Parlamento grego corta pensões com o povo na rua

Revolta contra medidas injustas

Os trabalhadores gregos paralisaram o país, no dia 8, em protesto contra o novo pacote de medidas que reduz as pensões, aumenta a idade de reforma e agrava a legislação laboral.

Povo grego cumpriu a 13.ª greve geral em sete meses

Fábricas, estaleiros de construção, serviços do Estado, hospitais, escolas, transportes públicos, aeroportos, imprensa, até mesmo os funcionários do Parlamento se juntaram à greve geral de dia 8 na Grécia, convocada pelas maiores centrais GSEE e Adedy, do sector privado e público, respectivamente, bem como pela combativa PAME, a Frente Militante de Trabalhadores.

Em várias cidades, a central sindical de classe grega promoveu a ocupação simbólica de edifícios públicos. Os seus piquetes de greve combateram as tentativas patronais de intimidação em muitas fábricas e empresas.

Nesse dia, a maioria de deputados sociais-democratas e conservadores aprovaram o odioso projecto de alteração da segurança social que eleva para 40 anos o período de contribuições e para 65 anos a idade mínima de aposentação para homens e mulheres. Várias profissões foram eliminadas da lista de actividade penosas e insalubres, e os activos dos fundos de pensões foram entregues ao grande capital privado.

Também a legislação laboral sofreu alterações gravosas, possibilitando que jovens com menos de 25 anos possam ser remunerados abaixo dos limites estabelecidos pelos convénios colectivos.

Como salienta o Partido Comunista da Grécia (KKE), o novo pacote legislativo «representa a transposição directa do Livro Verde da União Europeia sobre os sistemas de segurança social, de acordo com a Estratégia 2020. Deste modo, os trabalhadores são obrigados a trabalhar até à morte, e aqueles que sobreviverem irão receber pensões de miséria».

Ataque anticomunista

O projecto foi aprovado pelos deputados do PASOK, no governo, da Nova Democracia (conservadores), e do LAOS (extrema-direita). Ao mesmo tempo todos estes partidos estão unidos num ataque que visa atingir as finanças do KKE. O novo projecto de lei sobre as eleições locais prevê a proibição dos cupões de apoio financeiro, processo utilizado pelos comunistas que constitui a sua principal forma de financiamento.

No debate no parlamento, a secretária-geral do KKE, Aleka Papariga, ripostou à ofensiva contra o seu partido afirmando: «A guerra contra o KKE não nos surpreende. Surpreender-nos-ia que assim não fosse nas condições da crise. Mas o anticomunismo é uma coisa diferente. Sabemos perfeitamente que pretendem atingir o KKE. Mas saibam também que não nos assustam. (…) Não nos tornaremos um partido dependente do Estado. Não nos tornaremos num partido ao serviço do sistema nem do Estado.»



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