Uma das maiores greves gerais


Num documento difundido a partir de sexta-feira, dia 5, a CGTP-IN saudou «os milhões de trabalhadores em greve no dia 3 de Junho e os milhares de dirigentes, delegados e activistas sindicais que, antes e durante a greve geral, esclareceram, mobilizaram e promoveram a unidade, rumo a uma das maiores greves gerais realizadas no nosso País». A saudação abrangeu ainda «todos os sindicatos», filiados ou não na confederação, e outras estruturas.

Para a Intersindical Nacional, «mais que um ponto de chegada, a greve geral de 3 de Junho marca uma nova fase da luta contra o pacote laboral, na afirmação dos direitos, na reivindicação de aumento geral e significativo de todos os salários».

Coloca-se, como «exigência», a «necessidade de alargar ainda mais a unidade na luta e de nela se integrarem todos os que rejeitam a degradação das condições de trabalho e de vida.

«Sabemos que os interesses que estão na base das alterações apresentadas pelo Governo são os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros», por isso continua a ser necessária «a intensificação da acção, intervenção e luta dos trabalhadores, dos sindicatos e de todos os que defendem uma sociedade mais justa».

A CGTP-IN «reafirma que tudo fará, todos mobilizará, para a continuação da luta até que o pacote laboral seja retirado», confiando que «serão sempre os trabalhadores a definir o desfecho deste e de qualquer outro processo».

 

Sectores confirmam

Os fortes níveis de adesão à greve, que relatámos na edição da semana passada, foram confirmados em informações posteriores.

Para o Sindicato da Hotelaria do Norte, esta greve geral teve maior adesão e mais impacto do que a realizada a 11 de Dezembro. Na região, encerraram mais de 600 cantinas escolares e houve muitas cantinas de hospitais com greve a 100% (garantindo serviços mínimos). Também fecharam cantinas de centros de formação profissional, de unidades industriais e outras empresas. Foram ainda destacados os casos dos hotéis Tuela e Fénix, sem serviço de refeições durante todo o dia.

Nos dados finais globais, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses estimou em 75,3 por cento a adesão à greve geral, demonstrando que «os enfermeiros, de todos os sectores (público, privado e social) rejeitam o pacote laboral e a proposta de Acordo Colectivo de Trabalho do Ministério da Saúde».

Na «esmagadora maioria» das empresas públicas e privadas do sector de transportes e comunicações, como frisou a FECTRANS, registou-se «uma elevada adesão», «num quadro de ampla unidade na acção com outras organizações». Com adesão praticamente total, salvaguardando serviços mínimos, a federação indicou o Metro de Lisboa, a CP, a Medway, a Carris, a ViaPorto (Metro do Porto), a STCP. Acima do nível de adesão da anterior greve geral, destacou a TST, a Alsa Todi e locais de trabalho de empresas na região de Lisboa.



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Calendário das greves gerais

Em democracia, ocorreram em Portugal 12 greves gerais. 198212 de Fevereiro, sexta-feira11 de Maio, terça-feira 198828 de Março, segunda-feira 200210 de Dezembro, terça-feira 200730 de Maio, quarta-feira 201024 de Novembro, quarta-feira 201124 de Novembro, quinta-feira 201222 de Março, quinta-feira14 de Novembro,...