Incorrigíveis
Alguns comentários e apreciações lançados sobre o PCP nos últimos dias a propósito do Fórum Social Europeu só vêm provar os efeitos desastrosos daquelas situações mentais em que a ignorância se casou com a má-fé, a incultura política desposou o preconceito e a falta de memória se deitou com a superficialidade.
Só isso é que, por exemplo, pode explicar que alguns se tenham convenientemente esquecido que, pelo menos há 29 anos, o PCP é – errónea e injustamente – acusado de ter um considerável desprezo pelo Parlamento e pela acção nas instituições, de apostar quase exclusivamente na «agitação social» e na luta de massas e de, por essa via, procurar dominantemente influenciar as políticas e o curso da vida política pela intervenção directa dos cidadãos e fora dos mecanismos de representação eleitoral.
E que, esquecidos disto, alguns patetas ou cegos por um mal disfarçado rancor venham agora acusar o PCP precisamente do contrário, ou seja, de acantonar a política apenas na vida das instituições, de recusar a justa incidência política das lutas e movimentações sociais e de pretender reservar para os partidos o monopólio da política.
Assim, e por exemplo, é um reles truque de pura rasura da história, uma grotesca falsificação do pensamento alheio e um caso do pior dogmatismo que pode haver – ou seja, aquele que torce a realidade até se encaixar, nem que seja à marretada, nos esquemas mentais pré-adoptados, que Daniel Oliveira, dirigente do Bloco de Esquerda, tenha vindo afirmar – de forma porventura vistosa mas supinamente mentirosa - que o PCP «continua a ver os movimentos sociais como comissões especializadas e guetizadas nos seus pequenos mundos» e em que «o papel dos movimentos sociais é tratar do seu cantinho: os ambientalistas ambientam, os sindicalistas sindicatam , as feministas femininam, os pacifistas pacificam» («A Capital» de 13/6).
De igual modo, também pertence ao mesmo grau zero da decência política e da honestidade intelectual que o irreformável e incorrígível Miguel Portas tenha escrito «DN» de 12/6 que a principal razão porque, segundo ele, o PCP sempre terá visto com «reserva mental» o FSP é porque esta iniciativa, em grande e estrondosa novidade segundo este dirigente do BE, «politiza o social e ressocializa o político».
Pois, já que não o aprendeu quando por cá andou, aprenda agora Miguel Portas que, aqui no PCP, entre altos e baixos, acertos e desacertos, ranger de dentes e inesquecíveis alegrias, há 82 anos que não tratamos de outra coisa.
Só isso é que, por exemplo, pode explicar que alguns se tenham convenientemente esquecido que, pelo menos há 29 anos, o PCP é – errónea e injustamente – acusado de ter um considerável desprezo pelo Parlamento e pela acção nas instituições, de apostar quase exclusivamente na «agitação social» e na luta de massas e de, por essa via, procurar dominantemente influenciar as políticas e o curso da vida política pela intervenção directa dos cidadãos e fora dos mecanismos de representação eleitoral.
E que, esquecidos disto, alguns patetas ou cegos por um mal disfarçado rancor venham agora acusar o PCP precisamente do contrário, ou seja, de acantonar a política apenas na vida das instituições, de recusar a justa incidência política das lutas e movimentações sociais e de pretender reservar para os partidos o monopólio da política.
Assim, e por exemplo, é um reles truque de pura rasura da história, uma grotesca falsificação do pensamento alheio e um caso do pior dogmatismo que pode haver – ou seja, aquele que torce a realidade até se encaixar, nem que seja à marretada, nos esquemas mentais pré-adoptados, que Daniel Oliveira, dirigente do Bloco de Esquerda, tenha vindo afirmar – de forma porventura vistosa mas supinamente mentirosa - que o PCP «continua a ver os movimentos sociais como comissões especializadas e guetizadas nos seus pequenos mundos» e em que «o papel dos movimentos sociais é tratar do seu cantinho: os ambientalistas ambientam, os sindicalistas sindicatam , as feministas femininam, os pacifistas pacificam» («A Capital» de 13/6).
De igual modo, também pertence ao mesmo grau zero da decência política e da honestidade intelectual que o irreformável e incorrígível Miguel Portas tenha escrito «DN» de 12/6 que a principal razão porque, segundo ele, o PCP sempre terá visto com «reserva mental» o FSP é porque esta iniciativa, em grande e estrondosa novidade segundo este dirigente do BE, «politiza o social e ressocializa o político».
Pois, já que não o aprendeu quando por cá andou, aprenda agora Miguel Portas que, aqui no PCP, entre altos e baixos, acertos e desacertos, ranger de dentes e inesquecíveis alegrias, há 82 anos que não tratamos de outra coisa.