Caravana dos professores pela valorização deu força à luta que vai continuar
Nas iniciativas da Caravana Nacional «Somos professores. Damos rosto ao futuro. Exigimos valorização, já!», a FENPROF e os seus sindicatos alargaram a mobilização e o apoio ao que defendem na revisão do Estatuto.
É preciso valorizar a carreira docente, para ter uma Escola Pública de qualidade
Durante duas semanas, de 19 de Fevereiro a 4 de Março, a Caravana percorreu os 18 distritos de Portugal Continental, as nove ilhas da Região Autónoma dos Açores e a maioria dos concelhos da Região Autónoma da Madeira. Como foi dito no encerramento, na Praça Luís de Camões, em Lisboa, na quarta-feira da semana passada, foi distribuído um folheto à população, junto de escolas, foram recolhidas assinaturas em milhares de postais, dirigidos ao primeiro-ministro e que em breve serão entregues, realizaram-se reuniões de escolas e agrupamentos e plenários distritais, acções públicas nas praças das principais cidades.
Por todo o País, os docentes e os sindicatos receberam apoio de pais e encarregados de educação e de eleitos nas autarquias locais, todos partilhando a ideia de que é preciso valorizar a carreira docente, para ter uma Escola Pública de qualidade.
Terminada a Caravana, prossegue a luta. Foi sublinhado o alerta para que os professores e educadores sigam atentamente as negociações para a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD).
Depois dos secretários-gerais da FENPROF, Francisco Gonçalves e José Feliciano Costa, interveio o Secretário-Geral da CGTP-IN. Tiago Oliveira lembrou que os problemas «emanam da opção política de quem está à frente do País» e que levou a «um desinvestimento enorme» na escola pública, no Serviço Nacional de Saúde e em todos os serviços públicos.
A propósito de a FENPROF declarar que só está disponível para negociar a revisão do ECD, se daí vierem melhorias para os professores, comentou que «é isto que se espera dos sindicatos», como a CGTP-IN tem feito na discussão do pacote laboral. «Andar para trás, nunca, não contem connosco para isso», frisou.
Exige-se negociação efectiva
Em conferência de imprensa, no dia 10, terça-feira, a FENPROF registou que o Ministério da Educação e o Governo não tiveram em conta nenhuma das contrapropostas que apresentou. Na nova posição que enviou aos sindicatos, no dia 3, o Ministério deixou ainda «por esclarecer ou fundamentar as opções que mantém e cujas consequências se antecipam muito mais profundas e danosas do que simples alterações “semânticas” ou de mero acerto “legístico”, como tem sido invocado».
Para a federação, é necessária uma nova reunião negocial.
A FENPROF «não aceita continuar a ver as suas propostas ignoradas, no processo negocial de revisão deste diploma estruturante da carreira docente». Rejeita também «que a reconfiguração pretendida pelo MECI/Governo caminhe no sentido da descaracterização do Estatuto da Carreira Docente e, por essa via, da própria profissão, num percurso que, em vez de valorizar a profissão docente — como é urgente fazer —, segue exactamente no sentido contrário.
Se o Governo insistir num processo negocial sem respostas concretas, sem respeito pela profissão e sem valorização efetiva da carreira docente, os professores saberão responder com todas as formas de luta que a lei permita, assegurou a federação.




