8 de Março contra a guerra
No Dia Internacional da Mulher, milhões de mulheres de todo o mundo celebraram a data que lhes é consagrada, denunciando as persistentes violações dos seus direitos.
Na Europa, as celebrações do Dia Internacional da Mulher coincidiram com as manifestações pela paz na Grã-Bretanha, Espanha e Alemanha.
«As mulheres e as crianças são as principais vítimas da guerra. No Reino Unido, a oposição à guerra é claramente mais forte entre as mulheres», explicou Andrew Burgin, porta-voz da coligação britânica «Stop the War», citado pela Lusa, justificando a organização no Dia Internacional da Mulher de uma manifestação pacifista em Manchester, em que participaram mais de dez mil pessoas.
Em Roma, centenas de mulheres manifestaram-se frente ao Ministério da Defesa contra uma intervenção militar no Iraque, acenando com flores e bandeiras multicoloridas, símbolo dos pacifistas italianos. Na Toscânia, também na Itália, várias centenas de pessoas concentraram-se junto à base militar norte-americana de Camp Darby para protestar contra a guerra.
Em Espanha, nomeadamente em Madrid, e numa dezena de outras cidades, realizaram-se várias manifestações que associaram palavras de ordem pacifistas e feministas.
O Dia da Mulher em Berlim, Alemanha, também não fugiu ao tom pacifista, tendo sido disponibilizada durante dois dias uma tribuna para as sete ministras do governo alemão. Durante o protesto as governantes alertaram para as «horríveis consequências» de um conflito militar, especialmente «para as mulheres e crianças» iraquianas.
Também na Suécia, a vice-primeira-ministra, Margareta Winberg, renovou, perante dezenas de representantes de organizações de mulheres, as criticas do seu governo à doutrina militar norte-americana contra o Iraque.
Junto ao Mar Negro, na Bulgária, 150 mulheres juntaram-se para dizer «Não» à presença militar norte-americana na base militar de Burgas. «Sarafovo é um local turístico e não uma arena de guerra», lia-se nos cartazes empunhados pelas manifestantes.
Na Turquia, na cidade de Siirt, próximo da fronteira com o Iraque, mais de mil mulheres juntaram-se frente à sede provincial de um partido pró-curdo, exigindo mais direitos para as mulheres e criticando os planos de guerra contra o Iraque, com o argumento de que «a guerra é contra a natureza da mulher».
Violência doméstica
Os apelos à paz chegaram também do Médio Oriente, com a Rainha da Jordânia e a mulher do presidente do Líbano, Emile Lahoud, a alertarem publicamente para os riscos e consequências de um conflito no Iraque e para o sofrimento das mulheres palestinianas.
Em Teerão, pela primeira vez desde a Revolução Islâmica de 1979, cerca de 300 mulheres manifestaram-se pelos seus direitos e contra a guerra no Iraque.
Em Bagdá, a União das Mulheres do Iraque organizou uma manifestação frente à sede das Nações Unidas para protestar contra a guerra a pedir o levantamento do embargo no país.
No Egipto, onde as manifestações estão proibidas devido à vigência do estado de emergência, cerca de 50 mulheres protestaram em frente à sede da Liga Árabe, no Cairo, contra a guerra.
Também nos EUA se realizaram várias manifestações de mulheres contra a guerra no Iraque, com destaque para uma marcha em Washington que passou frente à Casa Branca.
Da Ásia à América Latina, muitas foram os países em que as manifestações do Dia Internacional da Mulher incluíram palavras de ordem contra a guerra no Iraque: Manila, Taiwan, Santiago do Chile e Rio de Janeiro são alguns, dos muitos, exemplos de cidades onde milhares de mulheres defenderam a paz, ao lado dos seus direitos.
Este dia foi também aproveitado para lembrar realidades como a violência doméstica, as discriminações no mundo do trabalho e na vida pública que continuam a existir em várias partes do mundo. Na Rússia, por exemplo, os defensores dos direitos humanos lembraram que a violência doméstica leva à morte de uma mulher em cada 40 minutos.
Na África, continente em que a tradição é frequentemente desfavorável às mulheres, as manifestações centraram-se na denúncia da violência doméstica e na desigualdade jurídica entre os sexos.
Manifestação na Polónia
Mais de 3 mil pessoas protestaram, sábado, na cidade de Gdansk, Polónia, contra «a progressiva degradação económica» da região e o desemprego, numa manifestação organizada pelo sindicato «Solidariedade». No protesto participaram representantes de vários sectores, nomeadamente da saúde, educação, ferroviários e operários.
Durante a manifestação os sindicalistas exigiram do governo polaco acções no sentido de criar postos de trabalho, apoio à indústria naval, agricultura e serviço de saúde.
«Queremos protestar contra a inércia dos responsáveis pela política económica e social do governo. Exigimos que seja travado o declínio da região. Este é o nosso último aviso, os próximos passos serão mais decididos», sublinhou um dos organizadores do protesto, citado pela Lusa.