Março, mês de luta da juventude!
Juntam-se as forças da juventude, em acções que convergem num elemento fundamental: a exigência de um novo rumo
Perante uma situação política, económica e social altamente desfavorável ao povo e aos trabalhadores, com impactos especiais e agravados sobre a juventude, sob a influência de uma brutal ofensiva ideológica que dispõe de meios praticamente ilimitados para anestesiar consciências e perante as ameaças cada vez mais candentes da guerra e da instabilidade na vida de cada um, Março afirma-se como um mês de esperança – é o mês de manifestações muito visíveis da luta da juventude, nas suas mais variadas expressões e sectores.
Luta e contestação contra os efeitos que a política de direita tem na vida e no dia-a-dia da juventude que são expressão, também, da necessidade da afirmação de um rumo alternativo, que desenhe uma política à medida da juventude, à medida dos seus anseios e das suas aspirações e que responda às suas necessidades.
Os estudantes do Ensino Secundário estão confrontados com os exames nacionais e a desvalorização da avaliação contínua, com a crescente degradação das condições materiais das suas escolas – mais de 600 escolas estão sinalizadas como necessitando de obras, muitas delas com carácter de urgência – e com os ataques à democracia nas suas escolas, com direcções de escolas (e com o que, no plano legislativo, o Estatuto de Aluno lhes permite) a intimidarem estudantes por realizarem RGA ou exigirem melhores condições.
Resistem e lutam. Avançam para uma semana de luta entre os dias 23 a 27 de Março sob o mote “Isto Assim Não Dá – Luta Já!”, apelo subscrito por cerca de 40 associações de estudantes, e, de norte a sul do País, realizarão protestos, concentrações, Reuniões Gerais de Alunos, estendais reivindicativos, exigindo do Governo as respostas que não existem, o investimento que é constantemente prometido, comprovando que está errada (e que tem um propósito) a infantilização da juventude.
Os estudantes do Ensino Superior enfrentam destemidamente um Governo que tem colocado como objectivo elitizar ainda mais este já inacessível (para muitos) grau de ensino. Menos nove mil candidatos, menos seis mil colocados, intenções do aumento da propina, residências por construir, uma (muito negativa) revisão do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior que está na calha e intenções de uma Reforma da Acção Social que, entre outras considerações que se possam fazer, reduz o financiamento e tem como base o aumento da propina.
Razões não faltam e o mote está dado: “A Nossa Tradição é a Luta – Alojamento, Gratuitidade, Democracia”. É este o lema da Manifestação Nacional de Estudantes do Ensino Superior do próximo dia 24 de Março que, pela quarta vez em cinco anos, comprovando-se uma grande expressão de unidade, reunirá os estudantes das academias de todo o País entre o Rossio e a Assembleia da República. Não faltam razões nem confiança na luta que transforma, porque foram estes os estudantes que construíram a manifestação nacional contra o aumento da propina, no dia 28 de Outubro, mesmo debaixo de um dilúvio imenso, que impediu que as intenções do Governo se concretizassem.
Os jovens trabalhadores não fogem à regra. Enfrentam hoje a ameaça de um pacote laboral que está rejeitado, também pelos mais jovens, inclusive pelos milhares que fizeram greve pela primeira vez na grande greve geral do passado dia 11 de Dezembro. Enfrentam de forma especial a precariedade, os baixos salários, a instabilidade constante, sentem de forma particular na pele a incerteza de não saberem onde estarão no dia seguinte. Contribuem em cada local de trabalho para elevar consciências, construir a luta, fazer plenários, organizar e unir.
Avançam para uma manifestação nacional de jovens trabalhadores no dia 28 de Março, em Lisboa, convocada pela CGTP-IN/Interjovem, mais uma expressão de combate ao pacote laboral e da exigência de melhores salários, de estabilidade na vida e no trabalho, do fim da precariedade, do tempo para viver.
Juntam-se as forças da juventude, em acções que convergem num elemento fundamental – a exigência de um novo rumo. Esse, corporiza-o a acção, a proposta e a luta da Juventude Comunista Portuguesa e do Partido Comunista Português.




