A credibilidade segundo Cavaco

Filipe Diniz

Vêm aí eleições.

Ainda bem que estamos habituados a batalhas duras, porque esta vai ser duríssima.

Se a actividade do PCP e as lutas dos trabalhadores são escondidas, se as reais alternativas às políticas que PS, PSD e CDS-PP impõem há mais de 35 anos são silenciadas e ocultadas nos grandes meios de comunicação social, tudo leva a crer que o silenciamento será ainda maior.

Mas não apenas isso. Cavaco Silva já veio decretar que há propostas «credíveis» e outras que são «ilusões e falsas utopias». O mesmo Cavaco Silva já informou quais são os partidos que «se comprometeram a combater o défice». Aí, era escusado o esforço: são o trio que há 35 anos «combate o défice» à custa dos direitos e das condições de vida dos trabalhadores e do povo, da destruição do aparelho produtivo, da subalternização nacional.

E não é de excluir que as instituições da UE, em coro com as agências de rating, venham também a intervir da forma como o têm feito noutras ocasiões: com pressões públicas e chantagem.

Merece a pena lembrar o que se passou com os referendos na Irlanda ao «tratado de Lisboa». Primeiro ignorando a vontade do povo irlandês que o recusou em 2008. Obrigando a um novo referendo em 2009. E organizando para este uma campanha autenticamente terrorista a favor do sim. Uma das acções dessa campanha constituiu na publicação – pela Comissão Europeia mas à custa do erário público irlandês – de um encarte com a tiragem de 1,1 milhões de exemplares. Nesse material assegurava-se que «os membros da UE gozam de vastas vantagens: um mercado livre […], a criação de milhões de empregos, a melhoria dos direitos laborais», etc, etc.

Por muito que Cavaco Silva atribua credibilidade a esta rasteira propaganda, a realidade desmente-a. A integração capitalista europeia afunda-se na crise. Os «milhões de empregos» são hoje 23,051 milhões de desempregados na UE 27. O desemprego na Irlanda, graças ao «combate ao défice», passou de 13% em 2009 para os 14,9% actuais.

Romper com esta política não é apenas necessário. Os factos e a brutal crise aí estão para mostrar que romper com os interesses do capital monopolista é a única política credível.



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