Rentrées há muitas!

João Frazão (Membro da Comissão Política)

Um Partido com os olhos postos no futuro

Ao dar o tiro de partida com a sua rentrée no Pontal, o PSD, uma vez mais, passou ao lado da vida das pessoas. Montenegro ignorou os mais de 2,5 milhões de trabalhadores que recebem menos de 1000 euros por mês, os tempos de espera que crescem nas urgências hospitalares, ou as mais de 1.666.823 pessoas que, em Junho, não tinham médico de família. Na sua intervenção, não tiveram lugar os quase 19 por cento de jovens que estão desempregados, uma boa parte dos quais com habilitações superiores, ou os mais de 1,6 milhões de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza, 300 mil das quais são crianças, e os mais de 8,5 por cento da população empregada que está nessa situação. Da sua comunicação não fizeram ainda parte os milhares de vítimas de catástrofes e intempéries que continuam sem receber os apoios prometidos ou a asfixia a que as IPSS estão sujeitas face aos atrasos e dificuldades no PRR.

O rol poderia continuar até aos que ganham com este estado de coisas, os 1 por cento mais ricos que concentram já 25 por cento da riqueza produzida em Portugal que, não tendo sido explicitamente referidos, estão sempre no pensamento, no coração e nas opções dos dirigentes dos partidos da política de direita e, por maioria de razão, do Governo de turno, do PSD/CDS.

Ora, como é possível comparar o País cor de rosa que foi a banhos em Quarteira com a vida dura e difícil de quem trabalha, cujos salários teimam em não querer saber da estatística e cada vez se acabam mais depressa, perante o brutal aumento do custo de vida, na alimentação, nos combustíveis ou na habitação, a que a Festa do Avante! dará visibilidade?

Ou com a degradação dos serviços públicos e em particular da Educação e da Saúde, alvos prioritários do processo de desmantelamento das funções sociais do Estado que sucessivos Governos puseram em marcha, mas que este Governo revela particular pressa em concretizar?

Na Atalaia soará a denúncia do assalto à Segurança Social e a destruição de prestações sociais, com a criação da PSU, deixando desprotegidas milhares de pessoas que encontravam ali a minoração das suas dificuldades.

Ali se ouvirá a crítica contundente ao processo de entrega de empresas e sectores estratégicos ao grande capital, de que a TAP é o mais evidente exemplo, mas que passa por todas as dimensões da vida nacional, incluindo a defesa nacional.

Na Festa da liberdade e da paz ecoará, ainda, a solidariedade com os povos que estão em luta contra a ofensiva do imperialismo, na Palestina – onde Israel, com as armas dos EUA e a cumplicidade da União Europeia e da NATO, continua a destruir, a prender, a violentar, e a matar homens, mulheres e crianças –, no Irão, no Líbano, ou, entre tantos outros, ao povo cubano, que enfrenta com grande coragem um processo genocida movido pelos EUA e que deu agora uma notável demonstração de unidade em torno do Partido Comunista de Cuba, na celebração do Centenário do histórico Comandante-em-chefe da Revolução, Fidel Castro Ruz.

Rentrées há muitas, mas como nenhuma outra iniciativa poderia fazer, a Festa do Avante! constituirá também uma imensa celebração da luta e dos seus resultados, dos estudantes que têm enfrentado as intenções de aumento das propinas, exigido mais acção social escolar e rejeitado os exames nacionais em grandes acções de massas, como dos agricultores, que ainda no início deste mês se manifestaram no Douro, ou das populações em defesa dos serviços públicos. E principalmente será uma enorme comemoração da vitória sobre o pacote laboral, luta prolongada que derrotou essa autêntica declaração de guerra contra os trabalhadores, confirmando que o capital pode muito mas não pode tudo e, principalmente, não pode tudo quando a unidade e a organização dos trabalhadores eleva a sua força ao nível que ela pode ter.

Denúncia das injustiças e desigualdades e celebração que serão, como sempre teriam de ser num Partido com os olhos postos no futuro, alavanca para o desenvolvimento da acção, organização e luta dos trabalhadores e do povo em que não precisaremos de reentrar porque nunca de lá saímos.

 



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