como a chantagem do patronado, ameaçando deslocalizar as fábricas caso as 35 horas fossem aplicadas, foram importantes factores de desgaste e erosão da greve, que apenas reivindicava a equiparação do horário de trabalho.
Quase 13 anos após a reunificação da Alemanha, os metalúrgicos no leste continuam a ter salários mais baixos e a trabalhar mais três horas por semana do que os seus camaradas na parte ocidental. O desemprego continua acima dos 20 por cento, o dobro do existente no outro lado.

Porsche reduz
horário semanal

Não obstante, esta greve teve já reflexos positivos na fábrica da Porsche, em Leipzig, no leste da Alemanha, onde ainda vigoram as 40 horas semanais. No início desta semana, o construtor de automóveis alemão anunciou que pretende reduzir a semana laboral para as 38 horas, a partir do novo ano fiscal que começa no próximo dia 1 de Agosto.
A redução abrange os 300 trabalhadores daquela fábrica, onde é produzido o modelo Cayenne, e implicará a criação de 70 novos postos de trabalho no segundo semestre deste ano. Neste período, a empresa tenciona ainda começar a produzir ali o novo modelo Carrera GT.


Mais artigos de: Europa

Um dever dos estados

Num momento em que a União Europeia se prepara legislar em matéria de serviços públicos com o claro objectivo de abrir este sector à concorrência, decorreu no Parlamento Europeu uma audição de organizações e movimentos sociais de vários países europeus.

Escândalo na via férrea

Pela primeira vez, a entidade reguladora dos caminhos-de-ferro britânicos retirou a licença de exploração a um operador privado, acusado de ter desviado fundos públicos para fora da empresa.Desde 1996, quando foram privatizados os transportes ferroviários, a Connex passou a controlar uma das mais movimentadas redes que...

Fiat elimina 12.300 empregos

O grupo italiano Fiat anunciou, na semana passada, um plano de reestruturação que visa a concentração da sua actividade na construção de automóveis e de motores e o abandono da diversificação na área de serviços. Depois de ter alienado participações num conjunto de empresas, designadamente na Ferrari e na Italenergia,...

Berlusconi na presidência da UE

O primeiro ministro italiano, Sílvio Berlusconi, assumiu, na terça feira, 1, a presidência rotativa semestral da União Europeia. O homem mais rico d e Itália é conhecido pelas suas posições políticas populistas e por utilizar o seu grupo de comunicação social e os órgãos públicos para promover a sua imagem.Implicado em...

Papa exige menção ao cristianismo

João Paulo II exige que «figure uma referência ao património religioso, particularmente cristão» na futura Constituição europeia. A afirmação consta da «Exortação Apostólica», divulgada no sábado, 28, no Vaticano.«No pleno respeito da laicidade das instituições», o Papa exige aos responsáveis da União Europeia (UE) que...

A terra a quem a trabalha!

Desde sempre o papel das mulheres na sociedade foi tido como inferior ou, para ser menos parcial, visto como de menor participação. As grandes excepções ocorreram em tempos de guerra quando os homens saíam para combater e cabia às mulheres o papel de liderança em (quase) todos os domínios, desde lidar com as questões da...