«No pasarán!»
Em 44 anos de Revolução não houve em Havana um Primeiro de Maio como este.
O povo cubano está consciente da extrema gravidade das ameaças que enfrenta. Nunca, desde os dias de Girón, a Ilha bloqueada sentiu como nestas semanas que o agressivo sistema de poder neonazi instalado em Washington está empenhado a recorrer à violência para atingir o objectivo que persegue: destruir a obra revolucionária construída por sucessivas gerações.
Intensa emoção marcou naturalmente a jornada que mobilizou milhões de trabalhadores em todo o país. Somente em Havana a concentração na Praça da Revolução foi avaliada num milhão de pessoas. A presença internacionalista impressionou. Delegações vindas de 47 países expressaram na capital o sentir de centenas de milhões de trabalhadores que pelo mundo afora fazem sua a defesa de Cuba contra uma potência imperial cujos porta vozes já a ameaçam com a sorte do Iraque.
Mas só aqueles que não conhecem o povo da Ilha podiam imaginar uma atmosfera pesada, de temor. O cubano, por temperamento, não perde a alegria nem nos momentos em que os desafios da história o confrontam com situações de beira de abismo, como a actual.
O Primeiro de Maio, foi, portanto, uma festa belíssima em toda a Ilha. Em Havana, no cenário da Praça da Revolução, a dança, o canto, a leitura de poemas foram o complemento natural do discurso de resposta às ameaças do imperialismo. Não havia medo naquela multidão. As pombas que voavam sobre o busto de Marti, em mármore branco, carregavam nas asas o desejo de paz de um povo permanentemente disposto a oferecer a vida, se necessário, em defesa do seu direito de construir o futuro sem vassalagens.
Um acto de solidariedade
Após a saudação inicial de Pedro Ross, secretário-geral da CTT, as primeiras vozes que se ouviram foram as dos representantes dos trabalhadores de três países - o Uruguai, o Peru e a Costa Rica - cujos governos subscreveram a resolução anti-cubana de Genebra, encomendada por Washington, mas repudiada pelos respectivos povos.
Falaram depois intelectuais, três estrangeiros e um cubano, que, repudiando as calúnias contra Cuba, fizeram da sua denúncia um acto de solidariedade. O norte-americano Lucius Walker, o líder dos Pastores para Paz, comoveu a multidão com um discurso humanista. O mexicano Pablo Gonzalez Casanova, ex-reitor da Universidade do México e sociólogo de prestígio mundial, lembrou que «muitas declarações sobre a Revolução Cubana, mesmo de boa fé, podem estar trazendo e mesmo ampliando dados que os EUA necessitam para justificar uma invasão de Cuba». Definindo a ofensiva anti-cubana como «ofensiva contra a humanidade», Casanova leu entre aclamações, o Apelo à Consciência do Mundo assinado por 97 intelectuais, artistas e académicos, a maioria de prestígio mundial. Estava naquele mesmo dia a ser lançado no México. No documento condena-se com veemência a agressão ao Iraque e a ameaça de invasão que paira sobre Cuba.
O discurso de Fidel, escutado com emoção por cubanos e estrangeiros - estavam presentes 129 portugueses vindos numa excursão organizada pela DORL do PCP - foi lido em menos de uma hora.
A primeira parte foi sobretudo um breve inventário do esforço colectivo do povo ao longo de 44 anos para transformar Cuba numa sociedade diferente de todas as demais do Continente em consequência da sua ruptura com o capitalismo. O preço dessa opção é conhecido: o mais longo e cruel bloqueio da história da humanidade e uma infindável cadeia de agressões de todo o tipo.
O dirigente do Estado e do Partido explicou depois os julgamentos de mercenários e justificou os fuzilamentos dos sequestradores da lancha Baraguá num momento em que os EUA estimulam e promovem essas acções criminosas e simultaneamente ameaçam Cuba (de invasão, embora não usem a palavra) se as não impedir...
Interrompido com brados de «No pasarán!», Fidel foi quase patético ao advertir o Governo Bush de que um ataque a Cuba teria um preço tão alto em vidas que o povo norte-americano pode não estar disposto a pagar aventura tão criminosa.
«Não desejamos - afirmou a terminar - que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas se perca num conflito assim. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, de tal modo que prefere desaparecer da face da terra a renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas dos seus melhores filhos».
M.U.R.
O povo cubano está consciente da extrema gravidade das ameaças que enfrenta. Nunca, desde os dias de Girón, a Ilha bloqueada sentiu como nestas semanas que o agressivo sistema de poder neonazi instalado em Washington está empenhado a recorrer à violência para atingir o objectivo que persegue: destruir a obra revolucionária construída por sucessivas gerações.
Intensa emoção marcou naturalmente a jornada que mobilizou milhões de trabalhadores em todo o país. Somente em Havana a concentração na Praça da Revolução foi avaliada num milhão de pessoas. A presença internacionalista impressionou. Delegações vindas de 47 países expressaram na capital o sentir de centenas de milhões de trabalhadores que pelo mundo afora fazem sua a defesa de Cuba contra uma potência imperial cujos porta vozes já a ameaçam com a sorte do Iraque.
Mas só aqueles que não conhecem o povo da Ilha podiam imaginar uma atmosfera pesada, de temor. O cubano, por temperamento, não perde a alegria nem nos momentos em que os desafios da história o confrontam com situações de beira de abismo, como a actual.
O Primeiro de Maio, foi, portanto, uma festa belíssima em toda a Ilha. Em Havana, no cenário da Praça da Revolução, a dança, o canto, a leitura de poemas foram o complemento natural do discurso de resposta às ameaças do imperialismo. Não havia medo naquela multidão. As pombas que voavam sobre o busto de Marti, em mármore branco, carregavam nas asas o desejo de paz de um povo permanentemente disposto a oferecer a vida, se necessário, em defesa do seu direito de construir o futuro sem vassalagens.
Um acto de solidariedade
Após a saudação inicial de Pedro Ross, secretário-geral da CTT, as primeiras vozes que se ouviram foram as dos representantes dos trabalhadores de três países - o Uruguai, o Peru e a Costa Rica - cujos governos subscreveram a resolução anti-cubana de Genebra, encomendada por Washington, mas repudiada pelos respectivos povos.
Falaram depois intelectuais, três estrangeiros e um cubano, que, repudiando as calúnias contra Cuba, fizeram da sua denúncia um acto de solidariedade. O norte-americano Lucius Walker, o líder dos Pastores para Paz, comoveu a multidão com um discurso humanista. O mexicano Pablo Gonzalez Casanova, ex-reitor da Universidade do México e sociólogo de prestígio mundial, lembrou que «muitas declarações sobre a Revolução Cubana, mesmo de boa fé, podem estar trazendo e mesmo ampliando dados que os EUA necessitam para justificar uma invasão de Cuba». Definindo a ofensiva anti-cubana como «ofensiva contra a humanidade», Casanova leu entre aclamações, o Apelo à Consciência do Mundo assinado por 97 intelectuais, artistas e académicos, a maioria de prestígio mundial. Estava naquele mesmo dia a ser lançado no México. No documento condena-se com veemência a agressão ao Iraque e a ameaça de invasão que paira sobre Cuba.
O discurso de Fidel, escutado com emoção por cubanos e estrangeiros - estavam presentes 129 portugueses vindos numa excursão organizada pela DORL do PCP - foi lido em menos de uma hora.
A primeira parte foi sobretudo um breve inventário do esforço colectivo do povo ao longo de 44 anos para transformar Cuba numa sociedade diferente de todas as demais do Continente em consequência da sua ruptura com o capitalismo. O preço dessa opção é conhecido: o mais longo e cruel bloqueio da história da humanidade e uma infindável cadeia de agressões de todo o tipo.
O dirigente do Estado e do Partido explicou depois os julgamentos de mercenários e justificou os fuzilamentos dos sequestradores da lancha Baraguá num momento em que os EUA estimulam e promovem essas acções criminosas e simultaneamente ameaçam Cuba (de invasão, embora não usem a palavra) se as não impedir...
Interrompido com brados de «No pasarán!», Fidel foi quase patético ao advertir o Governo Bush de que um ataque a Cuba teria um preço tão alto em vidas que o povo norte-americano pode não estar disposto a pagar aventura tão criminosa.
«Não desejamos - afirmou a terminar - que o sangue de cubanos e norte-americanos seja derramado numa guerra; não desejamos que um incalculável número de vidas de pessoas se perca num conflito assim. Mas nunca um povo teve coisas tão sagradas a defender, nem convicções tão profundas pelas quais lutar, de tal modo que prefere desaparecer da face da terra a renunciar à obra nobre e generosa pela qual muitas gerações de cubanos pagaram o elevado custo de muitas vidas dos seus melhores filhos».
M.U.R.