Atrasos e hesitações em Alqueva
O secretário-geral do PCP visitou no domingo a vigésima edição da Ovibeja, a grande Feira do Alentejo inaugurada na véspera pelo Presidente da República e que decorre em Beja até ao próximo dia 30.
Carlos Carvalhas, o primeiro dirigente partidário a visitar este ano o certame, foi recebido no moderno Parque de Feiras e Exposições da cidade pelo presidente da Câmara Municipal de Beja, Carreira Marques, e pelo presidente da Associação de Criadores de Ovinos do Sul, Castro e Brito.
Acompanhado pelos responsáveis da Ovibeja 2003 e por dirigentes regionais do Partido, Carlos Carvalhas percorreu uma parte significativa dos 10 hectares da feira, tendo destacado a sua importância como factor de desenvolvimento regional e como mostra da realidade económica do Alentejo.
Acolhendo cerca de mil expositores (empresas, serviços, autarquias, associações), a Feira do Alentejo deverá ser visitada até ao final da semana por mais de 200 mil pessoas. A edição deste ano, que tem como convidada especial a região da Beira Interior, dedica especial atenção aos produtos alimentares de qualidade - produtos do montado alentejano, vinho, azeite... - e incluiu um diversificado programa de debates e colóquios, de actividades culturais, recreativas e desportivas.
No final da visita à Ovibeja, o secretário-geral do PCP, falando aos jornalistas, elogiou a feira, um testemunho do grande potencial de desenvolvimento do Alentejo, e criticou os atrasos e as hesitações que marcam, neste momento, alguns dos grandes projectos na região. O complexo industrial e portuário de Sines, o empreendimento de fins múltiplos de Alqueva, a utilização para fins civis da Base Aérea de Beja e acessibilidades rodoviárias fundamentais como o IP 8, ligando Sines, Beja e Vila Verde de Ficalho, no concelho de Serpa, são exemplos de projectos estruturantes que, exigidos há muito pelo PCP e por outras forças e prometidos por sucessivos governos, se arrastam por falta dos investimentos públicos indispensáveis.
Carlos Carvalhas referiu-se também à agressão militar dos Estados Unidos contra o povo do Iraque, uma «guerra de rapina» com o objectivo de «deitar mão aos poços de petróleo» e dominar o Médio Oriente. Em relação à moção de censura ao Governo apresentada pelo PCP na Assembleia da República, acusou o Executivo PSD/PP de não ter atendido à opinião pública, de ter «manchado» os portugueses que, na sua grande maioria, não apoiam esta guerra ilegal, e de ter «dividido o País» com a atitude subserviente face à política belicista norte-americana.