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Deputada do PSD, destacada para ir à Antena1 defender o pacote laboral do Governo, dos patrões, do Chega e do Iniciativa Liberal, invocou o já costumeiro argumento de que o País precisa de fazer crescer a produtividade, com o bondoso e louvável objectivo de, posteriormente, aumentar os salários.
Para explicitar tal argumentário, desembainhou da estatística, que é sempre útil para fazer prova do que se está a dizer, esgrimindo que Portugal tem uma produtividade inferior à média da União Europeia em 28% e que, no caso dos salários, essa diferença é ainda maior, chegando aos 35%.
Confesso que não fui verificar a veracidade dos números e, ainda menos, a evolução deste diferencial que tanto nos penaliza, mas, tomando-os por bons, assaltaram-me, desde logo, duas reflexões sobre esta linha de raciocínio.
Uma delas resulta de não ter ouvido explicar, e por mais que me esforce não sou capaz de lá chegar, como é que a desregulação dos horários, a facilitação dos despedimentos ou o não pagamento de horas extraordinárias (que agora alguns querem chamar de banco de horas), aumenta a produtividade da economia nacional.
Outra, e talvez não menos importante, dei por mim a perguntar-me, havendo tanta vontade de aumentar salários, porque razão não avança o patronato (ou o Governo por ele, com os mecanismos que tem, designadamente pelo aumento dos salários dos trabalhadores da Administração Pública e pelo aumento do Salário Mínimo Nacional), devolvendo aos trabalhadores os sete pontos percentuais de diferença entre os salários e a produtividade, quando comparados com as tais médias da UE.
E não venham com a conversa de que é preciso produzir mais riqueza, porque esta já existe. A questão é de a distribuir com mais justiça.
Ao contrário do autor do programa onde, este domingo, o patrão dos patrões, Armindo Monteiro, depois de trazer também à liça a ladainha da produtividade, afirmou, fazendo de conta que estava a brincar, que queria «os trabalhadores nas empresas para enriquecer os patrões», nós sabemos que os trabalhadores não enriquecerão a partir da exploração capitalista e estamos certos que os trabalhadores também não têm essa ilusão.
Se faltassem razões para aderir à greve geral, aqui estão mais estes sete pontos para parar, a 3 de Junho, para fazer o País, e a nossa vida, avançar.




