Identidade na unidade
O sistema de alianças, a política de unidade do PCP não é uma questão de táctica, é um aspecto essencial da linha estratégica do PCP em 82 anos de luta.
Desde a fundação, são múltiplos os testemunhos de constantes apelos à construção da unidade e convergência em torno de questões concretas. Em 10 de Novembro 1921, o Partido, atento às movimentações conspirativas sequentes aos assassinatos políticos de 19 de Outubro, difundiu na comunicação social uma nota oficiosa apelando a todos os revolucionários, sem distinção de escolas filosóficas, a constituírem uma frente única para garantirem as liberdades políticas e económicas, face ao avanço das forças da reacção.
O PCP lançava assim a primeira pedra duma política de unidade e de cooperação interpartidária que se tornaria uma constante da orientação da sua actividade, em várias fases e etapas do processo político nacional, não abstractamente assumida, mas segundo as condições existentes em cada momento.
Cedo se impôs como prioridade construir a unidade da classe operária, e nesse intuito, em Outubro de 1923, o Partido apresentou os 4 pontos duma proposta para a constituição da Frente Única do Proletariado, como forma de superar as divisões teóricas inconciliáveis que vinham debilitando o movimento operário e sindical, dificultando a coesão dos trabalhadores nas suas lutas em torno das suas reivindicações.
No período 1936-1938, já sob o corporativismo salazarista triunfante e face à guerra em curso na vizinha Espanha, o PCP liderou os esforços de constituição da Frente Popular, cujo objectivo estratégico imediato era o derrubamento do fascismo e o estabelecimento duma Republica Democrática Popular. Os comunistas sabiam que tal orientação correspondia inteiramente aos interesses e aos desejos de distintos sectores da população e, quem, em nome de uma ideologia qualquer, se recusasse a dar o seu concurso à união de todos os portugueses, servia, consciente ou inconscientemente, os interesses do fascismo.
Na década de 40, por iniciativa e com a participação do PCP, a unidade antifascista ganhou renovados contornos e um patente vigor interventivo na vida política portuguesa. 1943 foi um ano de viragem em relação ao movimento antifascista pois o Partido e a classe operária passaram a ser os efectivos organizadores e dinamizadores do processo, tendo como ponto de partida dessa ampla movimentação o conteúdo dos «9 Pontos – Programa para a Unidade Nacional», difundido em Março de 1943, pelo Comité Central do PCP.
Sem esses princípios programáticos, permaneceria ininteligível a construção da unidade antifascista e patriótica, fruto das acção mobilizadora do PCP na sociedade da época, onde o ideal democrático não fenecera, mas sobrevivia em estado larvar, sem expressão político partidária organizada.
Sobre o conteúdo da proposta, o texto do documento fala por si.