Banhada District
O encerramento da refinaria de Matosinhos para dar lugar a um megaprojecto imobiliário sempre foi um segredo mal guardado, apesar da denúncia que o PCP fez logo em 2020 quando a GALP decidiu subitamente o seu desmantelamento. Se na altura já era claro que os pretextos ambientais invocados para destruir um dos mais importantes polos industriais do País eram falsos, a vida tem vindo a confirmar que por detrás das “ecológicas” intenções estava a perspectiva de realizar milhares de milhões de euros em mais valias imobiliárias.
Na semana passada, a GALP decidiu divulgar um “estudo” sobre o que projecta para os 260 hectares junto ao mar do chamado Innovation District (soa sempre melhor quando é em Inglês!). Coube à poderosa PricewaterhouseCoopers- PwC, chancelar tais intenções e não o fez por menos: acenou com a criação de 100 mil empregos (65 mil no concelho de Matosinhos) e um impacto económico no PIB de cerca de 65 mil milhões de euros (!!!). Dizem que será “um dos maiores projetos de regeneração urbana na Europa” e que albergará mais 19 mil residentes e 30 mil estudantes (para que o Porto assuma ainda mais a sua “vocação” turística), mais que duplicando a população de Leça da Palmeira.
Sabemos o que valem este estudos cujo gigantismo dos números é feito para impressionar os mais incautos. Mas é preciso fazer a denúncia das reais intenções dos accionistas da GALP. Os mesmos que também pretendem entregar a rede de postos de abastecimento e a única refinaria que resta ao País, em Sines, à multinacional Moeve, desmantelando assim uma empresa absolutamente estratégica e que a política de direita ofereceu à família Amorim no altar das privatizações.
É necessário encontrar soluções para a reconversão de toda aquela área – até porque a refinaria está a ser desmantelada – mas isso não significa que se substitua a vocação produtiva daqueles terrenos por especulação imobiliária. Na verdade, estamos a assistir ao fim da actividade operacional da GALP em Portugal, que está a desmantelar e a vender capacidades debaixo dos aplausos quer dos governos do PS, quer agora do PSD/CDS, que confundem a conta bancária da família Amorim com os interesses do País. A estratégia que está em curso na GALP – empresa construída no quadro da Revolução de Abril para responder às necessidades nacionais – é mais um crime a exigir denúncia e combate.




