Negociação, unidade e luta por salários mais justos

Perante as reivindicações dos trabalhadores e dos seus sindicatos, na negociação dos aumentos salariais anuais, grandes empresas continuam em posições inaceitáveis. Noutras há resultados positivos.

A unidade dos trabalhadores reforça os sindicatos para melhores resultados

A administração dos CTT, na reunião de dia 4, propôs uma actualização de 18 euros, para todos os salários até 2.957,50 euros, e um salário de entrada de 925 euros. Para o SNTCT, não são valores mínimos aceitáveis.

No mesmo dia, a administração da RTP apresentou aos sindicatos uma contraproposta, com cinco euros de actualização salarial e eliminando a comparticipação para o Seguro de Complemento de Reforma (cerca de 3% do vencimento) e o subsídio de deslocação, aumentando a comparticipação do trabalhador para o plano Médis e exigindo o pagamento de 66 euros por ano para um membro do agregado familiar aceder a este plano. «Na prática, a maioria dos trabalhadores perde rendimento líquido», afirmam os sindicatos, num comunicado conjunto divulgado pela FECTRANS/CGTP-IN, estimando que, num ano, milhões de euros seriam retirados aos salários.

Na CP, «graças à luta dos trabalhadores, no ano passado iniciou-se um caminho de valorização salarial, reconhecido como essencial para reter profissionais e atrair novos trabalhadores», mas a «a proposta agora apresentada pelo Governo/administração vai no sentido oposto», protestou o SNTSF.

A administração da EDP, no dia 4, manteve em 2,2 por cento a base de valorização, pretendendo que não haja aumentos salariais acima de 85 euros. No final de Fevereiro, como notou a FIEQUIMETAL/CGTP-IN, foram anunciados os lucros recorde de 2025: 1150 milhões de euros, que acrescem aos cinco milhões obtidos nos cinco anos anteriores, adiantando a pretensão de valorizar em 2,5 por cento os dividendos a distribuir aos accionistas.

No dia 5, a administração da Brisa levou para a primeira reunião de negociação uma contraproposta de um por cento, para a actualização salarial deste ano. Para o CESP/CGTP-IN, tal posição é inaceitável e insultuosa, pois ignora os aumentos da produtividade e do custo de vida e contrasta com lucros recorde, tanto em 2024, como no primeiro semestre de 2025.

«Apesar de avanços positivos nalgumas matérias, os valores para os aumentos salariais são insuficientes para repor poder de compra e valorizar os trabalhadores», afirmou o SITE Sul, a propósito do acordo alcançado na VW Autoeuropa, no início de Fevereiro. Com «excelentes resultados», a administração preferiu canalizar recursos para prémios «que gere de acordo com os seus interesses, paga quando e como quer e sob critérios que fazem com que nem todos os trabalhadores possam vir a receber, pondo ou retirando quando entende», criticou o sindicato.

O SINTTAV considerou razoável o acordo estabelecido na ANACOM, para um acréscimo salarial de 2,85 por cento, com efeitos a Janeiro, depois de ter sido aplicada a actualização de 2,15 por cento, determinada pelo Governo para o sector empresarial do Estado e entidades públicas.

Acima do mínimo
«É importante contrariar a tentativa do patronato de replicar, de forma generalizada, as actualizações do salário mínimo nacional, contribuindo assim para que os salários médios das grelhas salariais sofram uma depreciação», assinalou a FIEQUIMETAL.

No final de Fevereiro, numa nota de imprensa, a federação divulgou um «levantamento não exaustivo» de empresas onde esse objectivo foi alcançado: a Continental Mabor, em Vila Nova de Famalicão (aumentos de 100 euros), a Poolplaca, na Figueira da Foz (90 euros), a Gestamp, em Vendas Novas (90 euros), e, ambas com aumentos de 100 euros, a SMP, no complexo industrial da VW Autoeuropa, em Palmela, e a Metalo-nicho, em Arraiolos.

 



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