• Lígia Ferreira

Ontem como hoje a juventude não se deixa amedrontar e luta
I Festival Nacional da Juventude foi a 15 de Maio de 1955

O Avante! de Julho de 1955 noticiava «Uma Festa da Juventude», e terminava assim o artigo no jornal Portugal Democrático, editado no Brasil, de Setembro de 1956: «Ao sabermos (…) deste I Festival realizado apesar das ameaças de repressão, temos a alegria e a certeza de saber que os jovens da nossa Pátria, nascidos sob a mais cruel das ditaduras, não desistem de reivindicar para o seu destino, essa liberdade que conhecem apenas por tradição.»

O I Festival Nacional da Juventude de 1955 organizado pelo MUD Juvenil, realizou-se clandestinamente num pinhal no Laranjeiro - Feijó, na margem sul do Tejo, sob o lema «Para a Paz pelo Conhecimento». Reuniram-se num convívio fraterno, numa grande iniciativa da juventude, realizada durante a ditadura fascista e num quadro de forte repressão, centenas de rapazes e raparigas, estudantes, operários e camponeses, de vários lugares do País. Preparavam-se os trabalhos para a representação portuguesa no V Festival Mundial da Juventude para a Paz e Amizade, que iria ter lugar em Varsóvia, onde participariam vários membros do MUD Juvenil.

Houve jogos vários, exposições, bailes, discursos, palavras de ordem e intervenções e, acima de tudo, um forte sentimento de unidade e de liberdade, traduzido numa grande animação. Estiveram presentes como convidados vultos como António Sérgio, o realizador Manuel Guimarães e a actriz Maria Olguim, bem como variadíssimos homens e mulheres da cultura. Esteve também presente o francês Roger Doss da Associação Internacional dos Juristas Democráticos que, apesar de ter marcada viagem de regresso a França para esse dia, não quis deixar de participar no Festival, levando consigo a imagem de como a juventude portuguesa lutava firme e decididamente pelos seus direitos e liberdades, por um desejo grande de paz e amizade. Levou também consigo uma recordação do Festival, um saco feito pelos presos políticos de Caxias e que tinha sido oferecido ao Festival. Representou-se o «Auto de Isaura Silva», sobre a prisão (desde 1953) desta enfermeira do MUD Juvenil, contando com a presença e emotiva intervenção da sua irmã Hortênsia Silva que pediu que se lutasse pela sua libertação. Fizeram-se abaixo-assinados e recolheram-se centenas de assinaturas, pelo internamento hospitalar de Isaura Silva, pela libertação da Comissão Central do Movimento Nacional Democrático (MND), pela paz em Goa e pela negociação. Fez-se um minuto de silêncio à memória de Catarina Eufémia. Foi lida e aprovada uma mensagem de saudação ao V Festival Mundial da Juventude.

Grande iniciativa de massas, agregadora de juventude animada, afrontou o regime e a repressão, mostrou que a juventude, tal como hoje, não se deixa amedrontar e luta! Foi pela sua demonstração de força que na sequência deste encontro foram presos vários jovens e membros do MUD Juvenil. «Apesar da dura repressão existente no nosso país, a nossa luta era firme e aquele festival era uma vitória!» (in Jornal Portugal Democrático, n.º 3, 1 de Setembro de 1956, pág. 4)




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