Greves vão continuar
Após a gigantesca manifestação de domingo passado, a luta contra o projecto de reforma das pensões irá prosseguir, em França, com novas greves no sector público.
Muitas centenas de milhares de pessoas encheram amplas avenidas de Paris, no passado domingo, 25. Os sindicatos garantem que se juntaram mais de 600 mil manifestantes, dos quais 100 mil vieram de várias regiões francesas. Cálculos da polícia reduzem estes números para metade. Relatos na imprensa referem que três horas depois de o desfile ter partido da Praça da Nação, seguindo três percursos diferentes com extensões de quatro a seis quilómetros, cerca de 40 mil pessoas ainda não tinham conseguido sair do local da concentração.
Noutras cidades de França, realizaram-se também importantes desfiles, com dezenas de milhares de manifestantes, destacando-se Marselha, onde saíram à rua em defesa das pensões mais de 40 mil pessoas.
Depois das acções de 13 de Maio, em que participaram um milhão de trabalhadores em toda a França, ou das greves de dia 19, a jornada de domingo passado foi mais uma etapa na luta contra as alterações no regime de pensões pretendidas pelo governo de direita, que são contestadas, segundo as sondagens, por 65 por cento da opinião pública do país.
O projecto governamental prevê igualizar a duração das carreiras contributivas do sector público com o sector privado, o que implica um aumento imediato para as primeiras de 37,5 para 40 anos, determinado ainda que, até 2020, ambas atinjam um mínimo de 42 anos. Ao mesmo tempo, denunciam os sindicatos, é objectivo desta reforma enfraquecer o actual sistema de repartição a favor de fundos de pensões privados, assentes em esquemas de poupança-reforma, cujos resultados passam a depender dos mercados de capitais.
Uma só luta
Se bem que, à primeira vista, a reforma do Governo de Jean-Pierre Raffarin pareça afectar sobretudo os trabalhadores do sector público, sem dúvida um dos mais vastos e importantes de toda a Europa, os assalariados das empresas privadas têm estado desde o início na primeira linha dos protestos. E não se trata apenas de solidariedade entre sectores. A médio e longo prazo, todos verão reduzidos os direitos de aposentação. Por isso, no domingo, em Paris, ao lado de uma mole de funcionários públicos, manifestaram-se operários de grandes empresas, como a Toyota, Alstom ou Citroën, gritando palavras de ordem contra o «projecto Fillon», apelido do ministro dos Assuntos Sociais, e contra os despedimentos que, tal como em toda a Europa, aumentam de forma preocupante em França.
Apesar das manifestações e greves consecutivas, o primeiro-ministro, Jean-Pierre Raffarin, não deu ainda sinais de cedência, enquanto o responsável directo pela reforma, François Fillon, garante que «vamos até ao fim».
Porém, também os trabalhadores parecem determinados a obrigar o governo a ceder, tal como já aconteceu em 1995, quando semelhante projecto foi derrotado pelos protestos e greves que se realizaram durante cerca de um mês.
Com esse intuito, cinco sindicatos convocaram para terça-feira passada, 27, uma jornada de luta nos Correios, France Telecom, escolas, hospitais e controladores aéreos a que se seguirá uma outra, em 3 de Junho. Decisivas neste braço-de-ferro poderão revelar-se as greves nos caminhos-de-ferro, estando já marcada uma primeira para 2 de Junho, a partir das 20 horas. Também os transportes rodoviários ameaçam parar em 3 de Junho. Em ambos os casos, as greves poderão repetir-se caso o governo não ceda.
Noutras cidades de França, realizaram-se também importantes desfiles, com dezenas de milhares de manifestantes, destacando-se Marselha, onde saíram à rua em defesa das pensões mais de 40 mil pessoas.
Depois das acções de 13 de Maio, em que participaram um milhão de trabalhadores em toda a França, ou das greves de dia 19, a jornada de domingo passado foi mais uma etapa na luta contra as alterações no regime de pensões pretendidas pelo governo de direita, que são contestadas, segundo as sondagens, por 65 por cento da opinião pública do país.
O projecto governamental prevê igualizar a duração das carreiras contributivas do sector público com o sector privado, o que implica um aumento imediato para as primeiras de 37,5 para 40 anos, determinado ainda que, até 2020, ambas atinjam um mínimo de 42 anos. Ao mesmo tempo, denunciam os sindicatos, é objectivo desta reforma enfraquecer o actual sistema de repartição a favor de fundos de pensões privados, assentes em esquemas de poupança-reforma, cujos resultados passam a depender dos mercados de capitais.
Uma só luta
Se bem que, à primeira vista, a reforma do Governo de Jean-Pierre Raffarin pareça afectar sobretudo os trabalhadores do sector público, sem dúvida um dos mais vastos e importantes de toda a Europa, os assalariados das empresas privadas têm estado desde o início na primeira linha dos protestos. E não se trata apenas de solidariedade entre sectores. A médio e longo prazo, todos verão reduzidos os direitos de aposentação. Por isso, no domingo, em Paris, ao lado de uma mole de funcionários públicos, manifestaram-se operários de grandes empresas, como a Toyota, Alstom ou Citroën, gritando palavras de ordem contra o «projecto Fillon», apelido do ministro dos Assuntos Sociais, e contra os despedimentos que, tal como em toda a Europa, aumentam de forma preocupante em França.
Apesar das manifestações e greves consecutivas, o primeiro-ministro, Jean-Pierre Raffarin, não deu ainda sinais de cedência, enquanto o responsável directo pela reforma, François Fillon, garante que «vamos até ao fim».
Porém, também os trabalhadores parecem determinados a obrigar o governo a ceder, tal como já aconteceu em 1995, quando semelhante projecto foi derrotado pelos protestos e greves que se realizaram durante cerca de um mês.
Com esse intuito, cinco sindicatos convocaram para terça-feira passada, 27, uma jornada de luta nos Correios, France Telecom, escolas, hospitais e controladores aéreos a que se seguirá uma outra, em 3 de Junho. Decisivas neste braço-de-ferro poderão revelar-se as greves nos caminhos-de-ferro, estando já marcada uma primeira para 2 de Junho, a partir das 20 horas. Também os transportes rodoviários ameaçam parar em 3 de Junho. Em ambos os casos, as greves poderão repetir-se caso o governo não ceda.