Escândalo na via férrea
Pela primeira vez, a entidade reguladora dos caminhos-de-ferro britânicos retirou a licença de exploração a um operador privado, acusado de ter desviado fundos públicos para fora da empresa.
Desde 1996, quando foram privatizados os transportes ferroviários, a Connex passou a controlar uma das mais movimentadas redes que serve mais de meio milhão de passageiros por dia em 1800 comboios, no grande subúrbio de South Eastern, no sul de Londres
O contrato de concessão com a empresa francesa Connex, uma filial da Veolia Environement (ex-Vivendi Environement), só deveria expirar em 2006, contudo, depois da verificação de várias irregularidades, o regulador britânico perdeu «a confiança na sua competência de gestão».
Em Dezembro de 2002, o estado concedeu à empresa uma subvenção suplementar de cerca de 90 milhões de euros para compensar a subida de custos. Como contrapartida, o operador comprometeu-se a investir 15,5 milhões de euros de fundos próprios para melhorar a gestão. Recentemente, porém, a Connex voltou a exigir uma nova verba, desta vez de 300 milhões de euros. O regulador achou demasiado, tanto mais que já tinha pedido uma rigorosa auditoria às contas da concessionária que indicava utilização indevida das verbas concedidas.
Face à suspeita de que «os fundos públicos tenham sido desviados para o exterior da companhia», as autoridades viram-se obrigadas a tomar medidas «para proteger os interesses dos contribuintes».
A empresa nega as acusações afirmando que nunca transferiu verbas para outra filial fora da Inglaterra. No entanto, os antecedentes não são abonatórios para a sua gestão.
Serviço «horrível»
Inicialmente a concessão foi atribuída por 15 anos, devendo durar até 2011. Todavia, à semelhança do que se passou com muitos outros operadores ferroviários privados, o serviço degradou-se rapidamente: avarias sistemáticas, atrasos, sobrelotação das composições motivaram legítimos protestos dos utentes. Um comboio em cada cinco regista atrasos, durante muito tempo as carruagens foram consideradas como as mais sujas de toda a Inglaterra e alguns acidentes registados afectaram irremediavelmente a imagem da empresa. Um comboio Eurostar, vindo de Bruxelas, terá mesmo recebido uma ordem para diminuir a sua velocidade e tentar localizar vagões perdidos por uma composição da Connex.
Por isso, em 2000, foi-lhe recusada a renovação de uma licença de exploração de uma linha (a South Central). No ano passado, a entidade regulador classificou de «horrível» o serviço prestado pelo operador e decidiu distribuir aos utentes cupões no valor de 15 libras para os compensar. O prazo de concessão foi então reduzido em cinco anos.
Ao contrário do que se possa pensar, a filial da Veola Environement é uma empresa com larga experiência no sector. Presente em 22 países é hoje o maior operador ferroviário privado da Europa. Ainda há poucos meses ganhou o maior concurso de concessão ferroviária de sempre na Alemanha e iniciou, na terça-feira, 1 de Julho, a exploração da rede suburbana de Boston, nos Estados Unidos, que lhe proporcionará uma facturação de mil milhões de euros em cinco anos.
A linha de South Eastern, no sul de Londres, passará para a responsabilidade do regulador público devendo de seguida ser confiada a uma nova companhia privada.
Desde 1996, quando foram privatizados os transportes ferroviários, a Connex passou a controlar uma das mais movimentadas redes que serve mais de meio milhão de passageiros por dia em 1800 comboios, no grande subúrbio de South Eastern, no sul de Londres
O contrato de concessão com a empresa francesa Connex, uma filial da Veolia Environement (ex-Vivendi Environement), só deveria expirar em 2006, contudo, depois da verificação de várias irregularidades, o regulador britânico perdeu «a confiança na sua competência de gestão».
Em Dezembro de 2002, o estado concedeu à empresa uma subvenção suplementar de cerca de 90 milhões de euros para compensar a subida de custos. Como contrapartida, o operador comprometeu-se a investir 15,5 milhões de euros de fundos próprios para melhorar a gestão. Recentemente, porém, a Connex voltou a exigir uma nova verba, desta vez de 300 milhões de euros. O regulador achou demasiado, tanto mais que já tinha pedido uma rigorosa auditoria às contas da concessionária que indicava utilização indevida das verbas concedidas.
Face à suspeita de que «os fundos públicos tenham sido desviados para o exterior da companhia», as autoridades viram-se obrigadas a tomar medidas «para proteger os interesses dos contribuintes».
A empresa nega as acusações afirmando que nunca transferiu verbas para outra filial fora da Inglaterra. No entanto, os antecedentes não são abonatórios para a sua gestão.
Serviço «horrível»
Inicialmente a concessão foi atribuída por 15 anos, devendo durar até 2011. Todavia, à semelhança do que se passou com muitos outros operadores ferroviários privados, o serviço degradou-se rapidamente: avarias sistemáticas, atrasos, sobrelotação das composições motivaram legítimos protestos dos utentes. Um comboio em cada cinco regista atrasos, durante muito tempo as carruagens foram consideradas como as mais sujas de toda a Inglaterra e alguns acidentes registados afectaram irremediavelmente a imagem da empresa. Um comboio Eurostar, vindo de Bruxelas, terá mesmo recebido uma ordem para diminuir a sua velocidade e tentar localizar vagões perdidos por uma composição da Connex.
Por isso, em 2000, foi-lhe recusada a renovação de uma licença de exploração de uma linha (a South Central). No ano passado, a entidade regulador classificou de «horrível» o serviço prestado pelo operador e decidiu distribuir aos utentes cupões no valor de 15 libras para os compensar. O prazo de concessão foi então reduzido em cinco anos.
Ao contrário do que se possa pensar, a filial da Veola Environement é uma empresa com larga experiência no sector. Presente em 22 países é hoje o maior operador ferroviário privado da Europa. Ainda há poucos meses ganhou o maior concurso de concessão ferroviária de sempre na Alemanha e iniciou, na terça-feira, 1 de Julho, a exploração da rede suburbana de Boston, nos Estados Unidos, que lhe proporcionará uma facturação de mil milhões de euros em cinco anos.
A linha de South Eastern, no sul de Londres, passará para a responsabilidade do regulador público devendo de seguida ser confiada a uma nova companhia privada.