Governo grego impõe novos cortes drásticos

Política de miséria

No final de um ano marcado por 14 greves gerais e muitas dezenas de lutas profissionais e sectoriais, o governo grego fez passar no parlamento um orçamento que impõe novos sacrifícios e reduz à miséria amplas camadas desfavorecidas.

: Recessão e desemprego agravam-se na Grécia

Image 6380

Na noite de 22 para 23, o parlamento grego deu luz verde a um orçamento que prevê uma nova vaga de reduções das despesas públicas e de aumento de impostos para os trabalhadores.

As novas medidas de austeridade foram a condição exigida pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional para desbloquear uma «ajuda» de 110 mil milhões de euros.

Aprovado por 156 votos num total de 300, o orçamento pretende diminuir o défice público para 7,4 por cento contra os 9,4 por cento registados em 2010. Ao todo, o governo social-democrata de Papandreu prevê uma poupança de 14 mil milhões de euros.

Para alcançar esse desiderato, foi decidido um programa de «reestruturação» (privatização) das empresas públicas, sujeitando os seus trabalhadores a cortes salariais, entre muitas outras medidas gravosas que embaratecem o trabalho para garantir lucros ao patronato.

E pouco importa se a economia continuará a declinar acentuadamente no próximo ano, condenando ao desemprego uma parte crescente da população.

Depois de neste ano se ter registado uma diminuição de 4,2 por cento do Produto Interno Bruto, as autoridades prevêem uma nova contracção de três por cento em 2011. São ainda as previsões oficiais que admitem a subida da taxa de desemprego para o nível sem precedentes de 14,6 por cento em 2011. Este ano, 12,1 por cento da população activa não tinha emprego na Grécia.

Enquanto a maioria parlamentar ultimava a aprovação de mais um orçamento de miséria, o primeiro-ministro, Gueórguios Papandreou mostrava-se perante os deputados «determinado» a fazer todas as alterações necessárias para retirar o país da crise: «Apesar das dificuldades, estou optimista que a Grécia não irá à bancarrota».

Mas a verdadeira Grécia não partilha dessa opinião. No mesmo dia, Atenas estava novamente paralisada por uma greve dos transportes públicos. Milhares de trabalhadores manifestavam-se frente ao parlamento gritando «Abaixo o governo e o FMI», «Basta de medidas contra os trabalhadores».



Mais artigos de: Europa

Capital insaciável

O governo irlandês anunciou dia 22 a nacionalização do Allied Irish Bank (AIB), um dos maiores bancos do país, mediante a injecção do montante astronómico de 3700 milhões de euros.

O alto preço do euro

Apesar da profunda crise em que mergulhou desde 2009, a pequena República báltica da Estónia irá adoptar a moeda única em 1 de Janeiro. Para isso, as autoridades levaram a cabo medidas draconianas que reduziram à pobreza uma parte importante da população. A...

Estudantes exigem demissão de Berlusconi

Dezenas de milhares de estudantes voltaram a manifestar-se, dia 22, em Roma e noutras principais cidade de Itália, em protesto contra a reforma da lei do ensino superior, que foi nesse dia aprovada no parlamento. Também em Milão a Turim, Bari, Veneza, Ancona,...

Roménia e Bulgária excluídas

A França e a Alemanha bloquearam a entrada da Roménia e da Bulgária no espaço Shengen, alegando razões de segurança. Numa carta enviada dia 21 à comissária Cecilia Malmström, informam-na de que consideram «prematuro» autorizar a entrada daqueles...

O declínio da <i>Nokia</i>

O grupo Nokia que durante tantos anos foi o espelho do sucesso do capitalismo finlandês acaba de anunciar o despedimento de 1800 trabalhadores em todo o mundo, dos quais 800 na própria Finlândia. Após uma década em que o desempenho do grupo industrial entrou em notório...

O temor e a esperança

Quando um ano termina e outro começa, é humano desejar que o desconhecido seja melhor do que aquilo que já conhecemos. Por isso, gostaria de partilhar as esperanças de um ano de 2011 melhor para todos, sobretudo para quem está desempregado, para quem sofre as...