É este o momento de travar o assalto a quem trabalha
Pela derrota do pacote laboral e pela vida com direitos e dignidade a que os trabalhadores têm direito, o PCP promoveu um desfile pelas ruas do Porto, que partiu da Praça da Batalha em direcção à Rua de Santa Catarina.
Será a luta dos trabalhadores a determinar o destino do pacote laboral
Sob o lema “Combater o custo de vida. Aumentar salários e pensões. Abaixo o pacote laboral” – que se lia na faixa que encabeçava a manifestação, empunhada pelo Secretário-Geral e outros membros do Partido –, os presentes fizeram um percurso muito mais participado do que longo, que isto de dar voz a direitos e reivindicações não se mede ao metro, antes ao decibel.
«Ó Luís, vem ouvir: o pacote é p’ra cair!» terá sido a mais ouvida e enfática frase da tarde. Mas não foi a única a fazer subir o tom de aviso… porque «a vida de cada um e o País não vão para a frente seguindo este rumo desgraçado que está em curso». Paulo Raimundo foi uma vez mais o porta-voz do sentir daqueles que se lhe juntaram num fim de tarde quente, que aqueceria mais à medida que as declarações se sucediam: «Os EUA e Israel bombardeiam o Irão, o grande capital aumenta os seus lucros, PSD, CDS, Chega e IL apoiam toda esta loucura e, ao escancararem a Base das Lajes para que os Estados Unidos da América façam dela o que querem, arrastaram o País para a guerra.»
Apontando que «os partidos da guerra são também responsáveis por cada cêntimo no aumento do custo de vida», Paulo Raimundo foi categórico a garantir que os comunistas rejeitam a continuação deste rumo e apelou «a que se trave de vez o brutal aumento dos preços e as dificuldades que recaem sobre o povo, os trabalhadores, a juventude, os reformados, as famílias, os produtores, os micro, pequenos e médios empresários».
E pediu atenção a todos e a cada um no momento de «pagar ainda mais nos combustíveis, que pagar os quase 40 euros que já custa uma botija de gás, tiver de pagar os 260 euros que custa hoje o cabaz alimentar, olhar para o aumento das prestações ao banco ou para o preço dos fertilizantes», garantindo que, se olharem bem para a conta, verão lá «os símbolos do PSD, CDS, Chega e da IL».
Força e determinação
Depois de Lisboa (a 12 de Maio), a saída do PCP à rua no Porto reafirmou a importância da unidade dos trabalhadores na derrota do pacote laboral: «O que vai determinar o fim deste confronto não é o posicionamento dos partidos, mas sim a força, a determinação, a unidade e a luta dos trabalhadores. É o momento de travar este assalto... É este o momento para dar mais um empurrão; mais um empurrão em cada empresa e local de trabalho, mais um empurrão nas ruas, pois, no momento em que estamos, o pacote laboral está mais perto de ser derrotado do que de ser implementado.»
À chegada de Paulo Raimundo já muitos se reuniam com cartazes e a confiança de que esta batalha é para continuar: «Mais um empurrão, a 3 de Junho todos à greve geral. Uma greve geral para todos», sindicalizados e não sindicalizados, os que fizeram greve em Dezembro e os que não fizeram, mais velhos e mais novos, do público e do privado.
As palavras de Paulo Raimundo revelaram-se mobilizadoras de vontades. Os que o aguardavam e os que se foram juntando ao longo do percurso demonstravam a inabalável concordância com aquele que, ali, mais do que um discurso, dava voz ao pensamento colectivo: «Os trabalhadores são os imprescindíveis e os imprescindíveis merecem respeito, dignidade, direitos, tempo para viver e salários. E salários para enfrentarem a vida do dia-a-dia. É este caminho de ruptura, mudança e esperança que está colocado ao povo, aos trabalhadores e à juventude. E neste processo de resistência, luta e avanço contaram, contam e contarão com o combate, a solidariedade e a luta do Partido Comunista Português.» Reafirmação indispensável no momento em que, «de cima de uma arrogância como há muito não se via», a proposta de alteração à lei laboral deu entrada na Assembleia da República na forma gravosa que o PCP sempre disse que aconteceria, «depois de meses a enrolar».
O Secretário-Geral não deixou de resumir as posições dos partidos de direita no processo de tentativa de implementação do pacote laboral: PSD e CDS, «os agora de turno, dão a cara pelo pacote laboral; a IL pede tudo para assaltar o máximo; e depois há o Chega, o partido das cambalhotas». E deste lembrou o antes e o depois da greve geral de Dezembro. Mas recordou ainda a cambalhota e nova fuga para a frente com a redução da idade da reforma, depois de ter inviabilizado a proposta do PCP; da mesma forma que votou contra quando o PCP apresentou a reposição dos 25 dias de férias que, mais recentemente, passou a defender: «Todos os dias novas versões de um partido entalado. Quer continuar a enganar e a enrolar os trabalhadores mas sabe bem a quem serve e que é o sistema que o criou e apoia que determina as suas opções.»
Em Coimbra a animar a luta
O PCP promoveu, no dia 21, um desfile na baixa de Coimbra para denunciar o aumento do custo de vida e as suas graves implicações na vida das camadas laboriosas do povo. Num momento em que há quem apele ao gasto em nome da guerra, aos baixos salários e à degradação dos serviços públicos, o PCP afirma a necessidade de um novo rumo que coloque a política ao serviço dos trabalhadores e das populações.
«O custo de vida aumenta, o povo não aguenta» e «não vamos desistir, o pacote é para cair» ecoaram pelas ruas da cidade até à Praça 8 de Maio, onde se reafirmou a necessidade de travar o assalto aos direitos dos trabalhadores e construir um caminho de respeito, dignidade, salários, direitos e tempo para viver, para o qual a greve geral da próxima quarta-feira é determinante.




