PCP evoca julgamento de Álvaro Cunhal

Acusador do fascismo,<br> Defensor do Partido

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O PCP evocou, anteontem, no claustro do tribunal da Boa-Hora, em Lisboa (onde há seis décadas funcionava o Tribunal Plenário), os 60 anos do julgamento de Álvaro Cunhal.

«Na prisão, um comunista continua no activo, a servir a sua causa»

Nesse julgamento, como sublinhou Jerónimo de Sousa, Álvaro Cunhal proferiu, perante os juízes fascistas, uma intervenção na qual, «com notável lucidez e coragem, procedeu ao julgamento e condenação do regime fascista e à defesa do Partido, do seu projecto e das suas orientações políticas». Nesse momento, a 2 e 9 de Maio de 1950, Álvaro Cunhal estava preso há 14 meses, em total incomunicabilidade, e fora submetido a brutais torturas.
«Fechado numa cela onde o sol não entrava e a luz de vigília estava acesa 24 horas sobre 24 horas, sem lápis nem papel, ele memorizou a sua longa intervenção e, em pleno tribunal, passou de acusado a acusador, sentando o regime salazarista no banco dos réus», valorizou o Secretário-geral do PCP. Que sublinhou, ainda, que com essa atitude «ele estava a levar à prática aquilo que, em teoria, apontava como a atitude a tomar pelos militantes comunistas que caíam nas garras da polícia fascista». Álvaro Cunhal pensava que na prisão o comunista continua «no activo», a servir a sua causa.
A sua vida na prisão, afirmou o Secretário-geral do Partido, foi isso mesmo e Álvaro Cunhal mostrou aí a sua têmpera de revolucionário – resistindo às torturas, fazendo do tribunal um «espaço de julgamento do fascismo e de valorização do papel, do projecto e das orientações do Partido» e do tempo de cumprimento da pena um tempo de preparação para a luta futura.

História, resistência e cultura

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A abrir a sessão José Capucho, do Secretariado do Comité Central, valorizou a presença, naquela iniciativa, de duas pessoas que estiveram presentes no julgamento de Maio de 1950, Maria Eugénia Cunhal e Margarida Tengarrinha. Para este dirigente comunista, a iniciativa pretendia também sublinhar que, «ao contrário do que é proclamado pelos historiadores do sistema, o fascismo existiu».
Na sessão evocativa, pela voz de André Levy, António Olaio, Teresa Sobral e Mayla Dimas, as palavras proferidas naquele local seis décadas antes voltaram a soar, firmes, livres, acusadoras. Tavares Marques leu A Lâmpada Marinha, de Pablo Neruda, e Teresa Gafeira Uma Chama Não se Prende, de Manuel Gusmão, dois poemas dedicados a Álvaro Cunhal.
Luísa Amaro e Gonçalo Lopes interpretaram Lusitânia e a cantora lírica Catarina Flores, acompanhada pelo cravista Marcos Magalhães, obras de Mozart e Heandel. Depois de Jerónimo de Sousa, o último orador, subiu ao palco o Grupo Coral dos Operários Mineiros de Aljustrel.

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À venda hoje com o Avante!
Cadernos da prisão, de Álvaro Cunhal

Pode ser adquirido hoje, com o Avante!, o CD com os Cadernos da Prisão e outros materiais escritos por Álvaro Cunhal durante o longo cativeiro na Penitenciária de Lisboa e na Fortaleza de Peniche, entre 4 de Abril de 1949 e 3 de Janeiro de 1960.
O CD contém vários cadernos escritos por Álvaro Cunhal nas duas cadeias, requerimentos ao ministro da Justiça, uma exposição ao director-geral dos Serviços Prisionais e uma outra ao juiz corregedor do 3.º Juízo Criminal da Comarca de Lisboa, para além de um prefácio de José Casanova. Para Rui Mota, das Edições Avante!, estes materiais permitem perceber a natureza criminosa do regime prisional fascista, bem como a dura luta travada por Álvaro Cunhal nas difíceis condições prisionais.



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