Vértice
Não tem sido frequente falarmos aqui da prestigiada revista Vértice, editada pela Caminho e dirigida e coordenada respectivamente pelos nossos camaradas Francisco Melo e Fernando Correia. Não há, porém, fome que não dê em fartura, embora o dito peque muitas vezes por não se confirmar quando o tempo é de vacas magras e de outras desgraças. Mas, e é o caso, quando a fartura desponta, há que aproveitar, se de boa coisa se trata. Os dois últimos números da Vértice acabam de nos chegar à Redacção, um deles correspondendo aos meses de Novembro e Dezembro de 2000 e o outro aos dois primeiros meses - Janeiro e Fevereiro - deste ano de 2003.
Há muito de interessante para ler. No último número do ano passado, largo espaço é dado a evocações e efemérides - cumpre-se o centenário do nascimento do dramaturgo, crítico e ensaísta João Pedro de Andrade; os cinquenta anos da morte do escritor e jornalista Rocha Martins; evoca-se uma vez mais Bento de Jesus Caraça. Com textos de Maria Helena Serôdio, Carla Albernaz e Natália Bebiano.
Mas outros temas de interesse oferece este número. Por exemplo o trabalho de Catarina Delaunay Gomes - «Espaço doméstico e poder - a decisão conjugal sobre o consumo». Por exemplo o texto de Luis Castilla Vallejo sobre «Foucault e a Sociologia da Educação. E ainda um estimulante texto assinado nada menos que por dois autores que à primeira vista nos poderiam parecer «opostos» na visão da realidade, o historiador de arte Carlos Marinho da Rocha e o engenheiro Carlos Novais Madureira. Escrevem eles, precisamente, sobre «As diferentes faces da razão», «a propósito de uma suposta "guerra das ciências" e do papão do relativismo».
Ainda acerca deste número de Novembro-Dezembro de 2000: outros temas aqui são abordados. E destacamos o texto de Leocádia Regalo sobre o livro de José Casanova, «O Caminho das Aves», escrito para a apresentação da obra em Coimbra.
Urbano Tavares Rodrigues
50 anos de vida literária
O ano começa, com este número de Janeiro-Fevereiro da Vértice, sob o signo da literatura. A propósito das recentes comemorações dos 50 anos de vida literária de Urbano Tavares Rodrigues, a revista apresenta-nos, em destaque, três textos, cada um deles abordando aspectos diversos da obra e da vida do autor aqui homenageado. «Contar o Mundo, Dizer o Homem», de Cristina Almeida Ribeiro, é a versão final de uma palestra proferida pela autora, em Outubro passado, na Reitoria da Universidade de Lisboa. Anabela Rita escreve «Em hora de incerteza», em torno da obre do escritor que tem o nome de A Hora da Incerteza. Por sua vez, Kelly Basílio reproduz aqui a apresentação, feita em 2001, do livro de Urbano Tavares Rodrigues, O Texto sobre o texto.
Literatura ainda, neste número: a oportuna evocação da publicação, em 1966, do livro «Poemas Possíveis», de José Saramago. Um autor universalmente conhecido - mesmo antes de o Nobel o distinguir entre os seus pares e na atenção dos leitores -, mas cuja obra poética o será menos. Este trabalho de Miguel Real, por certo contribuirá, pelo menos entre os leitores da Vértice, para aguçar a curiosidade sobre os excelentes versos de um excelente prosador.
Ainda para avivar o apetite dos incondicionais da Vértice e a curiosidade dos que ainda não se renderam à leitura regular desta publicação, aqui vão alguns dos trabalhos publicados neste início do ano:
Francisco Silva - um nosso colaborador, também, nestas mesmas colunas, escreve sobre «Privacidade e Sociedade da Informação»; Augusto Praça sobre «A negociação colectiva nos Institutos Públicos»; quem goste de história é aqui «premiado com um interessante trabalho de João Soares Santos sobre «Migrações de Nómadas na Ásia». Fernando Guerreiro escreve sobre «A condição da pintura - o contributo de Rodrigo Vilhena». Literatura, por fim, com o texto de Manuel Ramos Lampreia, «As três faces do Amor em As Pestanas de Afrodite.»