Cordão humano

De mãos dadas, parar a guerra

Um cordão humano, com milhares de pessoas, ligou simbolicamente a delegação das Nações Unidas à embaixada dos EUA. Os manifestantes exigiram o fim da ocupação anglo-americano no Iraque.

«Não faz sen­tido en­viar tropas a pensar no pe­tróleo»

O protesto convocado pela «Plataforma da Paz» - que reúne partidos de esquerda, nomeadamente o PCP, e várias organizações não governamentais -, juntou, sábado, em Lisboa, dirigentes políticos e sindicais aos muitos milhares de cidadãos anónimos, de todas as idades, que gritaram palavras de ordem contra a agressão anglo-americana no Iraque.
Carlos Carvalhas, que participou no cordão humano juntamente com uma delegação do PCP, pronunciou-se, em declarações à comunicação social, sobre a ilegalidade desta guerra. «O primeiro-ministro pode ter pressa de prestar vassalagem ao império, mas tem de se lembrar que há uma Constituição Portuguesa», referiu, a propósito do apoio do Governo português à «coligação» liderada pelos Estados Unidos. Carlos Carvalhas repudiou ainda a expressão «reconstrução no Iraque» que definiu como «cínica», já que «não faz sentido enviar tropas a pensar no petróleo».
Sobre as manifestações que se realizaram em todo o mundo, o secretário-geral do PCP lembrou que é muito importante que a voz da paz que se manifesta aqui e em muitas outras cidades continue a ouvir-se».
Durante a concentração, as organizações que convocaram o protesto reclamaram o regresso urgente da questão iraquiana à ONU, porque «os EUA se preparam para instalar um protectorado ao arrepio do direito internacional», disseram. «O direito internacional foi espezinhado ao abrir um precedente gravíssimo na questão dos conflitos mundiais e regionais», salientava o documento lido aos manifestantes.

O mas­sacre de ino­centes

No Porto, centenas de pessoas concentraram-se na Praça da Batalha, pela «Paz» e «Contra o massacre de milhares de inocentes em curso» e o alegado governo de transição sob a égide dos EUA.
Durante a tarde, os manifestantes rodearam a estátua de D. Pedro V com centenas de bandeiras brancas com um ponto de interrogação a vermelho, recitaram poemas alusivos à paz e leram manifestos contra a guerra. Apesar do mau tempo que se fez sentir na cidade, os manifestantes permaneceram até ao fim nesta concentração promovida pelo «Movimento pela Paz», empunhando cartazes onde se podia ler «Todos contra a guerra».
Durante a iniciativa foi também divulgada uma declaração, assinada por escritores, artistas e outros intelectuais portugueses, nomeadamente Albano Martins, Alice Vieira, António Arnoult, António Osório, António Ramos Rosa, Francisco Duarte Mangas, Isabel Ramalhete, José António Gomes, José Luís Borges Coelho, José Manuel Mendes, José Manuel Vasconcelos, José Viale Moutinho, Liberto Cruz, Luís Machado, Luís Mendonça, Manuela Cruzeiro, Maria Elisa Sousa, Mário Cláudio, Maria Teresa Horta, Matilde Rosa Araújo, Miguel Barbosa, Nuno Rebocho, Orlando da Costa, Papiniano Carlos, Teresa Rita Lopes e Vergílio Alberto Vieira.
«Apesar da chuva, do vento e do frio e do alegado fim da guerra, esta concentração é uma resposta cabal da cidade do Porto, no sentido de impedir que o massacre continue», afirmou Jaime Toga, responsável pela organização deste protesto.
No protesto participaram ainda o vereador da CDU na Câmara Municipal do Porto, Rui Sá, e a euro-deputada do PCP, Ilda Figueiredo, que afirmou: «Mais que um dever cívico, esta manifestação representa a manutenção da luta contra a ocupação ilegal do Iraque pelos EUA e da Grã-Bretanha».
No domingo, o «Movimento pela Paz na Amadora» realizou, no anfiteatro Zeca Afonso, uma jornada de luta contra a guerra e pela paz. Esta iniciativa contou com a participação do Rancho Folclórico da Associação de Moradores do Alto do Moinho, do Grupo Coral da Damaia «Os Alentejanos», o Grupo de Batuques do Sporting Clube da Reboleira, o Grupo de Capoeira Copázio, animação de rua e músicos da região.

Pela In­de­pen­dência dos povos

Porque a paz se cimenta no respeito pelos valores humanos, pela soberania e independência dos povos, pela cooperação e solidariedade, um conjunto de organizações, representando diferentes sectores da comunidade setubalense, irá promover no dia 23 de Abril, uma acção pública denominada «Setúbal Pela Paz», junto ao Largo da Misericórdia.
Entretanto, as estruturas promotoras da iniciativa, realizaram, na passada semana, uma conferência de imprensa para denunciar a brutal agressão dos EUA contra o povo iraquiano. «Esta invasão ilegal, à margem do Conselho de Segurança da ONU e do Direito Internacional, e totalmente injustificada, causa diariamente sofrimento e perdas de vidas humanas, assim como a destruição de um país e dos seus recursos», denunciaram as organizações.
«Esta agressão militar, longe de ser caminho para o alcançar da democracia no Iraque, tem por objectivo a conquista de uma privilegiada posição geoestratégica que permitirá o controle dos EUA sobre o Médio Oriente e a Ásia, e a ocupação militar e administrativa do país, visando controlar e gerir os seus recursos», denunciaram.
Hoje, na Marinha Grande, a comissão dinamizadora «Unidos pela Paz» vai organizar, pelas 21.30 horas, no Sport Operário Marinhense, a iniciativa «Testemunhos de Paz Contra a Guerra», onde serão declamados vários poemas. Durante a noite haverá um momento cultural com José Pires e Deolinda Bernardo.


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