Exploração agravada

GM impõe redução salarial

Os 1150 operários da fábrica da General Motors em Estrasburgo foram sujeitos a uma intolerável chantagem por parte da administração: ou aceitam uma redução de dez por cento nos custos de mão-de-obra ou a unidade será encerrada.

Operários trocam salários para manter emprego

Nos tempos modernos que correm, a multinacional, detida em 60 por cento pelo Estado federal norte-americano, lavou as mãos de chantagem tão desumana e aguardou pela decisão dos trabalhadores, tomada «democraticamente» em referendo, organizado na noite de segunda-feira, 19, pelas centrais sindicais CFDT, CFTC, FO.

A ameaça surtiu efeito. A necessidade de salvar o emprego, assegurar a sobrevivência, prevaleceu sobre a indignação de trabalhar mais por menos dinheiro. É disso precisamente que se trata.

O construtor automóvel impôs um acordo leonino aos operários franceses. Prometendo-lhes não reduzir efectivos, exige-lhes que aceitem o congelamento salarial nos próximos dois anos. Mais que isso, exige-lhe que abdiquem de mais de um terço dos 17 dias de descanso por ano, atribuídos sempre que a jornada semanal de 35 horas é ultrapassada.

A CGT demarcou-se da consulta aos operários e apelou ao Não, recusando colocar os salários franceses em competição com os que são pagos noutras partes do mundo. A administração afirma que pretende escolher entre uma fábrica no México e a de Estrasburgo. A CGT responde: «A administração quer roubar-nos e ainda por cima quer obrigar-nos a dizer que estamos de acordo».

Mas na fábrica de Estrasburgo a maioria dos operários está sob a influência de sindicatos que vêem as coisas de outro modo, desviando-os da luta, o único caminho que pode garantir a defesa dos seus direitos.

Por isso uma significativa maioria de trabalhadores (70,65%) pronunciou-se a favor do plano da administração, apenas 39,35 por cento votaram contra. Os responsáveis da GM rejubilaram com esta «grande aprovação», salientando que «este resultado mostra que os trabalhadores compreenderam bem que o futuro dos 1150 empregos é a prioridade». Cabe agora aos sindicatos assinar o nefasto acordo.

Prática recorrente

Uma tentativa semelhante está em curso nas três fábricas de pneus Continental em França. Também aqui os patrões alemães pretendem reduzir em oito por cento os custos de mão-de-obra. Com esse intuito pressionam os trabalhadores para abdicarem dos dias de compensação por trabalho suplementar (note-se que estes dias de descanso foram criados para eliminar o pagamento de horas extraordinárias), aceitarem uma redução dos prémios, bem como a limitação das actualizações salariais a 1,2 por cento no próximo ano.

Nas negociações em curso, os sindicatos da CGT e CFDT, que representam 60 por cento dos votos no comité de empresa, têm recusado tais propostas, sublinhando que as três fábricas nunca deixaram de dar lucros aos seus proprietários. As negociações prosseguem.



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