Questão iraquiana provoca demissões em Washington e Londres

A política belicista de Washington e Londres está a provocar «baixas» nas respectivas administrações.

No início da semana, o diplomata John Brown renunciou ao cargo em protesto contra a posição norte-americana em relação ao Iraque, tornando-se o segundo funcionário de carreira a deixar o cargo pela mesma razão em dois meses.

Na carta de renúncia, dirigida ao secretário de Estado Colin Powell, Brown disse concordar com John Brady Kiesling, diplomata da embaixada norte-americana em Atenas que se demitiu em Fevereiro por discordar da decisão de Bush em atacar o Iraque.

«Sigo o exemplo do meu colega (...) porque a minha consciência me impede de apoiar os planos do presidente Bush de uma guerra contra o Iraque», refere Brown, alertando que «os EUA estão a ser associados, no mundo todo, ao uso injustificado da força».

Brown serviu nas embaixadas de Londres, Praga, Kiev, Belgrado e Moscou antes de ser designado como diplomata residente na Universidade de Georgetown, em Washington.

Também no governo de Tony Blair as críticas sobem de tom. Após a renúncia simbólica do deputado trabalhista Andrew Reed às suas funções de secretário particular parlamentar no gabinete da ministra do meio ambiente, mais cinco secretários parlamentares manifestaram a intenção de renunciar aos respectivos cargos se a Grã-Bretanha entrar em guerra, revelou o Sunday Telegraph. O movimento ameaça estender-se aos ministros, como Robin Cook, encarregado das relações com o Parlamento, ou Clare Short, responsável do Desenvolvimento Internacional.

A ministra Short disse no domingo, em declarações à BBC, que se demitirá «se não houver aval da ONU para uma acção militar ou se não houver aval da ONU para reconstruir o país», pois não está disposta a dar o seu «apoio a uma violação do direito internacional».

Em Espanha ainda não se fala de demissões, mas tudo aponta para que o governo de Aznar não saia incólume do seu incondicional apoio aos EUA na questão iraquiana. Segundo uma sondagem divulgada há dias pela rádio Cadena Ser, 92 por cento dos espanhóis são contra um ataque ao Iraque, e mesmo em caso de aval da ONU só 15 por cento o aprovam.



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