Imprensa do PCP 1921 – 1931
Em 6 de Março de 1921, emergiu na cena política nacional o Partido Comunista Português, cedo se colocando a necessidade da criação do seu Órgão.
No mundo da época, sem jornal político, não existia um só movimento que, não tendo imprensa própria, tivesse a qualificação de político. Assim sendo, em 16 de Outubro de 1921, volvidos sete meses sobre a fundação do PCP, foi dado à estampa o seu Órgão «O Comunista» e, passado um ano, edita-se «O Jovem Comunista», Órgão da Junta Nacional das Juventudes Comunistas, cuja primeiro número remonta a Setembro de 1922. Em Abril de 1925, é publicado o n.º 1 de «O Trabalhador Rural», Órgão das células comunistas do distrito de Beja e, em Agosto do mesmo ano, a Federação Regional Comunista do Norte divulga o seu Órgão «Bandeira Vermelha».A história da imprensa do PCP entre 1921 e 1926, reflecte as dificuldades experimentadas pelo colectivo partidário. A irregularidade de publicação e as oscilações de direcção ideológica, espelham a época de iniciação política de um partido comunista que ensaiava os seus primeiros passos.
Mas, o golpe de 28 de Maio de 1926, ao instalar a ditadura, criou um cenário político novo. Sem demora, foi imposta a censura prévia à imprensa e, prosseguindo a instauração da «nova ordem», em Março de 1927, foi encerrada, no Porto, a última sede do PCP.
A superação das novas e acrescidas dificuldades partidárias só foi possível a partir da Conferência do PCP, em 21 de Abril de 1929. Bento Gonçalves, como Secretário-Geral, assumiu a direcção do que restava da organização, passando a conduzir o processo de reconstrução do Partido, agora na clandestinidade e reduzido a umas escassas dezenas de filiados.
Mobilizar e organizar os trabalhadores constituíram as grandes linhas de acção do PCP que, num quadro político novo, procurava dar orientação aos militantes através da publicação do boletim mensal «Páginas Vermelhas» (Maio 1929); se batia pelo revigoramento da luta sindical contra o fascismo e pelo alargamento da sua influência na imprensa operária, criando «O Trabalho Sindical» (Janeiro 1931).
Mas Bento já não teve oportunidade para materializar o projecto de edição do novo Órgão do PCP, sendo preso em 29 de Setembro de 1930 e deportado para os Açores em 8 de Outubro do mesmo ano. Essa tarefa seria concretizada por Manuel Pilar, Manuel Alpedrinha e Jaime Morais, que escolheram entre «Unidade» e «Avante!» o título do novo periódico, numa reunião na rua da Bica Duarte Belo n.º 66 – 4º Esq. Tinham o título oficial para o jornal, mas não tinham o jornal, faltava o local de impressão.
Uma tipografia no Largo São João Nepomuceno n.º 8 r/c, em Lisboa, aceitou a encomenda mas, com receio, desistiu. Em vão José de Sousa tentou instalar um prelo na caixa de ar do rés-do-chão de um prédio da Av. Sacadura Cabral, mas... a polícia política assaltou as instalações, gorando o projecto e, segundo Manuel Pilar, o jornal saiu finalmente duma «oficina própria».
Culminando o processo de reorganização editorial, foi publicado o primeiro número do novo Órgão do PCP - «Avante!», em 15 de Fevereiro de 1931.