Cumplicidade dos EUA com pirataria aérea
Cuba voltou a ser cenário de actos de pirataria aérea e naval.
Dois aviões de passageiros e uma lancha costeira foram sequestrados por elementos marginais no breve espaço de uma quinzena.
Ambos os aviões - um Dc3 e um Antonov 24 - seguiam de Nova Gerona, na Ilha da Juventude, para Havana quando se produziram as acções de pirataria. O primeiro transportava 36 passageiros; no segundo viajavam 47.
O DC3 foi tomado por seis indivíduos que empunhavam navalhas. Exigiram que o piloto os conduzisse aos EUA. O aparelho, quase sem combustível, desceu em Key West no Sul da Florida. Os piratas foram detidos, mas um juiz local arbitrou-lhe uma fiança de 100 000 dólares, mais tarde reduzida a uma quantia insignificante. A audiência foi adiada para Setembro. Posteriormente, um magistrado da corte de Atlanta revogou a sentença, negando aos meliantes o direito a fiança.
Os passageiros foram submetidos a grandes pressões para que pedissem asilo nos EUA ao abrigo da chamada «lei do ajuste cubano», mas regressaram a Cuba, excepto alguns cúmplices que não haviam participado na acção de violência.
O segundo sequestro foi executado por um único indivíduo, Adelmis Wilson Gonzalez. Viajavam com ele um filho e a companheira, sua cúmplice. O homem, exibindo duas granadas, ameaçou fazer explodir o aparelho se este não fosse conduzido a um aeroporto dos EUA. Como não havia combustível, o comandante, após consulta, aterrou no aeroporto de Havana, para evitar uma catástrofe.
Enquanto o avião permaneceu na pista, o sequestrador ameaçava a cada momento destruí-lo com todos os passageiros.
As negociações prolongaram-se por 14 horas.
Por iniciativa do governo cubano, o chefe do Escritório de Interesses dos EUA em Cuba, James Cason, compareceu no aeroporto após consulta ao Departamento de Estado. Da torre de comando informou o pirata do ar de que, pela natureza do acto cometido, não lhe seria concedido asilo nos EUA, mas Adelmis não se mostrou impressionado pelos seus argumentos. Preocupado com a segurança dos passageiros, o governo cubano permitiu o abastecimento do aparelho depois de o sequestrador ter concordado em libertar imediatamente 22 dos reféns.
No dia 3 de Abril, os meios de comunicação social cubanos divulgaram, a pedido de James Cason, uma declaração desse funcionário do Departamento de Estado na qual condenava os sequestros como «violações extremamente sérias das leis internacionais e norte americanas» e informava que qualquer futuro sequestrador seria ali «processado com toda a força do sistema legal norte-americano».
Atitude inqualificável dos EUA
Adelmis foi efectivamente detido e encarcerado quando o avião chegou a Key West.
Mas a partir daí a atitude das autoridades norte-americanas foi inqualificável. Os passageiros foram forçados a deitar-se no chão e depois algemados, incluindo as crianças. Posteriormente, seguiram-se interrogatórios humilhantes e pressões para que permanecessem nos EUA ao abrigo da «lei de ajuste cubano». Somente depois foi dada autorização para que regressassem a Havana. Cúmplices de Adelmis, que seguiam
entre os passageiros, esses encontram-se em liberdade. A sua companheira também e já se passeia pelas ruas de Miami, festejada pela mafia local como heroína.
Quanto aos aviões, a justiça da Florida decidiu apreendê-los e leiloá-los a pedido de uma exilada cubana que alega ter sofrido prejuízos «morais e materiais» pelo facto de o ex-marido ter sido durante anos, sem seu conhecimento, agente em Miami da Segurança Cubana.
O sequestro da lancha, uma embarcação que liga diariamente Havana à pequena cidade de Casablanca, foi também acompanhado com emoção pelo povo cubano. Um grupo de marginais armados com pistolas e navalhas ameaçou degolar os passageiros, cerca de meia centena, se o piloto não conduzisse o barco a um porto dos EUA. A lancha, quando acabou o combustível, ficou à deriva a 30 milhas da costa.
Perante o risco iminente de naufrágio, porque o mar no Canal da Florida se tornara tempestuoso, os bandidos aceitaram que a lancha fosse rebocada para o porto de Mariel, onde continuaram a exigir combustível, ameaçando com um banho de sangue.
O sequestro teve um bom desfecho. Quando uma passageira, turista francesa, se atirou à agua, estabeleceu-se confusão, o chefe dos bandoleiros saiu também pela borda e as forças da Brigada Especial da Polícia entraram no barco e dominaram a quadrilha. Não houve feridos.
Fidel compareceu na noite do dia 4 a um programa de televisão, que durou horas. Foram ouvidos depoimentos de muitos dos sequestrados e o dirigente cubano apresentou uma cronologia minuciosa dos acontecimentos. Formulou pesadas acusações contra os EUA, lembrando que «a lei do ajuste cubano» constitui um estímulo a actos de pirataria aérea e naval.
Dois aviões de passageiros e uma lancha costeira foram sequestrados por elementos marginais no breve espaço de uma quinzena.
Ambos os aviões - um Dc3 e um Antonov 24 - seguiam de Nova Gerona, na Ilha da Juventude, para Havana quando se produziram as acções de pirataria. O primeiro transportava 36 passageiros; no segundo viajavam 47.
O DC3 foi tomado por seis indivíduos que empunhavam navalhas. Exigiram que o piloto os conduzisse aos EUA. O aparelho, quase sem combustível, desceu em Key West no Sul da Florida. Os piratas foram detidos, mas um juiz local arbitrou-lhe uma fiança de 100 000 dólares, mais tarde reduzida a uma quantia insignificante. A audiência foi adiada para Setembro. Posteriormente, um magistrado da corte de Atlanta revogou a sentença, negando aos meliantes o direito a fiança.
Os passageiros foram submetidos a grandes pressões para que pedissem asilo nos EUA ao abrigo da chamada «lei do ajuste cubano», mas regressaram a Cuba, excepto alguns cúmplices que não haviam participado na acção de violência.
O segundo sequestro foi executado por um único indivíduo, Adelmis Wilson Gonzalez. Viajavam com ele um filho e a companheira, sua cúmplice. O homem, exibindo duas granadas, ameaçou fazer explodir o aparelho se este não fosse conduzido a um aeroporto dos EUA. Como não havia combustível, o comandante, após consulta, aterrou no aeroporto de Havana, para evitar uma catástrofe.
Enquanto o avião permaneceu na pista, o sequestrador ameaçava a cada momento destruí-lo com todos os passageiros.
As negociações prolongaram-se por 14 horas.
Por iniciativa do governo cubano, o chefe do Escritório de Interesses dos EUA em Cuba, James Cason, compareceu no aeroporto após consulta ao Departamento de Estado. Da torre de comando informou o pirata do ar de que, pela natureza do acto cometido, não lhe seria concedido asilo nos EUA, mas Adelmis não se mostrou impressionado pelos seus argumentos. Preocupado com a segurança dos passageiros, o governo cubano permitiu o abastecimento do aparelho depois de o sequestrador ter concordado em libertar imediatamente 22 dos reféns.
No dia 3 de Abril, os meios de comunicação social cubanos divulgaram, a pedido de James Cason, uma declaração desse funcionário do Departamento de Estado na qual condenava os sequestros como «violações extremamente sérias das leis internacionais e norte americanas» e informava que qualquer futuro sequestrador seria ali «processado com toda a força do sistema legal norte-americano».
Atitude inqualificável dos EUA
Adelmis foi efectivamente detido e encarcerado quando o avião chegou a Key West.
Mas a partir daí a atitude das autoridades norte-americanas foi inqualificável. Os passageiros foram forçados a deitar-se no chão e depois algemados, incluindo as crianças. Posteriormente, seguiram-se interrogatórios humilhantes e pressões para que permanecessem nos EUA ao abrigo da «lei de ajuste cubano». Somente depois foi dada autorização para que regressassem a Havana. Cúmplices de Adelmis, que seguiam
entre os passageiros, esses encontram-se em liberdade. A sua companheira também e já se passeia pelas ruas de Miami, festejada pela mafia local como heroína.
Quanto aos aviões, a justiça da Florida decidiu apreendê-los e leiloá-los a pedido de uma exilada cubana que alega ter sofrido prejuízos «morais e materiais» pelo facto de o ex-marido ter sido durante anos, sem seu conhecimento, agente em Miami da Segurança Cubana.
O sequestro da lancha, uma embarcação que liga diariamente Havana à pequena cidade de Casablanca, foi também acompanhado com emoção pelo povo cubano. Um grupo de marginais armados com pistolas e navalhas ameaçou degolar os passageiros, cerca de meia centena, se o piloto não conduzisse o barco a um porto dos EUA. A lancha, quando acabou o combustível, ficou à deriva a 30 milhas da costa.
Perante o risco iminente de naufrágio, porque o mar no Canal da Florida se tornara tempestuoso, os bandidos aceitaram que a lancha fosse rebocada para o porto de Mariel, onde continuaram a exigir combustível, ameaçando com um banho de sangue.
O sequestro teve um bom desfecho. Quando uma passageira, turista francesa, se atirou à agua, estabeleceu-se confusão, o chefe dos bandoleiros saiu também pela borda e as forças da Brigada Especial da Polícia entraram no barco e dominaram a quadrilha. Não houve feridos.
Fidel compareceu na noite do dia 4 a um programa de televisão, que durou horas. Foram ouvidos depoimentos de muitos dos sequestrados e o dirigente cubano apresentou uma cronologia minuciosa dos acontecimentos. Formulou pesadas acusações contra os EUA, lembrando que «a lei do ajuste cubano» constitui um estímulo a actos de pirataria aérea e naval.