Mais de quatro mil assinaturas exigem abandono da Linha Circular do Metro

Mais de quatro mil assinaturas foram entregues, no dia 29 de Julho, ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, contra a entrada em funcionamento da Linha Circular do Metropolitano de Lisboa e em defesa da solução alternativa da Linha em Laço.

Agravamento das condições de mobilidade em Lisboa

O abaixo-assinado «A Linha Circular vai atrasar a nossa vida!», promovido pela Organização Regional de Lisboa do PCP, foi acompanhado de uma carta que alerta para as consequências da nova configuração da rede. Os subscritores consideram que a criação de um novo interface no Campo Grande obrigará milhares de utentes provenientes do Lumiar, Telheiras, Quinta das Conchas, Santa Clara/Ameixoeira e Odivelas a efectuar um transbordo adicional para chegar ao centro da cidade, agravando as condições de mobilidade de quem utiliza diariamente o Metro.

O PCP recorda que a interrupção da ligação directa ao centro durante as obras na estação do Campo Grande, em 2024, demonstrou os efeitos desta opção, traduzidos em viagens mais longas, maior congestionamento e degradação do serviço, sublinhando que aquilo que então foi temporário passará agora a ser permanente.

Os promotores defendem que a Linha em Laço continua a ser tecnicamente viável, permitindo manter Telheiras e Odivelas como estações terminais, assegurar a expansão da rede e preservar as ligações directas ao centro da cidade, com reduzidos custos adicionais e maior eficiência operacional. A petição mantém-se disponível para subscrição pública.

Na carta entregue a Carlos Moedas é ainda recordado que o actual presidente da autarquia manifestou, em 2021, concordância com uma moção aprovada na Câmara Municipal de Lisboa contra a Linha Circular, apelando-se à sua intervenção junto do Governo e da administração do Metropolitano de Lisboa para que seja adoptada a solução da Linha em Laço. A entrega das assinaturas contou com a presença de João Ferreira, vereador do PCP na Câmara Municipal de Lisboa, e de Mário Lopes, técnico do Metropolitano de Lisboa. Esteve presente uma delegação do PEV.

 

Despejo sem alternativa habitacional

Dois dias depois, a 31 de Julho, João Ferreira dirigiu um requerimento urgente a Carlos Moedas a pedir esclarecimentos sobre o despejo de uma mãe com duas crianças, de 4 e 2 anos, de uma habitação municipal no Bairro do Condado, em Marvila, denunciando a ausência de acompanhamento social adequado e de qualquer solução habitacional alternativa.

Segundo o PCP, a mulher residia na habitação com o companheiro, neto da titular do arrendamento, ambos falecidos em 2024. Após comunicar as mortes à Gebalis e solicitar a sua inclusão na ficha de moradores, continuou a pagar a renda, situação do conhecimento da empresa municipal.

Em Dezembro de 2025 foi informada de que os documentos apresentados não eram suficientes para regularizar a situação e recebeu ordem para abandonar a casa. Apesar de contestar a decisão com apoio jurídico, o despejo foi executado a 30 de Julho, recorrendo, segundo o PCP, a um forte dispositivo policial. Os bens da família foram removidos para um armazém, sem que tivesse sido apresentada qualquer alternativa de alojamento.

Para João Ferreira, «a concretização de um despejo nestas circunstâncias, sem aparente acompanhamento social adequado e sem qualquer alternativa habitacional para uma mãe viúva, desempregada e com duas crianças menores, levanta sérias dúvidas quanto ao cumprimento dos deveres de protecção social e do direito à habitação por parte do município e da Gebalis».

A Comissão de Moradores e Utentes de Marvila (COMUM) – com outras organizações promotoras – agendou para ontem, 5 de Agosto, uma acção solidária frente à sede da Gebalis.



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