«Mensagem de Havana»
Destacados intelectuais de Cuba assinalaram, no passado dia 19 de Abril, o 42.º aniversário da derrota da «invasão mercenária na Praia Girón» divulgando uma carta onde apelam à solidariedade da comunidade internacional e alertam para o facto de o seu país estar «mais ameaçado do que nunca pela superpotência que pretende impor uma ditadura fascista à escala planetária».
Segundo os subscritores do documento, entre os quais se contam a bailarina Alicia Alonso e o cantor Silvio Rodríguez, a campanha em curso visa isolar a ilha e «preparar o terreno para uma agressão militar dos Estados Unidos contra Cuba».
Manifestando a sua «surpresa e dor» por ver o nome de alguns «amigos queridos» a engrossarem «declarações caluniosas contra Cuba», os autores da carta, intitulada «Mensagem de Havana para amigos que estão longe», exprimem a sua convicção de que tal só pode ser fruto «da distância, da desinformação e dos traumas de experiências socialistas falhadas».
Para os intelectuais cubanos, «Cuba viu-se obrigada - para se defender - a adoptar medidas enérgicas que naturalmente não desejava», e «não deve ser julgada por essas medidas retirando-as de seu contexto».
Os signatários consideram «eloquente» que «a única manifestação no mundo» de apoio ao genocídio do povo iraquiano se tenha realizado «em Miami, sob o lema “Iraque agora, Cuba depois”», o que somado às «ameaças explícitas de membros da cúpula fascista governante nos Estados Unidos» se traduz, na sua opinião, em «novas provações para a Revolução Cubana e para a humanidade no seu conjunto».
O documento, que sublinha não se dirigir aos «que têm feito do tema de Cuba um negócio ou uma obsessão, mas aos amigos que de boa fé possam estar confusos e que tantas vezes nos têm oferecido sua solidariedade», é assinado por Alicia Alonso, Miguel Barnet, Leo Brouwer, Octavio Cortázar, Abelardo Estorino, Roberto Fabelo, Pablo Armando Fernández, Roberto Fernández Retamar, Julio García Espinosa, Fina García Marruz, Harold Gramatges, Alfredo Guevara, Eusebio Leal, José Loyola, Carlos Martí, Nancy Morejón, Senel Paz, Amaury Pérez, Graziella Pogolotti, César Portillo de la Luz, Omara Portuondo, Raquel Revuelta, Silvio Rodríguez, Humberto Solás, Marta Valdés, Chucho Valdés, Cintio Vitier.
Equívocos
«Não há “direitos humanos” universalmente válidos que se sobreponham à vida no quadro da autodeterminação e da independência nacional. Aliás, isto é reconhecido pelas Nações Unidas, através da sua Carta, convenções e Resoluções fundamentais. Não há por que um revolucionário se acovardar diante dessa evidência e escapar à questão de fundo: tem o povo cubano ou não o direito inalienável de, no quadro da sua independência, soberania e autodeterminação, escolher o regime político e económico, a organização social que lhe convenha e nesse marco cultivar seus valores democráticos e fruir os humanos direitos? É indubitável que sim e é isto o que está em jogo.»
As palavras são do jornalista José Reinaldo Carvalho, vice-presidente nacional do PCdoB, num artigo publicado no passado dia 17 no jornal Vermelho, sob o título «Por Cuba, pela humanidade».
Analisando a campanha contra Cuba desencadeada a pretexto da «punição com duras penas de prisão de conspiradores manipulados pelo Escritório de Interesses dos EUA em Havana» e a condenação à morte e execução de «três terroristas sequestradores como medida de autodefesa do Estado cubano e da vida dos seus cidadãos», o jornalista recorda que as sentenças não foram proferidas «ao arrepio da lei» e que «Cuba não é o único país do mundo em que vigora a pena de morte».
Reafirmando o «desejo de todos os que lutamos para superar revolucionariamente as iniquidades sociais do regime das classes dominantes» em conseguir «uma ordem jurídica e política a mais próxima possível dos nossos ideais socialistas, pacifistas e humanistas», o jornalista brasileiro sublinha a necessidade de não permitir «equívocos quanto ao lado em que nos posicionamos na luta de classes», e de não nos deixarmos enganar «quando a tradução dessa luta for a defesa de princípios revolucionários, da ética comunista, da perspectiva histórica».
Segundo os subscritores do documento, entre os quais se contam a bailarina Alicia Alonso e o cantor Silvio Rodríguez, a campanha em curso visa isolar a ilha e «preparar o terreno para uma agressão militar dos Estados Unidos contra Cuba».
Manifestando a sua «surpresa e dor» por ver o nome de alguns «amigos queridos» a engrossarem «declarações caluniosas contra Cuba», os autores da carta, intitulada «Mensagem de Havana para amigos que estão longe», exprimem a sua convicção de que tal só pode ser fruto «da distância, da desinformação e dos traumas de experiências socialistas falhadas».
Para os intelectuais cubanos, «Cuba viu-se obrigada - para se defender - a adoptar medidas enérgicas que naturalmente não desejava», e «não deve ser julgada por essas medidas retirando-as de seu contexto».
Os signatários consideram «eloquente» que «a única manifestação no mundo» de apoio ao genocídio do povo iraquiano se tenha realizado «em Miami, sob o lema “Iraque agora, Cuba depois”», o que somado às «ameaças explícitas de membros da cúpula fascista governante nos Estados Unidos» se traduz, na sua opinião, em «novas provações para a Revolução Cubana e para a humanidade no seu conjunto».
O documento, que sublinha não se dirigir aos «que têm feito do tema de Cuba um negócio ou uma obsessão, mas aos amigos que de boa fé possam estar confusos e que tantas vezes nos têm oferecido sua solidariedade», é assinado por Alicia Alonso, Miguel Barnet, Leo Brouwer, Octavio Cortázar, Abelardo Estorino, Roberto Fabelo, Pablo Armando Fernández, Roberto Fernández Retamar, Julio García Espinosa, Fina García Marruz, Harold Gramatges, Alfredo Guevara, Eusebio Leal, José Loyola, Carlos Martí, Nancy Morejón, Senel Paz, Amaury Pérez, Graziella Pogolotti, César Portillo de la Luz, Omara Portuondo, Raquel Revuelta, Silvio Rodríguez, Humberto Solás, Marta Valdés, Chucho Valdés, Cintio Vitier.
Equívocos
«Não há “direitos humanos” universalmente válidos que se sobreponham à vida no quadro da autodeterminação e da independência nacional. Aliás, isto é reconhecido pelas Nações Unidas, através da sua Carta, convenções e Resoluções fundamentais. Não há por que um revolucionário se acovardar diante dessa evidência e escapar à questão de fundo: tem o povo cubano ou não o direito inalienável de, no quadro da sua independência, soberania e autodeterminação, escolher o regime político e económico, a organização social que lhe convenha e nesse marco cultivar seus valores democráticos e fruir os humanos direitos? É indubitável que sim e é isto o que está em jogo.»
As palavras são do jornalista José Reinaldo Carvalho, vice-presidente nacional do PCdoB, num artigo publicado no passado dia 17 no jornal Vermelho, sob o título «Por Cuba, pela humanidade».
Analisando a campanha contra Cuba desencadeada a pretexto da «punição com duras penas de prisão de conspiradores manipulados pelo Escritório de Interesses dos EUA em Havana» e a condenação à morte e execução de «três terroristas sequestradores como medida de autodefesa do Estado cubano e da vida dos seus cidadãos», o jornalista recorda que as sentenças não foram proferidas «ao arrepio da lei» e que «Cuba não é o único país do mundo em que vigora a pena de morte».
Reafirmando o «desejo de todos os que lutamos para superar revolucionariamente as iniquidades sociais do regime das classes dominantes» em conseguir «uma ordem jurídica e política a mais próxima possível dos nossos ideais socialistas, pacifistas e humanistas», o jornalista brasileiro sublinha a necessidade de não permitir «equívocos quanto ao lado em que nos posicionamos na luta de classes», e de não nos deixarmos enganar «quando a tradução dessa luta for a defesa de princípios revolucionários, da ética comunista, da perspectiva histórica».