Investigação revela hipocrisia imperialista

EUA financiam <br>colonização da Palestina

A ocu­pação de­fi­ni­tiva de ter­ri­tó­rios pa­les­ti­ni­anos por parte de co­mu­ni­dades ju­daicas está a ser su­por­tada por fundos norte-ame­ri­canos li­vres de im­postos e de­du­tí­veis, re­vela o diário is­ra­e­lita Ha­a­retz.

O di­nheiro que chega dos EUA é um con­tri­buto «de luxo»

LUSA

Image 19479


Numa in­ves­ti­gação con­du­zida ao longo de um ano e sobre a qual o pe­rió­dico pro­mete pu­blicar ar­tigos com in­for­ma­ções mais de­ta­lhadas nas pró­ximas se­manas, o jornal con­clui que «o go­verno dos EUA está a in­cen­tivar e a apoiar in­di­rec­ta­mente o mo­vi­mento de co­lo­natos is­ra­e­litas», pese em­bora tenha vindo a pro­clamar a sua opo­sição à co­lo­ni­zação ao longo das úl­timas dé­cadas.

Se­gundo o Ha­a­retz, o fluxo de do­na­tivos de­du­tí­veis e li­vres de im­postos provém de uma rede de cerca de 50 or­ga­ni­za­ções com sede nos EUA, as­cen­dendo, só entre 2009 e 2013, a 281 mi­lhões de dó­lares (apro­xi­ma­da­mente 259 mi­lhões de euros), ca­na­li­zados na sua mai­oria para co­mu­ni­dades ju­daicas que ocupam em per­ma­nência ter­ri­tó­rios na Cis­jor­dânia. O que foi pos­sível apurar re­la­ti­va­mente a 2014 «su­gere que os nú­meros para o ano pas­sado podem ser ainda mai­ores».

Apesar da di­fi­cul­dade em es­cru­tinar os dados, re­sul­tado do que o Ha­a­retz con­si­dera ser a «pouca trans­pa­rência que existe tanto nos EUA como em Is­rael» em re­lação aos do­a­dores, a massa do­cu­mental con­sul­tada per­mitiu iden­ti­ficar que entre os «be­ne­mé­ritos» estão al­guns dos prin­ci­pais do­a­dores para as cam­pa­nhas elei­to­rais do pri­meiro-mi­nistro is­ra­e­lita, Ben­jamin Ne­tanyahu, bem como para as dos su­frá­gios em que es­teve en­vol­vido o Par­tido Re­pu­bli­cano norte-ame­ri­cano.

Crime com­pensa

Os do­na­tivos des­tinam-se a «todo o tipo de fins». Compra de apa­re­lhos de ar con­di­ci­o­nado e apoio ju­di­ciário a «fa­mí­lias de ter­ro­ristas ju­deus con­de­nados» estão entre os pro­pó­sitos, es­creve o diário is­ra­e­lita, que neste par­ti­cular por­me­no­riza: através de uma ONG is­ra­e­lita de­no­mi­nada Ho­nenu, têm sido apoi­ados Ami Popper, que matou sete tra­ba­lha­dores pa­les­ti­ni­anos em 1990, os mem­bros do Bat Ayin, que tentou de­tonar uma bomba numa es­cola para me­ninas em Je­ru­salém Ori­ental em 2002, ou o as­sas­sino do ex-pri­meiro-mi­nistro Yitzhak Rabin, Yigal Amir, a cum­prir uma sen­tença de prisão per­pétua.

O Ha­a­retz alerta que «apesar deste fluxo mas­sivo de dó­lares dos EUA», são os con­tri­buintes em Is­rael quem paga no fun­da­mental os co­lo­natos, no­me­a­da­mente a sua se­gu­rança, infra-es­tru­tu­ração e ser­viços. «O di­nheiro que chega dos EUA» é um con­tri­buto «de luxo» para «edu­cação re­li­giosa, me­lhoria do con­forto ou de­sen­vol­vi­mento de ac­ti­vi­dades de lazer e cul­tura», adi­anta.

Neste quadro, as ex­pres­sões têm um duplo sen­tido – o tex­tual, porque de facto são con­cre­ti­zadas aquelas ac­ti­vi­dades junto dos co­lonos; e o me­ta­fó­rico, pois nem com muita elas­ti­ci­dade se pode con­si­derar que o pa­ga­mento por parte do Fundo He­bron, com sede em Bro­o­klyn, do sa­lário de Me­na­chem Livni é con­fi­gu­rável na­quela ma­triz. So­bre­tudo con­si­de­rando que Livni «foi um dos lí­deres do mo­vi­mento clan­des­tino judeu, que ope­rava no ter­ri­tório na dé­cada de 1980, ma­tando três es­tu­dantes pa­les­ti­ni­anos e fe­rindo gra­ve­mente dois au­tarcas pa­les­ti­ni­anos e um sa­pador Po­lícia de Fron­teiras. Livni foi con­de­nado a prisão per­pétua, mas foi li­ber­tado após seis anos», como es­creve o jornal is­ra­e­lita.

O mesmo se aplica ao fi­nan­ci­a­mento por parte do Fundo Cen­tral de Is­rael, que opera a partir de Ma­nhattan, da ins­ti­tuição re­li­giosa Od Yosef Chai, cujos ra­binos, Yitzhak Sha­pira e Yosef Elitzur, «são os au­tores de (…) um livro que des­creve as cir­cuns­tân­cias em que é per­mis­sível matar os não-ju­deus».

Hi­po­crisia a nu

O Ha­a­retz «ques­ti­onou a Casa Branca sobre se a con­cessão da isenção de im­postos a estas or­ga­ni­za­ções não con­tradiz a po­lí­tica de Washington sobre a ex­pansão de co­lo­natos nos ter­ri­tó­rios pa­les­ti­ni­anos ocu­pados pelos is­ra­e­litas», lê-se na re­fe­rida edição. Um alto fun­ci­o­nário norte-ame­ri­cano afirmou ao jornal que «a po­lí­tica de todos os go­vernos desde 1967, de­mo­cratas e re­pu­bli­canos, tem sido de se opor às co­ló­nias ju­daicas além das fron­teiras de 1967», e que «o go­verno ac­tual não é di­fe­rente».

No do­mingo, 6, o se­cre­tário de Es­tado dos EUA, John Kerry, ad­mitiu que a Au­to­ri­dade Na­ci­onal Pa­les­ti­niana, ins­ti­tuída no âm­bito do ca­minho para o re­co­nhe­ci­mento de um Es­tado so­be­rano da Pa­les­tina, se en­contra à beira do co­lapso de­vido ao as­sédio vi­o­lento de Is­rael. E quê? Nada.

Da parte do go­verno norte-ame­ri­cano não se vis­lumbra qual­quer re­acção capaz de pôr termo à vaga cri­mi­nosa que só desde 1 de Ou­tubro úl­timo já matou 110 pa­les­ti­ni­anos e feriu mais de 13 mil e 500, ex­pulsou os mu­çul­manos da mes­quita de Al-Aqsa, em Je­ru­salém, e en­du­receu as penas para todos os que atirem pe­dras contra forças ocu­pantes, me­nores de idade in­cluídos.

 



Mais artigos de: Internacional

A luta continua

O Grande Pólo Pa­trió­tico (GPP) perdeu as le­gis­la­tivas ve­ne­zu­e­lanas re­a­li­zadas do­mingo, 6. O PCP «apela à so­li­da­ri­e­dade com os povos e as forças pro­gres­sistas e re­vo­lu­ci­o­ná­rias ve­ne­zu­e­lanas e de toda a Amé­rica La­tina».

Alerta anti-golpe no Brasil

Partidos e organizações sociais, sindicatos e personalidades de vários quadrantes mobilizam-se em defesa da democracia e do Estado de direito no Brasil e contra a sua perversão, protagonizada no pedido de impugnação do mandato da presidente Dilma Rousseff, aceite, fez ontem uma...

Associação estratégica <br>entre a África e a China

A China e a África concordaram em reforçar as suas já excelentes relações políticas e económicas, elevando-as ao nível de uma «associação estratégica integral de cooperação».Durante a cimeira do Fórum de...