As papas e os bolos<br> que enganam os tolos
«Vários bancos norte-americanos têm estratégias que vão muito além daquelas que a banca europeia alimenta em relação ao domínio do mercado das commodities (negócios futuros). J.P.Morgan, Morgan Stanley, Goldman Sachs, Citigroup, são proprietários de refinarias, centrais eléctricas, redes de energia, transportes, sementes, produtos agrícolas, etc., o que lhes permite reter um produto a baixo custo, especular com ele fazendo o seu preço subir, logo voltando a lançá-lo no mercado, assim obtendo lucros fabulosos» (Eric Toussaint, professor da Universidade de Liege, Bélgica, Março de 2014).
«Eu não sou contra a ciência e a pesquisa e não sou contra melhorar a vida das pessoas. Os benefícios da ciência são para nós. Foi por isso que Deus pediu a Adão para cuidar da terra...» (Cardeal Turkson, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, 2013).
«Os especuladores financeiros têm orientado, cada vez mais, a comercialização dos alimentos para os mercados futuros (commodities) onde cada produto é transaccionado dezenas de vezes antes de chegar aos consumidores… Através de “cabazes” de títulos que contêm em larga escala valores tóxicos a branquear, a economia capitalista transformou-se num autêntico casino...» (Diário da Liberdade, Abril de 2012).
«Há que valorizar realmente a presença e o testemunho das pessoas frágeis e sofredoras, não só como destinatários da obra evangelizadora, mas também como agentes activos da acção apostólica… Obra da Caridade, mistério da Consolação!» (Agência Ecclesia, Novembro 2013).
Se tentarmos uma leitura, ainda que superficial, do que está a acontecer na área do agronegócio, concluiremos que ele envolve uma complicada operação virada, em última análise, contra o sistema democrático, sob a capa da filantropia. Em todo este gigantesco teatro de operações, o Vaticano assume um papel central. As principais directrizes conhecidas repetem princípios inspirados na Companhia de Jesus, na Ordem dos Cavaleiros de Malta, nos Illuminati ou nos famigerados exércitos mercenários dos Blackwater. São apoios inestimáveis para o alastramento mundial de situações que geram os monopólios, por um lado; e a miséria e a fome, no pólo oposto.
Os chamados mercados alimentares mostram bem que assim é. Movimentam biliões e biliões de dólares, garantidos quer pelos estados que os vão roubar aos trabalhadores, quer pelos grupos transnacionais e pela grande banca privada.
Nesta coluna, linhas acima, poderá ler-se a citação de E. Toussain a propósito do financiamento mundial das «commodities». Constata-se que todos os grupos mencionados têm claras ligações aos capitais religiosos da Santa Sé e do IOR, o Banco do Vaticano. Outros potentados partilham as mesmas filosofias e modos operacionais, como são exemplos o Banco Europeu, o Barklays, o Crédit Suisse, o Deutsch Bank, a Rede Alternativa de Financiamento, etc. Mergulham raízes comuns nas esferas do grande capital laico e religioso. Gerem os altos patamares da exploração científica do trabalho e do homem. E iluminati ou tecnocratas neoliberais cumprem a rigor o preceito jesuíta da obediência cega aos superiores (perinde ac cadavre). A ética democrática não conta: faz-se o que for necessário à produção do lucro. Mas os mitos ancestrais mantêm-se como formas de cobertura: a Igreja é dos pobres e a fortuna resulta da filantropia.
São bolos que servem para enganar os tolos…
O Agronegócio, por exemplo, promove a concentração da riqueza. Seis grandes transnacionais (Monsanto, Syngenta, Dupont, Basf, Bayer e Dow, norte-americanas, suíças e alemãs) repartem entre si o fabuloso mercado mundial das sementes transgénicas. Trata-se de alterar quimicamente os grãos lançados à terra, o que permite multiplicar as campanhas agrícolas e intensificar, no plano financeiro, as operações que são fonte dos lucros especulativos das commodities. Tudo isto, ainda que já se saiba que «os alimentos modificados podem causar doenças, tumores, cancros, alergias e a infertilidade». Foi nestes termos que os especialistas católicos se referiram aos transgénicos, após uma obscura «reunião à porta fechada» promovida pelo Vaticano. Palavras que não impedem a Cúria Romana de continuar a alegar que «as sementes modificadas são uma arma útil e valiosa para erradicar a fome no mundo».
Suprema hipocrisia!