Utentes do IC-19

Fartos de promessas

A Comissão de Utentes do IC-19 exige do Governo o alargamento daquela via e critica a falta de prazos concretos para a construção da estrada IC-16 e das circulares Nascente e Poente ao Cacém.

«Perdemos diariamente três horas em filas intermináveis de trânsito»

As críticas foram apontadas pela comissão de utentes em caderno reivindicativo entregue, na passada semana, no Ministério das Obras Públicas. «Soubemos que o primeiro troço do alargamento do IC-19, entre o Nó de Queluz e o Nó do Cacém, já não vai ficar concluído este ano. Pelo contrário, o lançamento desta empreitada é que arranca até ao final do ano», lamentou, em declarações à comunicação social, Adelina Machado, representante dos utentes.
«No que diz respeito ao IC-16 (via alternativa ao IC-19, entre Sintra e Lisboa), ficamos apenas a saber que o concurso será lançado brevemente, mas não exactamente quando, e lamentamos que a intenção do Governo seja introduzir portagens», disse Adelina Machado.
No caderno reivindicativo, a Comissão de Utentes alude às muitas promessas que ficaram por cumprir neste ano e meio de mandato do Executivo governamental, que acusa de nada ter feito para a resolução do problema das acessibilidades, com «graves consequências» para a população que «a cada dia que passa continua a ser penalizada com a perda diária de três horas em filas de trânsito».
De acordo com Adelina Machado, a reintrodução das portagens na Circular Regional Externa de Lisboa (CREL) veio ainda agravar mais a situação de ruptura em que se encontram as acessibilidades e «dificultar a vida de quem vive e/ou trabalha no concelho de Sintra, do ponto de vista social, por representar mais um imposto, e da mobilidade, uma vez que esta circular representava uma escapatória ao já tão saturado IC-19».
«Demoramos em média, por dia, uma hora e 30 minutos na deslocação casa/trabalho, sendo que para chegar ao IC-19 se demora cerca de 40 minutos. Isto significa que perdemos diariamente três horas em filas intermináveis de trânsito», critica ainda.
Uma situação, que segundo a Comissão de Utentes, se agrava de ano para ano devido ao aumento da construção e à ausência de investimento da administração central em acessibilidades e transportes.
«Se recuarmos 20 anos, constatamos que as principais vias rodoviárias existentes nessa altura eram basicamente as mesmas de hoje, tendo sido objecto, e só em alguns casos, de pequenas correcções de traçado e perfil transversal. Mas em contrapartida a população quase quadruplicou», sublinhou a responsável.
Motivos que levam a comissão a exigir a revogação da decisão de reintroduzir as portagens na CREL, o alargamento do IC-19 em toda a extensão (entre Queluz e Ranholas), o início imediato da construção do IC-16, sem portagens, «dada a sua definição urbana e o estudo de impacto ambiental que preconiza ser de 80 quilómetros/hora a velocidade máxima de serviço».

Medidas urgentes

«No que diz respeito ao IC-16, tem que ser construído por troços de modo a ir garantindo o serviço às populações mais próximas da CREL. De reter que o prazo estabelecido pelo anterior Governo para a conclusão de toda a obra - em 2004 - já não se irá cumprir», lamentou.
A construção das vias circulares Nascente e Poente ao Cacém, e do IC-30 (Abrunheira/Linhó), também sem portagens, a remodelação dos nós de Massamá e do Cacém, e a conclusão da Circular Regional Interna de Lisboa (CRIL) e do Eixo Norte/Sul (em Lisboa) são também outras exigências.
«É ainda urgente redefinir a política urbanística do concelho, criar a Autoridade Metropolitana de Transportes, concluir as obras de quadruplicação da via férrea e remodelar os interfaces, garantindo o acesso gratuito aos parques de estacionamento dos utentes com título de transporte válido», frisa a comissão.
A estrutura representativa de utentes do IC-19 diz estar «farta»de promessas que não passam disso mesmo, sendo este já o quarto caderno reivindicativo entregue no Ministério das Obras Públicas. «As promessas já não nos interessam, queremos é ver as obras concluídas», concluiu Adelina Machado.


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