Combater o desemprego
Com a presença do secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, que encerrou os trabalhos, a organização do PCP em Aveiro realizou, no sábado passado, a sua 5ª Assembleia de Organização.
A Assembleia, que decorreu no Auditório do Instituto Português de Administração de Marketing, em Aveiro, teve início com a intervenção de João Frazão, membro do Comité Central e responsável pela Direcção Regional, que depois de referir os objectivos da Assembleia - analisar a si a situação social e política e contribuir para a definição das linhas centrais de um novo modelo de desenvolvimento - debruçou-se sobre o enorme desemprego que grassa na região, considerando que o distrito de Aveiro surge hoje como «símbolo da falência» do modelo escolhido pelos governos de direita, «transformado-se num libelo acusatório da natureza exploradora e desumana do sistema capitalista».
Os 125 delegados presentes na Assembleia, iniciaram, então, o debate em torno da Resolução Política que aprecia a actividade desenvolvida e estabelece orientações e objectivos de trabalho futuro, aprovando-a por unanimidade.
A Resolução começa por fazer a caracterização do distrito, concluindo após o diagnóstico que, «apesar das nuvens negras que lhe ensombram o presente», este é pleno de potencialidades, que devem ser aproveitadas.
Exemplos dessas potencialidades são, por exemplo, a existência de uma mão de obra jovem, com um bom nível de escolarização, ou a Universidade de Aveiro que tem vindo a afirmar-se como importante estímulo ao desenvolvimento do distrito, permitindo a fixação de quadros técnicos e científicos, o desenvolvimento de unidades de investigação e a sua interacção com o sector produtivo e a dinamização de importantes iniciativas culturais.
A Assembleia avaliou a luta dos trabalhadores contra o pacote laboral, por emprego e melhores salários e em defesa das funções sociais do Estado, valorizando nela o papel do movimento sindical e particularmente dos comunistas. Considerando, pois, a necessidade de reforçar a organização e influência do Partido, vanguarda na luta dos trabalhadores, a Assembleia definiu as prioridades da sua intervenção, com destaque para a ligação aos trabalhadores e às populações e a dinamização da iniciativa própria.
Reforçar organização
A ligação à Juventude, cuja dinamização tem sido assumida, no fundamental, pela JCP, o trabalho junto das mulheres, dos reformados e de outras camadas da população foram também objectivos traçados pela Assembleia.
No caso concreto das mulheres, a Assembleia constatou que a sua situação, comparada com a de há quatro anos, quando da realização da 4.ª Assembleia de Organização, agravou-se com a recente vaga de desemprego que está a atingir o distrito. A sua discriminação é, de resto, uma realidade bem visível na região, seja através das diferenças salariais entre homens e mulheres, da precarização dos vínculos laborais, dos vários constrangimentos ao exercício dos seus direitos.
Em termos orgânicos, a Assembleia mostrou-se insatisfeita, mas sublinha alguns resultados positivos entretanto verificados, considerando-os como «sinais encorajadores».
O recrutamento de novos militantes e a maior responsabilização de quadros, a reactivação de células de empresa ou a sua criação, o reforço das organizações de base são algumas das orientações de trabalho definidas, para atingir o objectivo prioritário de reforçar a organização do Partido e aumentar a sua influência no distrito.
Em sessão reservada aos delegados, foi por fim eleita a nova Direcção Regional de Aveiro, que passa a ser constituída por 45 elementos, dos quais 14 integram-na pela primeira vez.
A face do distrito
Território multifacetado mas sem as estruturas necessárias ao seu desenvolvimento harmonioso, o distrito de Aveiro, é marcado por profundas assimetrias entre os grandes e médios centros e as aldeias e regiões, sobretudo no interior, onde cresce a desertificação. O modelo económico do distrito assenta em baixos salários e utilização da mão-de-obra intensiva, que o investimento privado quer barata e pouco reivindicativa.
Assim, a maioria dos trabalhadores do distrito não tem um trabalho em condições de segurança e dignidade, sobre eles pesando diariamente a perspectiva do desemprego, superior no distrito à média nacional por força do encerramento e deslocalização de empresas.
O sector secundário continua a dominar a economia do distrito mas tem sofrido, nos últimos tempos, alguma estagnação. Simultaneamente cresce o sector terciário e decresce e o sector primário, que hoje representa apenas 3,6% da população activa.
Também a agricultura sofreu grandes alterações, com a concentração no litoral de explorações com maior dimensão e tecnologia. Aos velhos problemas juntam-se agora outros novos resultantes das políticas nacionais e da Política Agrícola Comum e da falta de apoios e investimento. A pesca, por sua vez, sofre a crise decorrente da política de abates imposta pela União Europeia, permanecendo local e artesanal e com gravíssimos problemas.
O investimento em Investigação e Desenvolvimento, claramente insuficiente ao nível do sector produtivo, impede a reconversão tecnológica das empresas.
Ou seja, uma realidade que se traduz por uma significativa perda de rendimentos reais e redução do poder de compra da maioria da população, cujo endividamento cresce visivelmente, e que pode, em grande parte, ser assacada às 19 autarquias do distrito - da responsabilidade do PS, PSD e PP -, que se têm revelado incapazes de contribuir para o desenvolvimento sustentado da região.
Os 125 delegados presentes na Assembleia, iniciaram, então, o debate em torno da Resolução Política que aprecia a actividade desenvolvida e estabelece orientações e objectivos de trabalho futuro, aprovando-a por unanimidade.
A Resolução começa por fazer a caracterização do distrito, concluindo após o diagnóstico que, «apesar das nuvens negras que lhe ensombram o presente», este é pleno de potencialidades, que devem ser aproveitadas.
Exemplos dessas potencialidades são, por exemplo, a existência de uma mão de obra jovem, com um bom nível de escolarização, ou a Universidade de Aveiro que tem vindo a afirmar-se como importante estímulo ao desenvolvimento do distrito, permitindo a fixação de quadros técnicos e científicos, o desenvolvimento de unidades de investigação e a sua interacção com o sector produtivo e a dinamização de importantes iniciativas culturais.
A Assembleia avaliou a luta dos trabalhadores contra o pacote laboral, por emprego e melhores salários e em defesa das funções sociais do Estado, valorizando nela o papel do movimento sindical e particularmente dos comunistas. Considerando, pois, a necessidade de reforçar a organização e influência do Partido, vanguarda na luta dos trabalhadores, a Assembleia definiu as prioridades da sua intervenção, com destaque para a ligação aos trabalhadores e às populações e a dinamização da iniciativa própria.
Reforçar organização
A ligação à Juventude, cuja dinamização tem sido assumida, no fundamental, pela JCP, o trabalho junto das mulheres, dos reformados e de outras camadas da população foram também objectivos traçados pela Assembleia.
No caso concreto das mulheres, a Assembleia constatou que a sua situação, comparada com a de há quatro anos, quando da realização da 4.ª Assembleia de Organização, agravou-se com a recente vaga de desemprego que está a atingir o distrito. A sua discriminação é, de resto, uma realidade bem visível na região, seja através das diferenças salariais entre homens e mulheres, da precarização dos vínculos laborais, dos vários constrangimentos ao exercício dos seus direitos.
Em termos orgânicos, a Assembleia mostrou-se insatisfeita, mas sublinha alguns resultados positivos entretanto verificados, considerando-os como «sinais encorajadores».
O recrutamento de novos militantes e a maior responsabilização de quadros, a reactivação de células de empresa ou a sua criação, o reforço das organizações de base são algumas das orientações de trabalho definidas, para atingir o objectivo prioritário de reforçar a organização do Partido e aumentar a sua influência no distrito.
Em sessão reservada aos delegados, foi por fim eleita a nova Direcção Regional de Aveiro, que passa a ser constituída por 45 elementos, dos quais 14 integram-na pela primeira vez.
A face do distrito
Território multifacetado mas sem as estruturas necessárias ao seu desenvolvimento harmonioso, o distrito de Aveiro, é marcado por profundas assimetrias entre os grandes e médios centros e as aldeias e regiões, sobretudo no interior, onde cresce a desertificação. O modelo económico do distrito assenta em baixos salários e utilização da mão-de-obra intensiva, que o investimento privado quer barata e pouco reivindicativa.
Assim, a maioria dos trabalhadores do distrito não tem um trabalho em condições de segurança e dignidade, sobre eles pesando diariamente a perspectiva do desemprego, superior no distrito à média nacional por força do encerramento e deslocalização de empresas.
O sector secundário continua a dominar a economia do distrito mas tem sofrido, nos últimos tempos, alguma estagnação. Simultaneamente cresce o sector terciário e decresce e o sector primário, que hoje representa apenas 3,6% da população activa.
Também a agricultura sofreu grandes alterações, com a concentração no litoral de explorações com maior dimensão e tecnologia. Aos velhos problemas juntam-se agora outros novos resultantes das políticas nacionais e da Política Agrícola Comum e da falta de apoios e investimento. A pesca, por sua vez, sofre a crise decorrente da política de abates imposta pela União Europeia, permanecendo local e artesanal e com gravíssimos problemas.
O investimento em Investigação e Desenvolvimento, claramente insuficiente ao nível do sector produtivo, impede a reconversão tecnológica das empresas.
Ou seja, uma realidade que se traduz por uma significativa perda de rendimentos reais e redução do poder de compra da maioria da população, cujo endividamento cresce visivelmente, e que pode, em grande parte, ser assacada às 19 autarquias do distrito - da responsabilidade do PS, PSD e PP -, que se têm revelado incapazes de contribuir para o desenvolvimento sustentado da região.