O povo libanês continuará a resistir

Firas Masri, do Partido Comunista Libanês (PCL), sublinhou ao Avante! o espírito de resistência que caracteriza o seu povo e explicou a difícil situação em que o seu país se encontra.

O futuro do nosso povo é resistir e tomar os direitos nas suas mãos

O Líbano enfrenta uma brutal agressão por parte de Israel, que bombardeia e ocupa territórios no sul do país. Como vê o PCL estes desenvolvimentos?

O tema do conflito libanês-sionista é um tema antigo, que remonta a 1948. O Líbano enfrenta desde então, e de forma sucessiva, a ocupação israelita. Os campos do sul, mesmo antes da última escalada, já estavam ocupados.

A agressão sionista ao nosso povo não é nova e o PCL, partido fundador da resistência popular, apela a todos os libaneses dignos para que confrontem o ocupante. Hoje em dia existem diferentes maneiras de defender o nosso território, não apenas com a resistência armada, mas também com manifestações, com a sensibilização da opinião pública internacional. O que se passa é muito grave: Israel não respeita minimamente o direito internacional.

Vemos a destruição diária de todas as aldeias no sul do Líbano. É terrível, nunca vi algo parecido. Só se compara com aquilo que o fascismo fez na Europa. Quando Hitler entrou em França, naturalmente, houve resistência. É o que nós fazemos e apelamos a que o povo libanês faça.

O que fazer face à política de Israel, que agride sistematicamente o direito internacional?

Israel fá-lo de forma cada vez mais agressiva e mais descarada. Apelamos a que os países e os povos europeus abram os olhos e apoiem todos os povos oprimidos no mundo, no Médio Oriente, na Europa, em África ou na América. Mas, desgraçadamente, não vemos luz ao fundo do túnel. Cada vez mais os meios controlados pela grande comunicação social passam a ideia de que, no Líbano, os resistentes são “terroristas”e na Ucrânia, por exemplo, são “lutadores pela liberdade”. Não é verdade.

Desde 1948 que resistimos à opressão e a um genocídio sem igual nos últimos 30 ou 40 anos. É o que se passa na Palestina e no sul do Líbano.

Que avaliação faz o PCL sobre a actual situação política no país?

Apesar do país ser considerado democrático, na prática não o é. As eleições são feitas de tal forma que voltam os mesmos partidos sectários e religiosos ao poder. Os mesmos que têm sempre a força política para manter os seus interesses acima dos do país. Sempre foi uma situação difícil, mas piorou depois da queda do regime sírio, porque chegou ao Líbano uma camada de políticos lacaios do imperialismo, apoiados pelos países reaccionários árabes, como a Arábia Saudita, o Catar e os países do Golfo, e pelos EUA.

Todos os avanços que a resistência pode fazer para travar o avanço militar israelita são postos em causa pelas derrotas políticas face a estas forças. Vemos isso quando, por exemplo, já por duas vezes foi assinado um cessar-fogo que Israel não respeita.

Que perspectivas de futuro aponta ao seu povo e quais são as suas prioridades políticas no momento?

Somos um povo resistente porque sempre fomos confrontados com a ocupação e sempre tivemos o dever de nos defendermos. O futuro do nosso povo é resistir e tomar os direitos nas suas mãos. Resistir e ter paciência, pois no final quem vence é aquele que continua a acreditar na luta. Como sempre fizemos e vamos continuar a fazer.

 



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